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Direitos Humanos

Seis problemas a ensombrar o Mundial do Qatar

17 nov, 2022 - 18:48 • Inês Braga Sampaio , Maria Costa Lopes

O Campeonato do Mundo mais caro da história arranca no domingo, sob uma chuva de críticas por atentados aos direitos humanos. A Renascença elenca seis grandes problemas que ensombram o torneio, que 12 anos depois ainda não convence.

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Seis problemas com o Mundial do Qatar
Seis problemas com o Mundial do Qatar

A 2 de dezembro de 2010, o Qatar foi escolhido para receber o Mundial 2022. Doze anos e mais de 200 mil milhões de euros depois, o Campeonato do Mundo mais caro da história do futebol já é, também, o mais polémico.

Nos últimos anos a escolha da FIFA de entregar a organização do Mundial ao Qatar foi posta em causa pela opinião pública. Questões éticas, sociais, ambientais e desportivas são algumas das polémicas que envolvem o evento. Cidades, marcas, políticos, futebolistas, federações — na contagem decrescente para o torneio, multiplicam-se os boicotes ao Mundial, que arranca no domingo, no Estádio Al Bayt, em Doha.

Uma península na Península Árabe, o Qatar faz fronteira terrestre com a Arábia Saudita ao longo de 60 quilómetros. O deserto árido que se estende pelos 106 quilómetros de comprimento do pequeno país desagua em praias paradisíacas banhadas pelo Golfo Pérsico, ao longo de uma costa de 563 quilómetros. O que faz, então, deste pequeno país, de arquitetura ultramoderna inspirada no Islão antigo, o mais controverso anfitrião de um Mundial de futebol?

1. Corrupção na FIFA


Em 2015, a FIFA viveu a sua pior crise de corrupção dos últimos 100 anos.

O Qatar foi acusado de pagar mais de três milhões de euros em subornos a funcionários da FIFA para garantir o seu apoio. A acusação foi recusada firmemente e, mais tarde, depois de uma investigação pelo Comité de Ética da FIFA, foi ilibado

Ainda assim, as suspeitas mantêm-se. Dos 24 membros do Comité Executivo da FIFA envolvidos na votação, 14 foram suspensos, condenados por corrupção ou banidos do futebol.

Em 2016, foi revelado que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, juntamente com elementos do seu "staff", teria voado para a Rússia e para o Qatar, anfitriões dos dois mais recentes Mundiais, em jatos privados alugados pelas respetivas nações, o que podia constituir um conflito de interesses.

A investigação foi arquivada, não porque a conduta de Infantino não constituía uma “questão ética”, mas sim de “procedimentos internos”.

Em entrevista à Renascença, Leonel Pontes, adjunto de Paulo Bento quando este foi selecionador nacional, entre 2010 e 2014, admite que "foi muito estranho", na altura, ver o Mundial 2022 ser atribuído ao Qatar.

"Não só pelo impacto que tem jogar num país completamente fora daquilo que é o futebol de alto nível. Jogar num país onde é necessário construir grandes infraestruturas, o que acarreta gastos exorbitantes, para levar um Mundial para um país tão pequeno, um país que não tem cultura de futebol, e em que o pós-Mundial vai acontecer provavelmente como aconteceu noutros países, onde se gastaram exorbitâncias para construção de estádios e infraestruturas que, depois, acabaram por perder-se no tempo. Depois, é a data escolhida", assinala.

Leonel Pontes considera que havia outras candidaturas mais bem posicionadas do ponto de vista logístico e dos adeptos. No entanto, entende que a FIFA, por questões financeiras e por querer levar o futebol a territórios onde está menos desenvolvido, quisesse organizar o Mundial num país do Médio Oriente.

