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Presidenciais 2021

Marcelo absoluto. Os 10 factos que marcaram a reeleição

25 jan, 2021 - 02:21 • João Carlos Malta

O Presidente da República conseguiu a reeleição com facilidade e a possibilidade de segunda volta, de que se falou nos últimos dias, nunca foi sequer uma miragem. O resultado de André Ventura põe o país político a falar do significado do meio milhão de votos que o líder do Chega alcançou.

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Marcelo é o vencedor, mas é Ventura que vive "noite histórica". O filme da noite eleitoral
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Marcelo Rebelo de Sousa arrasou os adversários ficando muito longe de todos os outros seis. Teve mais 100 mil votos do que em 2016. André Ventura ganhou, mas perdeu a aposta. E Ana Gomes foi a mulher mais votada de sempre, ainda assim com menos votos do que candidatos da mesma área política, em anteriores eleições presidenciais, como Sampaio da Nóvoa ou Manuel Alegre.

E se foi inequívoca a reeleição do Presidente da República, à esquerda e à direita há muitas ilações a tirar para o futuro. Houve também muita gente a posicionar-se para as próximas batalhas políticas e eleitorais.

Em 10 pontos, vamos tentar resumir as principais ideias da noite que deu mais cinco anos a Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém.

1. Marcelo é reeleito com com 60,7% dos votos e ganha em todos os distritos, e em todos os concelhos do país. É a primeira vez que tal sucede numa eleição presidencial. Foi um candidato à parte nesta eleição. Num contexto de pandemia, e em que muitos apontavam o risco dos seus eleitores, alguns de faixas etárias mais altas, ficassem em casa. A verdade é que mesmo que isso tenha acontecido, o Presidente da República teve um resultado robusto que o deixa numa posição fortalecida para um segundo mandato.

2. Ana Gomes fica em segundo lugar. É a mulher mais votada de sempre numa eleição presidencial. Tem uma meia vitória. Se os resultados a colocaram à frente de André Ventura, com quem teve vários despiques ao longo da campanha, não é menos verdade que ficou muito longe da possibilidade de uma segunda volta. Além disso, fica bem abaixo de candidatos que recentemente representavam a área política que corporiza como Sampaio da Nóvoa, em 2016, ou Manuel Alegre, em 2011.

3. André Ventura é sem réstia de dúvida um dos grandes vencedores da noite. Tem quase meio milhão de votos (496.653). Mas como tinha posto a fasquia ainda mais alta, acaba por pôr o lugar à disposição dos militantes para, ao que tudo indica, depois se voltar a candidatar.

A promessa era a de deixar o cargo se ficasse atrás de Ana Gomes, candidata que, disse, representa "o pior da esquerda que defende as minorias". Voltou a dizer que não haverá Governo de direita sem o Chega e falou "grosso" para o PSD. Pelo meio, ficou a conhecer uma sondagem da Universidade Católica para a RTP que lhe dá o terceiro lugar atrás de PS e PSD, com 9%.

4. A esquerda tem uma derrota expressiva. Junta não consegue atingir o resultado do candidato de extrema-direita. Marisa Matias, apoiada pelo Bloco, fica longe dos resultados de há cinco anos.

Bloco e PCP têm resultados muito abaixo das expetativas que tinham. João Ferreira, apesar do quarto lugar, teve menos votos do que Edgar Silva em 2016.

5. A derrota comunista no Alentejo. A erosão das votações do PCP naquela região não chegou nestas eleições, mas João Ferreira perder em todos os distritos daquela região é um sinal vermelho para o partido liderado por Jerónimo de Sousa. O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, desvalorizou.

6. A novidade Tiago Mayan Gonçalves. Era desconhecido da grande maioria dos portugueses, mas acabou muito perto da candidata do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, ao conseguir 3,2% dos votos. Mas, mais do que isso, Mayan conseguiu duplicar a votação do seu partido, a Iniciativa Liberal, que nas Legislativas de 2019 obteve pouco mais de 67 mil votos. O candidato portuense quase chegou aos 133 mil votos, e foi elogiado pela esmagadora maioria dos comentadores.

7. Em época de pandemia, e com dificuldades únicas não só para organizar a eleição como para que houvesse confiança para os portugueses irem votar, Portugal registou, este domingo, a maior taxa de abstenção em eleições presidenciais de sempre. Cerca de 60,5% dos eleitores inscritos não foram às urnas. A abstenção supera, assim, os 51,34% das eleições de 2016, que ditou a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa.

8. O PS e o PSD tentaram aproveitar resultados para reforçar as agendas partidárias. Carlos César disparou em direção ao PSD, dizendo que Ventura é um problema maior para os sociais democratas do que para o país. E puxou os louros para os socialistas por terem contribuido para a vitória de Marcelo. Já o secretário-geral do PSD, Rui Rio, falou de um resultado que esmagou a esquerda, e criticou o PS por ter sido “derrotado antecipadamente” por “falta de comparência” nestas eleições. Rio quis ainda desfazer a ideia de que o sucesso de Ventura está ligado a uma alegada promoção feita pelo PSD. Atribui o resultado a uma dinâmica maior, e que abrange todo o país.

9. O CDS, na voz do líder Francisco Rodrigues dos Santos, clamou vitória. Mas muitos apontam que os centristas perderam uma oportunidade para lançar um candidato e marcar terreno. Acaba a noite com uma sondagem da Universidade Católica para a RTP que põe o partido com 2% nas intenções de voto dos portugueses. Muitos analistas somam à hecatombe da esquerda, uma reconfiguração da direita, em que o Chega emerge de forma decisiva.

10. Último registo para Tino de Rans, que se autointitulou como "o candidato do povo". Teve quase menos 30 mil votos do que há cinco anos, mas ainda assim disse ter alcançado o quarto lugar acima do Douro. Mesmo assim, perdeu em casa. Em 2016, ganhou em Rans. Desta vez, Marcelo Rebelo de Sousa não lhe deu hipótese. Ainda que por apenas 20 votos.

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