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Entrevista Renascença

Faltou tempo e debate, mas Bruno Costa Carvalho confia que será o vencedor das eleições do Benfica

26 out, 2020 - 10:45 • Pedro Azevedo

Rosto da Lista C preferia adiamento das eleições e defende que deviam decorrer durante dois dias para evitar aglomerados. Bruno Costa Carvalho resistiu aos obstáculos para se apresentar na corrida e acredita que chegará o fim em primeiro.

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Bruno Costa Carvalho é o rosto visível da lista C às eleições no Benfica. Em 2009 foi candidato e perdeu por larga margem para Luís Filipe Vieira, e no ato eleitoral de quarta-feira reencontra como adversário o atual presidente do Benfica.

Desta vez, teve de ceder a sua posição de candidato a presidente ao número dois da lista, Luis Miguel David, por não ter, ao abrigo dos atuais estatutos, 25 anos consecutivos de sócio com mais de 18 anos.

“Se a minha lista vencer, serei o vice-presidente de Luís Miguel David no clube durante todo o mandato e serei o presidente da SAD”, explica. Sobre os atuais estatutos que não permitem avançar como número um da lista, Bruno Costa Carvalho discorda e acusa.

“É manifestamente inconstitucional. É mais difícil ser presidente do Benfica do que Presidente da República, o que não faz sentido. O Benfica é uma Instituição de Utilidade Pública e esse estatuto viola a Constituição, mesmo tendo sido aprovado em Assembleia Geral”, critica Bruno Costa Carvalho, em entrevista a Bola Branca.

Avaliação crítica das outras candidaturas

A campanha para as eleições do Benfica não contempla debates dos candidatos, o que representa um facto negativo para a lista C e Bruno Costa Carvalho reclama que só ele está "interessado nesse debate".

“O Dr. Noronha Lopes (lista B) tem uma coisa feita por uma consultora e aquilo não é bem um projeto. E o Dr. Rui Gomes da Silva (lista D) tem um conjunto de intenções boas, mas também não é projeto”, considera.

Quanto a Luís Filipe Vieira, o candidato esclarece, nesta entrevista à Renascença, que em 2016 não se candidatou porque considerou que o mandato (2012-2016) exercido foi "muito bom".

No entanto, o atual presidente, defende, "não consegue, neste momento, perceber a necessidade de transformar o Benfica num grande clube europeu e existe alguma falta de rumo".

"Jorge Jesus foi dispensado porque não servia e veio Rui Vitória que apostava nos jovens e depois Bruno Lage que apostava ainda mais na formação. Bruno Lage renovou quatro anos e o caminho era ser campeão da Europa com os jovens do Seixal, o que eu achei um exagero. De repente volta o Jorge Jesus. Isto é defender tudo e o seu contrário”, observa.

Antecipação e realização das eleições num só dia não agrada

As eleições para a presidência do Benfica estavam marcadas para dia 30 de outubro, mas devido às medidas de combate à pandemia, que entram em vigor precisamente no dia 30, o ato eleitoral foi antecipado para quarta-feira, dia 28.

Bruno Costa Carvalho aceitou a decisão, mas não concorda com ela. O candidato preferia um adiamento do ato eleitoral para dia 6 de novembro, porque considera que "o tempo de campanha é muito reduzido".

”O nosso movimento arrancou em 2009, não chegamos agora, mas perdemos tanto tempo sobre a questão de eu poder liderar ou não a minha lista que as nossas ideias não passaram tão bem como queríamos. Sugerimos a data do dia 6 de Novembro, mas a decisão já estava tomada", revela.

Outra das soluções apontadas, até para evitar grandes aglomerações em tempo de pandemia, foi para realizar as eleições "em dois dias, como aconteceu no FC Porto". "Não concordo com a data nem com a forma destas eleições, mas não impugnarei e aceitarei pacificamente o resultado para não prejudicar o nome do Benfica”, ressalva.

Confiança no triunfo

Apesar das limitações de tempo e mesmo não sendo favorita, a Lista C não deixa de acreditar num triunfo eleitoral. “Não tenho nenhuma sondagem, mas vou até ao fim e se não acreditasse no triunfo não estaria na corrida”, afirma Bruno Costa Carvalho.

O cenário de desistência não está em cima da mesa. “Não iremos desistir para apoiar outra candidatura. Apenas admitimos uma convergência de toda a oposição, mas a única candidatura que esteve verdadeiramente interessada foi a nossa. As outras listas não mostraram interesse”, remata.

Concorrem às eleições do Benfica Luís Filipe Vieira (Lista A), que lidera o clube desde 2003, João Noronha Lopes (Lista B), Luís Miguel David (Lista C) e Rui Gomes da Silva (Lista D).

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