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Diário de Guerra

Dia 58. António Guterres visita Moscovo e Kiev, Rússia quer ter acesso a território moldavo

22 abr, 2022 - 20:00 • João Malheiro

A Rússia assegurou estar pronta para observar "a qualquer momento" uma trégua no complexo siderúrgico Azovstal, o último reduto da resistência das forças ucranianas de Mariupol, para permitir a saída civis e a rendição de combatentes. 50 mil civis estão à espera de saírem de Mariupol.

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O 58.º dia de guerra entre Rússia e Ucrânia fica marcado pelas notícias que apontam que António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, vai à capital de ambos os países falar com os respetivos chefes de Estado.

A Rússia assegurou estar pronta para observar "a qualquer momento" uma trégua no complexo siderúrgico Azovstal, o último reduto da resistência das forças ucranianas de Mariupol, para permitir a saída civis e a rendição de combatentes. 50 mil civis estão à espera de saírem de Mariupol.

E o Kremlin pode ter um novo objetivo: Ter acesso a território moldavo.

A Renascença resume mais um dia de conflito.

Guterres vai a Kiev e a Moscovo

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, vai a Moscovo falar com o Presidente russo, Vladimir Putin.

A notícia foi avançada esta sexta-feira pelo serviço de imprensa da ONU.

A reunião de alto nível sobre a guerra na Ucrânia está marcada para segunda-feira, a 25 de abril.

António Guterres deverá seguir de Moscovo para Kiev.

Segundo apurou a Renascença, o secretário-geral das Nações Unidas deverá chegar à capital ucraniana só depois de se encontrar com Vladimir Putin.

Quanto ao encontro entre Guterres e Zelensky, em Kiev, a data concreta está, ainda, dependente das condições logísticas e de segurança para a viagem entre ambas as capitais, uma vez que o espaço aéreo ucraniano está encerrado, mas tudo indica que poderá ocorrer na quarta ou na quinta-feira da próxima semana.

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Rússia admite trégua para rendição de tropas ucranianas em Azovstal

A Rússia assegurou estar pronta para observar "a qualquer momento" uma trégua no complexo siderúrgico Azovstal, o último reduto da resistência das forças ucranianas de Mariupol, para permitir a saída civis e a rendição de combatentes.

"O ponto de partida desta pausa humanitária será o levantamento pelas formações armadas ucranianas de bandeiras brancas na totalidade ou numa parte de Azovstal", disse o Ministério da Defesa russo em comunicado.

Os civis que saírem, garantiu Moscovo, terão a opção de se juntar a territórios sob controlo ucraniano ou russo e os soldados ucranianos serão bem tratados e os feridos socorridos.

Rússia quer ter acesso a território moldavo

A Rússia quer controlar o sul da Ucrânia e a região do Donbass (leste) para criar um corredor para a Crimeia, a península ucraniana anexada por Moscovo em 2014, disse esta sexta-feira um comandante militar russo

“Desde o início da segunda fase da operação especial, há dois dias, um dos objetivos do exército russo é estabelecer o controlo total sobre o Donbass e o sul da Ucrânia”, afirmou o comandante-adjunto do Distrito Militar Central da Rússia, general Rustam Minnekayev, citado pela agência francesa AFP.

Durante uma reunião com empresas do complexo militar industrial russo em Yekaterinburg (Urais), Minnekayev explicou que esse controlo “assegurará um corredor terrestre para a Crimeia”.

Assegurará também “influência nas infraestruturas vitais da economia ucraniana, os portos do Mar Negro, através dos quais os produtos agrícolas e metalúrgicos são entregues”, acrescentou.

50 mil civis estão à espera de saírem de Mariupol

A vice-primeira-ministra da Ucrânia disse à Sky News que 50 mil civis permanecem encurralados na cidade de Mariupol.

Iryna Vereshchuk revelou que apenas uma fração dos civis que deviam ter sido retirados da cidade esta quinta-feira conseguiram efetivamente sair de Mariupol.

“A missão não está cumprida. Abrimos um corredor verde para milhares de pessoas e esperávamos pelo menos cinco mil pessoas. Temos apenas 79 pessoas. Isto é o que a Rússia faz”, acrescentou.

Segundo a vice-primeira-ministra da Ucrânia esta sexta-feira não haverá corredores humanitários “por causa do perigo”.

ONU admite que ações em Bucha podem constituir crimes de guerra

A ONU documentou "assassínios, incluindo por execução sumária" de 50 civis em Bucha, nos arredores de Kiev, sublinhando que as ações da Rússia na Ucrânia podem “constituir crimes de guerra”, disse uma porta-voz da organização.

"Durante uma missão a Bucha em 9 de abril, investigadores dos direitos humanos da ONU documentaram o assassínio, incluindo execuções sumárias, de cerca de 50 civis", disse Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos, durante uma conferência de imprensa em Genebra.

"O que vimos em Kramatorsk, na área controlada pelo Governo em 8 de abril, quando munições de fragmentação atingiram uma estação de comboio, matando 60 civis e ferindo outros 111, é emblemático do incumprimento do princípio da distinção (entre civis e soldados), a proibição de realizar ataques indiscriminados e o princípio da precaução consagrado no Direito Internacional Humanitário”, adiantou Bachelet.

Ravina Shamdasani indicou que "compete a um tribunal determinar se esse é o caso”, mas sublinhou haver “cada vez mais evidências de que crimes de guerra estão a ser cometidos" na Ucrânia.

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