Ainda assim, o antigo treinador da seleção portuguesa sublinha que "o futebol, além de um espetáculo, é um negócio" e não descarta a hipótese de a escolha do Qatar ter envolvido manipulação de resultados:

"Sem saber os meandros e quais foram os critérios que levaram a FIFA a escolher o Qatar, entendemos que a questão financeira pesou muito. E a manipulação dos resultados também deve ter pesado muito. Eu não acredito que as várias confederações entendessem que seria a melhor solução para este Mundial. Em minha perspetiva, de certeza que os países do Médio Oriente, o Qatar, o Kuwait, os Emirados e todos os países ali envolventes estarão felizes por haver um Mundial naquela zona do globo."

2. Direitos humanos e questões LGBTQ+


O Qatar, assim como outros países do Médio Oriente, é conhecido pelas leis que proíbem e punem casais do mesmo género. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, já garantiu que toda a gente é bem-vinda ao Qatar, inclusive as pessoas da comunidade LGBTQ+".

No entanto, uma investigação conjunta de SVT Sport, da Suécia, NRK, da Noruega, e DR, da Dinamarca, mostra que nem tudo é como a FIFA diz.

As três televisões públicas nórdicas contactaram todos os 69 hotéis recomendados pela FIFA para alojamento durante o Mundial 2022, sob pseudónimo e receberam resposta de 59. Desses, 20 recomendaram que pessoas homossexuais não mostrassem a sua orientação sexual se queriam reservar um quarto.

Três hotéis - The Torch Doha, Magnum Hotel & Suites Westbay e Wyndham Grand Regency - foram mais longe e confirmaram que não aceitam casais do mesmo género. Ao todo, são mais de 33% os hotéis que recusam ou impõem restrições à estadia de casais do mesmo género.

Mais recentemente, um embaixador do Mundial afirmou que a homossexualidade é um "distúrbio mental" e sublinhou que quem visitasse o Qatar, a propósito do torneio, teria de "aceitar as regras" vigentes naquele país.

Paulo Fontes, diretor de comunicação e campanhas da Amnistia Internacional em Portugal, admite, em entrevista à Renascença, que estas mensagens "não são de todo animadoras".

"Deixam adivinhar que os avanços feitos são aqueles que são quase obrigatórios pela pressão externa e que o Qatar está a tentar fazer o mínimo possível em termos de avanços positivos em direitos humanos, nomeadamente a questão das pessoas LGBTQ+. A FIFA não pode deixar passar nem acontecer nenhuma destas declarações de que as pessoas não podem fazer afetos em público ou que têm de se comportar de determinada forma, porque a liberdade de cada pessoa na sua individualidade tem de prevalecer", sublinha.

As exigências da FIFA têm de ser "não só para agora, mas de agora para todo o futuro", no entender de Paulo Fontes: "Não pode haver só esta abertura durante o tempo do Mundial e, depois, o Qatar cair novamente no esquecimento e fechar-se a tudo o que seja liberdades e direitos humanos. Tem de haver exigências de mudanças transversais e duradouras."

Paulo Fontes defende que o desporto assenta em valores de inclusão e diversidade. Posições como a do Qatar podem dissuadir jovens não heterossexuais de perseguirem carreiras no desporto, alerta.

"Todos estes sinais são sinais de retrocesso, fazem com que todas as pessoas que vivem nestes meios desportivos e que não pertencem às maiorias da conformidade sintam que não podem ser livres. Se o futebol for entendido como um meio em que as pessoas LGBTQ+ não podem estar, todos os jovens que assim percebam que são vão considerar que esse não é um caminho para eles. Esta não é uma mensagem que devemos passar, não é uma mensagem de futuro", realça.

Para Paulo Fontes, a possibilidade de um jovem seguir uma carreira desportiva deve ser medida apenas "pelos dribles que consegue fazer com a bola".

O Qatar é, ainda, considerado um dos países onde os direitos das mulheres estão mais atrasados.

As mulheres qataris têm de ter permissão dos seus tutores masculinos (familiar ou marido) para várias decisões de vida, como para casar, para receber certos cuidados de saúde sexual reprodutiva e para agirem como principais tutoras dos seus filhos, mesmo estando divorciadas.

