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Presidente da Pontifícia Academia para a Vida apela a uma Europa inclusiva

15 mar, 2022 - 12:51 • Olímpia Mairos

D. Vicenzo Paglia defende que “é preciso imaginar e construir um futuro diferente, para que este conflito seja o último e sirva de exemplo para a busca e identificação de novas formas de convivência entre os povos”.

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O presidente da Pontifícia Academia para a Vida, D. Vincenzo Paglia, escreve esta terça-feira no jornal italiano “Il Riformista” sobre a guerra na Ucrânia e apela a negociações entre as partes.

“Telefonemas não são suficientes. É necessária uma visão política eficaz para sair desta guerra com um plano europeu renovado, sábio e duradouro. Parece-me urgente redesenhar o futuro e a ordem política do continente”, defende o prelado.

D. Vicenzo Paglia entende que “é preciso imaginar e construir um futuro diferente, para que este conflito seja o último e sirva de exemplo para a busca e identificação de novas formas de convivência entre os povos”.

“Parece-me que não há alternativas: a Europa é uma só; tem dois pulmões, certamente - Oriente e Ocidente têm características comuns e características diferentes - mas é sempre a Europa”, observa.

Segundo o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, a Europa da OTAN, da União Europeia, do G-7 que às vezes se torna G-8, deve ser redesenhada, inventando uma solução política diferente, sob a bandeira de um projeto de inclusão política, económica, financeira e cultural de todos os países, sem exceção.

“Não há outra escolha. Ou nos resignamos ao conflito com um continente em pedaços ou - pior - um continente destruído por um conflito que se eleva irremediavelmente à destruição. Devemos entender que as guerras de hoje são sem sentido no nível humano, em primeiro lugar, e em segundo lugar, do ponto de vista económico, político, social, cultural. Todos os nossos países estão conectados entre si: cidadãos de outros estados vivem em cada país; energia e recursos económicos fluem entre um e outro de forma contínua e ininterrupta”, escreve.

“Achamos realmente que podemos parar, bloquear esses fluxos ou usá-los como uma medida retaliatória eficaz? Achamos mesmo que a economia de um país pode ser bloqueada, deixando todos os outros ilesos?”, questiona, acrescentando que “estamos condenados a inventar uma solução política”

“Só a partir de uma solução política justa e real, que respeite o direito e os direitos internacionais, pode surgir uma Europa dos povos do futuro”, assinala.

Segundo o prelado, o mundo vive ainda uma pandemia que ainda não foi derrotada, uma crise ambiental e climática, que terá consequências para todos, e uma mudança de época em termos de novas tecnologias que afetam a própria humanidade”.

“As armas resolvem? Não, não é este o Ocidente que somos chamados a sonhar e construir”, conclui o perfeito.

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