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Como Portugal se está a preparar para vacinar 100 mil pessoas por dia contra a Covid-19

07 mai, 2021 - 09:01 • Inês Rocha

Reforço nos postos de vacinação, mais recursos humanos e auto-agendamento para complementar o agendamento centralizado. Conheça as medidas tomadas para preparar o país para uma fase de vacinação massiva, com uma média de 100 mil doses administradas por dia.

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O ritmo de vacinação em Portugal aproxima-se gradualmente do marco das 100 mil inoculações diárias.

Um número que não é inédito, já que no dia 18 de abril foram administradas 118,8 mil doses. Mas o objetivo é que o ritmo aumente e o país passe a vacinar, em média, 100 mil pessoas por dia. Entre quarta e quinta-feira, esteve perto: foram administradas 90.929 doses de vacinas, entre as quais 42.372 segundas doses.

À RTP3, Gouveia e Melo, coordenador do grupo de trabalho da vacinação em Portugal, anunciou que Portugal chega a esse patamar a partir da próxima semana.

280 postos de vacinação criados em todo o país

Questionada pela Renascença sobre as adaptações logísticas necessárias a uma vacinação em massa, fonte oficial da task force de vacinação explica que "no início do processo, o principal estrangulamento consistia na disponibilidade de vacinas. Nesta fase, em que se está a passar para um período de maior disponibilidade de vacinas, o maior desafio é a sua administração o mais rapidamente possível, evitando stocks e acelerando a proteção da população portuguesa".

Para isso, foram preparadas respostas de vacinação massiva, com 280 novos postos de vacinação distribuídos pelo território nacional (119 postos de vacinação massiva e 161 de resposta reforçada, a maioria dos quais já em funcionamento).

Reforço de recursos humanos: estão a ser contratados "todos os trabalhadores necessários"

Em março, a task force de vacinação avançou que seria necessário contratar no total, 5.200 profissionais para a vacinação em massa contra a covid-19, entre os quais 2500 enfermeiros, 400 médicos e 2300 auxiliares.

Em abril, o almirante Gouveia e Melo disse, num debate no âmbito da iniciativa "Conversas com Cientistas - Décadas de Ciência para Dias de Vacinas", que a segunda fase da vacinação contra a covid-19 iria obrigar a um reforço de 1.700 profissionais de saúde e que não havia "perspetiva de falta de recursos humanos" para cumprir o objetivo de vacinar 100 mil pessoas por dia.

Questionada pela Renascença, a task force não avança números sobre as contratações já feitas. Diz que o "processo encontra-se a decorrer, em articulação com o Ministério da Saúde, a Task Force, as ARS e as autarquias, no sentido de assegurar que o planeamento é executado, sendo recrutados todos os trabalhadores que, em função da evolução do plano de vacinação, sejam necessários".

A task force sublinha ainda que "continua a existir a possibilidade de celebração de contratos de trabalho a termo resolutivo incerto" para colmatar as necessidades.

Auto-agendamento para complementar o agendamento centralizado

Para agilizar o processo de vacinação, a task force diz estar a adaptar os sistemas de informação para o agendamento centralizado. Este sistema, com base na base de dados dos utentes, está em vigor desde o início do plano.

Mas a esta possibilidade adiciona-se também a possibilidade de fazer o autoagendamento.

"As próprias pessoas podem ir a um site e, estando dentro da faixa etária, podem agendar-se para um determinado centro de vacinação", explicou Gouveia e Melo, em abril, após uma reunião no Infarmed.

Desde 23 de abril que o Portal do Auto-agendamento para Vacinação contra a Covid-19 está a funcionar para maiores de 65 anos que ainda não receberam a primeira dose da vacina.

Na última terça-feira, cerca de 206 mil pessoas já se tinham inscrito para tomar a vacina contra a covid-19.

O processo deu alguns problemas, com sobreposições de agendamentos que resultaram em ajuntamentos em alguns centros de vacinação, nomeadamente em Sintra, Coimbra e Cascais.

À Lusa, a task force garantiu que "todas as perturbações já estão identificadas, estando em curso a correção tão expedita quanto possível".

Nove milhões de vacinas para administrar na segunda fase

Portugal assegurou, no âmbito dos contratos da Comissão Europeia com as farmacêuticas, cerca de 35 milhões de doses de vacinas, suficientes para vacinar todos os residentes no país.

Aliás, a quantidade de vacinas adquiridas são mais do que as pessoas elegíveis, pelo que algumas poderão não ser utilizadas.

Neste segundo trimestre, Portugal deve receber perto de nove milhões de vacinas, distribuídas por 4.137.503 doses da Pfizer, 794.968 doses da Moderna, 1.600.000 doses da AstraZeneca, 1.248.828 doses da Janssen, 733.333 doses CureVac e 349.662 doses da Novavax.

O balanço mais recente, até 2 de maio, indica que o país recebeu mais de 4,2 milhões de vacinas para o novo coronavírus.

Quem já foi vacinado?

Mais de 2,6 milhões de pessoas já receberam a primeira dose da vacina contra a covid-19, o que equivale a um quarto da população portuguesa, enquanto cerca de 945 mil, que representam 9% dos portugueses, já têm a vacinação completa contra a doença.

No total, foram administradas 3,6 milhões de doses em todo o país.

945.576 Portugueses Vacinados

Por faixas etárias, 82% dos idosos com mais de 80 anos já têm a vacinação completa, num total de 557 mil pessoas imunizadas.

Entre os 65 e 79 anos, 71% recebeu a primeira dose e 7% as duas.

Veja aqui qual o seu lugar na lista de espera para a vacina.

Vacinados por Grupo Etário

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