Paulo Fontes frisa que os abusos de direitos humanos "não são só questões culturais", mas sim um atentado à liberdade de cada um e à própria sociedade. Mais uma vez, critica o papel da FIFA, que insta a assumir maior responsabilidade como agente de mudança.

"A FIFA, por um lado, promove muito a igualdade de género e o futebol feminino, mas, depois, faz poucas exigências para que essas mudanças aconteçam no Qatar. Desde há 12 anos, quando entregou o Mundial ao Qatar, que deveria estar a fazer esse trabalho de exigência, de consciencialização, de advocacia política junto das autoridades qataris. Está a ser uma oportunidade perdida. É uma pena esta década não ter sido mais marcada por avanços positivos nos direitos humanos no Qatar", lamenta.

O Qatar também impõe limitações à liberdade de expressão e imprensa. De acordo com o regulamento da organização, as televisões e fotógrafos só estarão autorizados a captar imagens em locais restritos da cidade.

A FIFA diz estar em contacto com a organização para assegurar que as televisões tenham liberdade para trabalhar.

Nesta entrevista à Renascença, Paulo Fontes assinala que uma imprensa livre "é sempre um dos garantes de uma sociedade saudável e dos direitos humanos", pois serve para expor o que acontece de errado.

O diretor de comunicação e de campanhas da Aministia Internacional refere que é por isso que a imprensa é vista como "um entrave" a regimes mais autoritários e a governos que tentam esconder os abusos de direitos humanos que cometem.

O Qatar já percebeu que terão os olhos do mundo postos em si, pelo que tenta restringir ao máximo aquilo que mostra.

"Demonstra muito medo por parte das autoridades do Qatar de deixar o mundo ver a realidade. Só querem que nós consigamos o 'glamour' do evento, querem mostrar as imagens bonitas de como trabalharam para ter este evento no país, mas não querem deixar ver a realidade", sustenta.

3. Mortes dos trabalhadores


Uma investigação do jornal britânico "The Guardian" revelou que mais de 6.500 migrantes perderam a vida no Qatar entre 2010 e 2021. Dessas mortes, quase 70% não foram explicadas.

Muitas das mortes justificadas por “causas naturais” ou “problemas cardíacos” podem ser atribuídas às muitas horas de trabalho sob calor extremo.

Outro estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho mostrou que 50 trabalhadores perderam a vida em 2020 e mais de 500 ficaram gravemente feridos.

O Governo do Qatar disse que há registo de 37 mortes na construção de obras dos estádios (desde 2014), três das quais "relacionadas ao trabalho".

Para o Governo do Qatar, a mortalidade está dentro do que seria de esperar. Já a FIFA destaca que o número de acidentes é "baixo quando comparado com outros grandes projetos de construção".

A Aministia Internacional explica que a incerteza sobre o número de mortes se deve ao facto de a maioria ter sido atribuída a "causas naturais".

"Em algumas das mortes que aconteceram, os relatos são de que as pessoas estiveram sob temperaturas muito, muito altas durante muito tempo e que isso poderá ter resultado na sua morte, apesar de na certidão de óbito se ter dito que a pessoa morreu por causas naturais. Não haver investigação e dizer apenas que a pessoa morreu por causas naturais tem muitos problemas, um dos quais não haver lugar a indemnização e a seguros para as famílias que, muitas vezes, estão dependentes do trabalho desta pessoa e que, de repente, ficam sem nada. Há várias camadas de injustiça nesta falta de investigação", assinala Paulo Fontes à Renascença.

O responsável lamenta que a FIFA tente "sacudir a água do capote" pelo que tem acontecido. Um dos grandes objetivos da Amnistia, explica, é, precisamente, chamar a FIFA e as autoridades do Qatar à responsabilidade:

"A FIFA tem um papel importantíssimo, por um lado, de garantir que em todas as construções para o Mundial não acontecem mortes, nem abusos de direitos humanos, e que os trabalhadores têm os seus direitos e a sua segurança garantidos. Mas também num papel de pressão para que as autoridades qataris desenvolvam e criem legislação e mecanismos para também haver uma proteção mais ampla e em mais áreas dos direitos humanos."

