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O que já sabemos sobre a queda do Canadair no Gerês

08 ago, 2020 - 19:28 • Sofia Freitas Moreira

Um avião Canadair caiu, no sábado, enquanto combatia o incêndio no Parque Nacional da Peneda Gerês, no Lindoso, distrito de Viana do Castelo. O acidente causou um morto e um ferido grave, que, este domingo, se encontra “estabilizado e fora de perigo”.

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Quantos vítimas resultaram do acidente?

Um dos dois pilotos que seguiam na aeronave acabou por perder a vida, após o impacto. Trata-se de um homem de nacionalidade portuguesa, de 65 anos.

Jorge Jardim acabou por morrer no local, apesar das tentativas realizadas pelos elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica

O segundo piloto, de nacionalidade espanhola e de 39 anos, ficou politraumatizado, com múltiplas fraturas. O homem está desde sábado internado no Hospital de Braga e encontra-se “estabilizado e fora de perigo”, indicou à agência Lusa fonte oficial daquela unidade de saúde, este domingo.

Em que local se despenhou o Canadair?

O avião anfíbio pesado, que fazia parte do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, despenhou-se junto à Barragem do Alto do Lindoso, já em território espanhol.

Segundo avança Pedro Araújo, comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, à Renascença, a viatura caiu "a cerca de um, dois quilómetros da fronteira com Portugal".

O que estava a fazer no momento do acidente?

O acidente aconteceu pelas 11h16, durante uma operação de reabastecimento de depósito de água.

O ‘Canadair’ participava nas operações de combate a um incêndio que lavra no Parque Nacional da Peneda Gerês, freguesia e concelho do Lindoso, distrito de Viana do Castelo.

Trata-se de que tipo de aeronave?

Numa nota de imprensa, a ANEPC afirmou tratar-se de um avião anfíbio pesado (Canadair CL215), do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, do Centro de Meios Aéreos de Castelo Branco.

Os ‘Canadairs’ são considerados seguros?

O presidente do Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil questiona, em declarações à Renascença, a eficácia do avião ‘Canadair’ para o combate a incêndios em condições como as do Parque Nacional Peneda-Gerês.

Duarte Caldeira explica que se trata de uma manobra de extrema complexidade, atendendo à orografia do terreno e ao facto de se tratar de um meio aéreo pesado. "Há quem defenda que, para este tipo de orografia, o meio pesado é o mais desadequado, sendo privilegiados, neste tipo de terreno, meios leves”, lembra o especialista.

“Não gosto destas matérias de ter posições definitivas, mas tenho de reconhecer que na apreciação que vou fazendo ao longo dos anos, nesta região, nestas zonas, estes meios têm um grau de eficácia mais reduzida do que noutra tipologia de terreno”, diz.

Duarte Caldeira lembra ainda que o “scooping”, a manobra de reabastecimento de água que deu origem ao acidente, é uma manobra “bastante exigente”.

O presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, está em completo desacordo. "Esses senhores especialistas não são especialistas do terreno, são especialistas do gabinete, da teoria, de conversa, às vezes de conversa fiada. O 'canadair' é o melhor avião do mundo para o combate aos incêndios florestais, seja na planície, seja na montanha, seja onde for", sustenta o presidente da Liga do Bombeiros. "Onde não for um ‘canadair’ não vai nenhum outro avião", acrescentou.

Por que razão estão Portugal e Espanha a combater o incêndio em conjunto?

O combate está a ser feito num regime de entreajuda entre os dois países, "com recurso a ferramentas manuais", já que é uma zona "de muito difícil acesso", avançou à Renascença o comandante Paulo Santos, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Do lado português, há nove meios aéreos no combate ao incêndio; Espanha também tem meios aéreos pesados, nomeadamente ‘Canadairs’, a ajudar no combate, em função das intensidades das frentes de fogo, explicou à Renascença Pedro Araújo, da ANEPC.

O incêndio está a ser combatido por mais de 100 operacionais, apoiados por 28 veículos e 10 meios aéreos portugueses e espanhóis.

O incêndio encontra-se dominado?

Não. No entanto, o flanco direito do incêndio, do lado português, já está dominado.

Este domingo, há três meios aéreos a compater, de novo, o incêndio do Parque Nacional da Peneda Gerês. As aeronaves enviadas por Portugal juntam-se outras enviadas por Espanha.

Esta manhã, os meios aéreos que iriam reforçar o combate não puderam ser utilizados durante várias horas, devido às condições meteorológicas.

"Não existem ainda meios aéreos, uma vez que não existem condições meteorológicas para a atuação desses meios. Quer no Gerês, devido à nebulosidade, que se mantém a baixa altitude, quer no local onde estão esses meios aéreos, nomeadamente no aeródromo de Ovar, onde o nevoeiro não permite que os meios aéreos façam a descolagem e também em Viseu, onde se encontram neblinas que não permitem a saída dos meios", explicou durante a manhã à Renascença Paulo Santos, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

"Não estão reunidas condições para operar os meios, o contacto com o IPMA está a ser feito em permanência e logo que existam condições, o teatro de operações terá o reforço necessário", garantiu o comandante.

