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Homicídios, violação e tráfico de droga. Os outros casos que envolvem claques de futebol

31 jan, 2024 - 15:29 • Eduardo Soares da Silva

Além da Operação "Pretoriano", que investiga a principal claque do FC Porto, há vários processos na Justiça que envolvem claques. Conheça os principais casos.

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Violações, tráfico de droga, agressões e até homicídios. Há vários casos criminais ligados a claques de futebol nos últimos anos, estando o último relacionado com os "Super Dragões", a principal claque do FC Porto.

Vários elementos da claque portista foram detidos esta quarta-feira. Em causa está a suspeita de crimes de ofensa à integridade física no âmbito de espetáculo desportivo, coação agravada, ameaça agravada, instigação pública a um crime, arremesso de objeto ou de produtos líquidos e atentado à liberdade de informação.

Entre os detidos estarão Fernando Madureira, líder da claque, a sua mulher, Sandra Madureira, Vítor Catão, ex-dirigente do São Pedro da Cova, e Fernando Saul, oficial de ligação aos adeptos do FC Porto e "speaker" do Estádio do Dragão.

Foram realizadas 11 buscas domiciliárias e apreendidos três automóveis, cocaína, haxixe, uma arma de fogo e vários milhares de euros. Além disso, também foram recolhidos pelas autoridades "artefactos pirotécnicos" e "mais de uma centena de ingressos para eventos desportivos", assim como equipamentos eletrónicos.

A invasão a Alcochete

É um dos mais mediáticos casos de justiça associados ao futebol. A 15 de maio de 2018, na sequência de uma derrota na última jornada do campeonato que tirou a possibilidade do Sporting disputar a Liga dos Campeões, 40 adeptos encapuzados invadiram a Academia.

O avançado Bas Dost foi espancado, atingido na cabeça e nas pernas. Outros jogadores e membros da equipa técnica também foram agredidos.

A GNR deteve 23 adeptos no dia seguinte ao incidente e o caso foi para julgamento com 44 arguidos.

A 28 de maio de 2020, nove dos arguidos foram condenados a penas de prisão efetiva, incluindo o antigo líder da claque “Juve Leo”, Fernando Mendes. Outros 28 foram condenados a penas suspensas por cinco anos e à prestação de 200 horas de trabalho comunitário.

Quatro dos invasores foram condenados ao pagamento de multas por entrada em lugar vedado ao público e três arguidos foram absolvidos, incluindo o ex-presidente Bruno de Carvalho, acusado da autoria moral do ataque.

Adepto italiano atropelado junto à Luz

Em abril de 2017, Marco Ficini foi mortalmente atropelado junto ao Estádio da Luz. O adepto italiano da Fiorentina estava em Portugal para assistir a um dérbi com a claque do Sporting, mas morreu após um confronto com a claque do Benfica.

O corpo de Ficini foi “arrastado por 15 metros" e o carro foi apenas imobilizado "depois de ter passado completamente por cima do corpo da vítima", descreveu a acusação.

Luís Pina, ligado à claque benfiquista No Name Boys, foi condenado a quatro anos de prisão efetiva por homicídio por negligência grosseira em 2020.

No entanto, dois anos depois e na sequência de recurso, o Tribunal da Relação de Lisboa anulou parcialmente o acórdão do processo, ordenando a reformulação da decisão de primeira instância, por falta de fundamentação.

“No Name Boys” atacam autocarro do Benfica e casa do treinador

Onze elementos ligados à claque do Benfica “No Name Boys” foram condenados, em 2022, no Tribunal de Sintra a pena suspensa pelos crimes de dano simples consumado, atentado à segurança rodoviária, detenção de arma proibida, ameaça simples, furto simples, furto qualificado e ofensa à integridade física.

Em causa estão uma série de ataques realizados entre 2018 e 2020.

Destacam-se agressões a adeptos do Sporting, o apedrejamento do autocarro do Benfica que feriu os jogadores Zivkovic e Weigl e os atos de vandalismo com insultos escritos nas paredes das casas do treinador Bruno Lage e dos jogadores Rafa Silva e Pizzi.

Homicídio nos festejos do título do FC Porto

O FC Porto foi campeão em maio de 2022, mas os festejos no Estádio do Dragão terminaram em tragédia.

Já durante a madrugada, o adepto portista Igor Silva, de 26 anos, foi agredido com socos, murros e pontapés e esfaqueado 18 vezes. Não resistiu aos ferimentos. O caso não estará diretamente ligado à claque portista, mas sim a um confronto pessoal que teve início meses antes.

O membro da claque “Super Dragões” Marco Gonçalves, conhecido como “Orelhas”, o seu filho e outras cinco pessoas foram constituídas arguidas e começam a ser julgados em fevereiro.

Antigo “vice” do Sporting e líder da claque envolvidos em assalto a residências

Em 2019 Mustafá, ex-líder da claque do Sporting “Juve Leo”, e Paulo Pereira Cristóvão, antigo inspetor da Polícia Judiciária e antigo vice-presidente do clube leonino, foram condenados a penas de prisão efetiva por assaltos violentos a residências na zona de Lisboa.

Em causa estão crimes de associação criminosa, roubo, sequestro, posse de arma proibida, abuso de poder, violação de domicílio por funcionário e falsificação de documento.

Os dois faziam parte de um gang, onde se incluíam três elementos da Polícia de Segurança Pública, que realizava assaltos a domicílios. Mustafá e Pereira Cristóvão seriam os responsáveis pela escolha das vítimas.

Os dois elementos foram condenados em 2019 e o Tribunal da Relação confirmou a pena de prisão efetiva em julho de 2021. Pereira Cristóvão cumpre uma pena de sete anos e meio de prisão e Mustafá seis anos e quatro meses.

Sodomizado por ser amigo de sportinguistas

Oito adeptos “casuals” do Benfica, ligados à claque “No Name Boys”, vão a julgamento por violação agravada de um menor de 16 anos de idade em abril de 2022.

Os elementos da claque não terão gostado que o adepto tivesse publicado fotografias da bancada das claques e que fosse amigo de adeptos do rival Sporting. Levaram o jovem para trás de uma rulote após um jogo, local onde terá ocorrido o crime: foi agredido e roubado, violado com um pau e fotografado nu.

Os arguidos serão também julgados por roubo, ofensas à integridade física, gravações ilícitas, coação agravada, desobediência, detenção de arma proibida e tráfico de estupefacientes.

Tráfico de droga

Em 2018, mais de mil elementos das claques de futebol estiveram sob suspeita de roubo, extorsão ou tráfico de droga, segundo o jornal "Expresso".

Dois ano mais tarde, em 2010, 13 elementos da claque do Benfica "No Name Boys" foram condenados por tráfico de droga, posse de armas brancas e fogo posto. A maior pena foi de 12 anos de prisão efetiva. No mesmo ano, um dirigente da claque do Sporting de Braga foi detido por suspeita de tráfico de droga. As autoridades apreenderam haxixe, cocaína e heroína.

Um ano depois, a GNR desmantelou uma rede de tráfico de droga, com a maioria dos envolvidos ligado à claque "White Angels".

Após a invasão na academia de Alcochete, a GNR realizou buscas na sede da Juventude Leonina, uma das principais claques do Sporting, e apreendeu 15 gramas de cocaína num frasco com arroz, o que levantou a suspeita que a claque fosse usada como instrumento para o tráfico de estupefacientes.

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