4. Direitos dos trabalhadores


A construção de estádios, estradas, hotéis e outras infraestruturas para o Mundial no Qatar caiu sobre as costas de mais de um milhão de trabalhadores migrantes.

O sistema Kafala (patronato, em árabe) é usado para controlar a massa de migrantes que constitui a maioria da população do país (cerca de 90%). O sistema dá total controlo à empresa sobre o visto e o bem-estar dos seus trabalhadores, o que os impede, por exemplo, de mudar de emprego sem autorização.

Depois de muita pressão, as Nações Unidas fizeram um acordo com o Governo do Qatar para instituírem reformas e alinharem os padrões de trabalho com as práticas internacionais. Uma das medidas foi o desmantelamento do sistema Kafala.

No entanto, Paulo Fontes esclarece à Renascença que, "na prática", o sistema não foi mesmo abolido.

"Temos relatos de pessoas que continuam a ter dificuldades na mudança de emprego, em exigir os seus direitos, tudo porque a entidade empregadora continua a ter um poder muito grande sobre estes trabalhadores. Milhares de trabalhadores continuam a enfrentar dificuldades como salários em atraso ou não pagos, negação de dias de repouso, condições de trabalho inseguras, uma barreira grande à mudança de emprego e acesso limitado à justiça. Para além da mudança da lei, que de facto aconteceu, é preciso, agora, a criação de mecanismos de verificação para garantir que as empresas não continuam com estas práticas", diz.

Há trabalhadores colocados a trabalhar durante meses, ou mesmo anos, a fio, sem dias de descanso e sem poderem tirar dias de doença, nem para ir ao médico. Se tiram um dia para ir ao médico, por exemplo, é-lhes descontada a semana inteira de salário. As horas de repouso estão legisladas, mas não são cumpridas.

Paulo Fontes diz que o Qatar se escuda nas poucas reformas que tem feito e que "conduziram, de facto, a uma melhoria das condições para milhões de trabalhadores migrantes no país, mas ainda há muito trabalho para fazer".

Também há relatos de diferenças salariais consoante etnia e nacionalidade, assim como na atribuição de trabalhos:

"Por exemplo, uma pessoa etíope recebe menos, pelo mesmo trabalho, que um tunisino, que por sua vez recebe menos do que alguém de outra nacionalidade. O racismo também se nota nos trabalhos atribuídos, com as pessoas que têm tons de pele mais escuras a serem, muitas vezes, colocadas em situação de calor extremo durante mais horas, com o falso argumento de que conseguem aguentar mais."

Numa perspetiva de quem está dentro do futebol, Leonel Pontes assume à Renascença que "qualquer treinador não fica indiferente ao que se vai passando" no Qatar. Contudo, lembra que a responsabilidade é da FIFA, que escolheu o país anfitrião e, agora, deve impor os valores de "solidariedade, respeito, integridade e civismo" que defende.

"A FIFA escolhe o país. Entendeu que o Qatar seria o país indicado para realizar o Mundial. Entendeu que existiam condições. Entendeu que era a melhor candidatura. E dentro daquilo que devem ser os princípios e valores defendem numa competição, é a FIFA que tem de controlar aquilo que se está a passar", destaca.

Paulo Fontes acredita que os adeptos e o público em geral estão consciencializados para a necessidade de a FIFA assumir as suas responsabilidades e de o Qatar fazer as mudanças necessárias e implementar mecanismos de supervisão dessas mesmas medidas.