150 operacionais, apoiados por 44 meios terrestres e dois meios aéreos estão envolvidos no combate às chamas.

Qual dos territórios está a ser mais afetado pelas chamas?

O lado espanhol é o mais afetado. Apenas 1/5 da área afetada se encontra em território português.

Até agora, 100 hectares de mato e floresta portugueses arderam.

Ao longo da fronteira entre Portugal e Espanha, bombeiros dos dois países procuram coordenar esforços. O terreno, particulamente acidentado, não permite a aproximação de veículos. Os bombeiros têm que se deslocar a pé, o que torna muito mais difícil o combate a este incêndio.

“Este incêndio desenvolve-se numa zona montanhosa, com mais de 800 metros de altura, inacessível a meios terrestres. Está a ser combatido com recurso a meios apeados, a homens com ferramentas e é um trabalho muito minucioso e demorado que se prolongou durante toda a noite. Houve um reforço de meios e todos os recursos estão a ser implementados para conseguir o domínio do incêndio”, adianta à Renascença o comandante Pedro Araújo, da ANEPC..

Questionado sobre se os meios existentes estão a conseguir dar resposta, o comandante afirma que o domínio deste incêndio “pode acontecer nas próximas horas. Tudo depende como conseguirmos colocar meios apeados no local, para complementar o trabalho dos meios aéreos”.

Houve atraso na operação de socorro ao incidente?

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) assegurou, este domingo, que o primeiro helicóptero mobilizado para o socorro chegou ao local cerca de uma hora depois do alerta.

“Recebemos às 11h25 o alerta para o acidente. Às 12h28, chegou ao local o primeiro helicóptero do INEM mobilizado para o acidente. Aterrou a 300 metros do acidente porque não foi possível aterrar mais perto. Às 12h43, a equipa do INEM, que fez o resto do percurso a pé, estava junto da vítima a prestar-lhe socorro”, disse à agência Lusa fonte oficial do INEM.

O Instituto rejeitou assim que tenha havido atrasos no socorro às duas vítimas do acidente.

Na sua edição deste domingo, o JN (Jornal de Notícias) noticia que, “à falta de uma aeronave adaptada ao socorro aéreo em zonas montanhosas, falha apontada à Proteção Civil há vários anos, o héli do INEM só chegou ao local às 14h28, quando a queda do avião se deu às 11h19, e ainda teve de pousar a 300 metros dos operacionais que estavam num terreno que já fica do lado espanhol do Gerês”.

O INEM esclareceu que, depois das 11h25, hora a que receberam o alerta para o acidente, acionaram uma ambulância e, pelas 11h27, uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).

Pelas 11h30, foi acionado o helicóptero do INEM de Macedo de Cavaleiros que acabaria por ser o primeiro dos meios do INEM a chegar ao local, às 12h28.

Foi ainda acionado outro helicóptero do INEM, de Viseu.

Qual dos países vai investigar o acidente?

Devido ao facto de o acidente ter acontecido em território de Espanha, fonte do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) explicou à agência Lusa que são as autoridades espanholas que têm a responsabilidade e a competência para desenvolver a investigação.

O Governo português já apresentou condolências à morte do piloto?

Em nota de pesar enviada às redações, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, lamenta a morte do piloto da aeronave. "Apresento as mais sentidas condolências à família do piloto Jorge Jardim, que hoje faleceu na sequência de um acidente com um avião de combate a incêndios".

O ministro refere-se ainda ao co-piloto da aeronave, que ficou ferido na sequência deste acidente, desejando-lhe "votos de plena recuperação".

"Neste momento trágico, dirijo uma palavra de solidariedade a todos aqueles que prestam um serviço inestimável ao país no combate aos incêndios. Os meus pensamentos estão com todos aqueles que, de forma empenhada e generosa, integram este esforço nacional", lê-se na nota.

No Twitter, o primeiro-ministro António Costa escreveu que "foi com profunda tristeza e consternação que tomei conhecimento da morte do piloto Jorge Jardim, na sequência de um acidente num incêndio no Gerês". "Envio os meus sentimentos à sua família, amigos e a todos os que integram o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais", acrescentou.

Noutra mensagem na mesma rede social, afirmou que "temos de reduzir cada vez mais o número de ignições para que o dispositivo atue de forma cada vez mais eficaz". "Isso depende muito do comportamento de cada um de nós".

[Notícia atualizada este domingo, às 16h30]

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  • Ivo Pestana
    09 ago, 2020 Funchal 15:51
    Quando devidamente provados, os incêndiários deviam também responder por estes mortos e acidentes, que são causados pelo combate a estas desgraças. Penso que 90% dos nossos incêndios, são criminosos. Bestas!