Tempo
|
A+ / A-

Prémio Jornalismo Renascença/SCML

“Se não incentivarmos o jornalismo jovem, o jornalismo não terá futuro”

18 jan, 2023 - 12:56 • Maria João Costa

Quatro jornalistas com menos de 35 anos foram distinguidos com a primeira edição do Prémio Jornalismo Jovem, atribuído pela Renascença e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. São trabalhos “simples, mas que provocam e inquietam”, referiu Pedro Leal, membro do júri.

A+ / A-
Conhecidos os vencedores do Prémio Jornalismo Jovem - Reportagem de Maria João Costa
Reportagem de Maria João Costa

“O jornalismo nunca foi tão ameaçado, mas talvez nunca tenha sido tão indispensável à vida das pessoas e das sociedades”, afirmou José Luís Ramos Pinheiro, administrador do Grupo Renascença Multimédia, na cerimónia de entrega do Prémio Jornalismo Jovem, esta quarta-feira, em Lisboa.

No auditório da Renascença, perante os jovens jornalistas premiados, Ramos Pinheiro apontou que, “se não incentivarmos o jornalismo jovem, o jornalismo não terá futuro”.

Destacando a necessidade de “um jornalismo mais forte, que ajuda a construir sociedades mais democráticas e livres”, o responsável da Renascença sublinhou que não se pode “aceitar acriticamente o que se está a passar. É necessário ter discernimento”, referindo que os trabalhos premiados são “excelentes exemplos”.

A distinção instituída pela Renascença e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) premiou quatro jovens jornalistas. São “um talento nacional emergente, com imensa qualidade que precisa deste empurrão”, sublinhou a diretora de comunicação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), Maria João Matos.

Maria João Matos falou da importância do “apoio ao talento jovem” e referiu que a Santa Casa tem esse “foco estratégico”.

“Através de prémios como este, alcançam um apoio para perseguirem o trabalho”, indicou a responsável da SCML, para quem este prémio “é um empurrar para a frente de jornalismo que pode ser de grande qualidade”.

Premiados: “É quase impossível ser jovem jornalista”

O diretor adjunto de informação da Renascença, Arsénio Reis, que conduziu a cerimónia de entrega dos prémios, destacou "a feliz parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa”.

Segundo Arsénio Reis, as “reportagens premiadas retratam situações que deveriam estar no centro das preocupações” e deu como exemplos, a desertificação e inverno demográfico que se vive em Portugal, a difícil relação dos jovens como a política o fenómeno das redes socias e o que está par alá do que vemos e a reintegração difícil dos jovens que passaram pela prisão”.

O primeiro prémio a ser entregue foi a Menção Honrosa para o jornalista da Renascença Tomás Anjinho Chagas com a reportagem “Prisão: uma mancha que não sai do currículo”.

O diretor geral da Renascença, Pedro Leal, apontou o jovem jornalista como “uma das coisas boas” das contratações da rádio e aproveitou o momento para se referir a todos os trabalhos premiados, distinguindo-os pela sua “simplicidade de pensamento que provoca”.

Sulinhando que se trata de reportagens que “inquietam”, Leal lembrou que o “jornalismo faz parte do processo democrático” e que estes trabalhos “não duram dois dias, provocam a democracia todos os dias”.

Com o prémio na mão, Tomás Anjinho Chagas começou por se apresentar como um jornalista que nasceu no tempo do jornalismo “rápido, digital, do despacha-te” e recordou o seu primeiro trabalho como repórter na “leitura do acórdão final de Tancos”, uma “coisa simples” referiu ironicamente. Perante 200 páginas de sentença, aprendeu com um dos editores da Renascença, o jornalista José Pedro Frazão a “escolher bem, e não rápido”. Embora se reveja como um “jovem habituado ao imediatismo”, concluiu: “Somos jornalistas, não somos pilotos de Fórmula 1."

O Prémio Renascença foi entregue por José Luís Ramos Pinheiro à jornalista Daniela Espírito Santo pelo trabalho“Nos bastidores do TikTok - O trabalho traumático dos moderadores”. Pinheiro sublinhou que este prémio é um apoio a uma causa “nobre”.

No palco, Daniela Espírito Santo agradeceu “às fontes corajosas e aos colegas” que a “aturaram durante seis meses” e referiu-se a si mesma como uma “menininha pobre de Campanhã que jamais sonhou ir para a faculdade, quanto mais ser jornalista numa grande casa como é a Renascença”.

Daniela Espírito Santo deixou um apelo no sentido de continuar a haver estes incentivos ao trabalho de jovens jornalistas.

A reportagem “Ponto de Interseção” emitida na Rádio Voz de Alenquer, de Cláudia Patrício Silva, venceu na categoria Rádio. A vencedora lembrou que “é impossível ser jovem em Portugal”, mas é ainda mais “impossível ser jovem jornalista”.

A repórter evocou a Rádio Voz de Alenquer como uma “escola”. “As rádios locais são importantes para a democracia, estamos mais próximos das pessoas”, apontou Cláudia.

"O jornalismo raramente é um trabalho individual"

Por fim, foi a jornalista Joana Ascensão a subir ao palco com os coautores da reportagem “Filhos Únicos da Terra”, os jornalistas José Cedovim Pinto e Rui Duarte Silva do semanário "Expresso". São vencedores não só do Prémio Multimédia, mas também do Grande Prémio Jornalismo Jovem.

Começando por afirmar que “o jornalismo raramente é um trabalho individual”, Ascensão referiu-se a todos os colaboradores da reportagem que aborda a questão da desertificação do país. “Focámos nos dois problemas demográficos - o abandono do interior e o inverno demográfico - na voz de três crianças que são as únicas que vivem numa aldeia”, contou, mostrando-se “feliz por estes problemas demográficos” poderem ser falados.

O Prémio Jornalismo Jovem foi lançado pela Renascença e pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa em maio de 2022. Teve como objetivo trazer à reflexão da sociedade as dificuldades e as perspetivas de futuro que se colocam às gerações mais novas. O concurso destinou-se a jornalistas com idades até aos 35 anos e a temática dos trabalhos deveria incidir sobre os problemas, desafios e oportunidades que os jovens enfrentam atualmente.

O júri foi composto em representação da Renascença por Pedro Leal, diretor-geral da Renascença, e Alexandre Guerra da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Fizeram também parte do júri, Fernando Zamith, professor auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade do Porto; Luís Santos, professor auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho e Ioli Campos, professora auxiliar da Universidade Católica Portuguesa.

Veja aqui alguns dos principais momentos da cerimónia registados em vídeo.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Manuel da Costa
    19 jan, 2023 Sydney 01:02
    PARABÉNS. O país precisa de profissionais honestos, competentes e não de oportunistas e corruptos.

Destaques V+