"O Qatar agora está nos olhos do mundo, é agora que podemos pressionar para que a mudança aconteça, porque, depois, pode cair no esquecimento. O importante é, agora, que todas as pessoas, entidades desportivas e agentes desportivos façam pressão sobre a FIFA e as autoridades do Qatar para que cumpram com as suas responsabilidades e obrigações agora", vinca.

A solução não é a não-realização do Mundial, mas sim a utilização do mediatismo do torneio para forçar a mudança: "Este evento tem um potencial enorme de uma mudança positiva na vida das pessoas e dos direitos humanos no Qatar."

5. Calor extremo


Quando o Qatar foi escolhido para acolher o Mundial, o plano era manter as datas de verão, apesar das altas temperaturas (que podem ultrapassar os 40ºC), com a promessa de que os estádios teriam as condições para assegurar o bem-estar dos jogadores e dos adeptos.

Mais tarde, a FIFA rejeitou essa proposta e mudou o calendário do Mundial para novembro e dezembro, algo inédito na história do futebol.

No entanto, mesmo nesta altura do ano, as temperaturas no Qatar podem atingir os 30ºC. Significa isto que é preciso arranjar formas de arrefecer os estádios. Os oito recintos do Campeonato do Mundo estão equipados com meios de refrigeração que usam a energia solar para alimentar os ventiladores e puxam o ar do exterior e o arrefecem.

Leonel Pontes salienta que os treinadores têm capacidade de se adaptar a diferentes realidades e contextos e refere que os jogadores e as seleções também vão ter de o fazer.

O treinador prevê dificuldade da seleção portuguesa de treinar a horas normais, como 11h00 ou 18h00: "Provavelmente, vai ter de treinar muito mais tarde ou muito mais cedo."

"As diferenças atmosféricas são evidentes, durante o dia muito quente, à noite frio, o que significa que os hábitos de treino dos jogadores de quase todas as seleções serão modificados. Tem de haver uma readaptação a um novo contexto onde os jogadores quase vão estar fechados numa bolha, em função das condições atmosféricas que vão entrar", explica.

6. Falta de alojamento


O Qatar espera receber mais de 1,2 milhões de pessoas durante os 28 dias do Mundial. No pico de capacidade, a Autoridade de Turismo do país árabe diz que vai precisar de 130 mil espaços de alojamento.

Porém, os dados mais recentes da Autoridade de Turismo do Qatar dizem que há apenas cerca de 34 mil quartos em hotéis e apartamentos. Estes números continuam a aumentar à medida que novos hotéis são construídos e podem chegar até aos 60 mil à data do Mundial.

Há outras opções, como alugar uma cabine num dos cruzeiros que irão estar atracados na cidade ou dormir numa tenda no deserto, nos arredores da capital. Mesmo assim, tudo isto somado, só chega a 80 mil espaços de alojamento (que dá para cerca de 60% das pessoas).

À falta de camas, muitos adeptos deverão ficar alojados em países vizinhos e viajar apenas para os jogos. Os aeroportos internacionais de Doha e Hamad irão duplicar a capacidade para atender mais de 200 mil viajantes por dia.

Joseph Blatter, o presidente da FIFA na altura, admite agora que o Qatar foi uma má escolha.

Apesar de o ex-presidente referir apenas o tamanho do país como entrave, o facto é que as críticas têm vindo a subir de tom com a aproximação do evento. Com todas as questões a ensombrar o Mundial, será que foi um erro?

Paulo Fontes, da Amnistia Internacional, reforça que "o caminho não é deixar de organizar o evento".

"O caminho é que o evento tenha um impacto positivo aquando da sua organização. Este Mundial não pode só ficar manchado por todos os abusos que aconteceram. É altura de ficar, também, marcado pela mudança positiva e por fazer com que os direitos humanos avancem no Qatar", declara.

O Campeonato do Mundo começa no domingo. Portugal está inserido no Grupo H, com Gana, Uruguai e Coreia do Sul. Os jogos da seleção nacional no Qatar terão relato em direto na Renascença e acompanhamento ao minuto em rr.sapo.pt.

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