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Centenário de Saramago é um pretexto para “agradecer à cultura”

12 nov, 2021 - 16:17 • Maria João Costa

Ao longo de um ano, diversas iniciativas vão tornar Saramago “um motor de uma explosão cultural”, revela Pilar del Rio à Renascença.

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A reedição do livro “Viagem a Portugal”, com fotografias originais de José Saramago e agora lançada pela Porto Editora, é uma das iniciativas que marcam as comemorações do centenário do Prémio Nobel da Literatura português, que arrancam a 16 de novembro.

Ao longo de um ano serão organizadas diversas iniciativas para celebrar a escrita do autor de “Memorial do Convento”, entre elas a que vai mobilizar alunos de 100 escolas do ensino básico nacional, que irão ler no dia 16, ao mesmo tempo e à mesma hora, “A Maior Flor do Mundo” – o livro que Saramago escreveu para crianças.

Em entrevista ao programa Ensaio Geral da Renascença, Pilar del Rio, presidente da Fundação Saramago, refere que com estas comemorações pretendem que “José Saramago seja um motor de uma explosão cultural”.

A viúva do escritor aponta que “não é necessário que seja a partir de textos de José Saramago, mas utilizando esta festa para que seja feito teatro, concertos; que nas bibliotecas haja clubes de leitura, que as pessoas se reúnam, que passem séries na televisão”.

Pilar del Rio clarifica: “O que queremos é que seja uma festa da cultura, aproveitando o pretexto do centenário de José Saramago que tanto nos deu. Sobretudo nesta altura de pandemia, devemos agradecer à cultura como nos apoiou nos momentos de isolamento. Se não fora pelos livros, pela música, pelas sérias, as nossas vidas teriam sido mais desconfortáveis do que foram. Por isso, vamos aproveitar para agradecer à cultura e estimular que aconteça, em torno deste centenário, uma série de iniciativas que, insisto, agradeçam à cultura aquilo que ela nos deu”.

Ator da Porta dos Fundos protagoniza “Viagem a Portugal”

Uma das iniciativas programadas passa por uma série de televisão que será feito a partir do livro “Viagem a Portugal” – uma obra em que Saramago explica que viajar não é fazer turismo. A série será protagonizada pelo ator brasileiro Fábio Porchat, do coletivo humorístico Porta dos Fundos.

“Será um olhar de fora e de um universo muito diferente do de José Saramago, que era um homem sério, mas com grande sentido de humor”, explica Pilar del Rio.

Segundo a presidente da fundação, Fábio Porchat trará “um olhar irreverente”, por ser “alguém jovem e dinâmico que não conhecia este Portugal descrito” no livro de José Saramago.

“Elegância e modernidade” na nova edição

A obra agora reeditada foi revista e ampliada. “Viagem a Portugal” resultou de uma viagem que o escritor fez entre outubro de 1979 e julho de 1980, quando percorreu o país de lés a lés a convite do Círculo de Leitores, que comemorava então o seu 10.º aniversário.

A nova edição tem, segundo Pilar del Rio, “uma extraordinária elegância e modernidade”. No livro, “além da fotografia de Duarte Belo, que é um extraordinário fotógrafo e que ao fotografar plasma a poesia do texto e a poesia que ele via em sua casa, com o pai Rui Belo”, indica Pilar del Rio, tem também “fotografias do próprio José Saramago, anotadas com a sua letra”. A edição já chegou às livrarias.

O que diria Saramago sobre esta pandemia?

Questionada sobre o que poderia escrever Saramago sobre este último mais de ano e meio sobre a pandemia, Pilar del Rio lembra o livro “Ensaio sobre a Cegueira”.

“Ele já disse que somos cegos; que vendo, não vemos. Temos diante dos nossos olhos todas as advertências, como as alterações climáticas, e uma série de situações que são absurdas e que nos estão a dizer que podem provocar o caos. E nós somos cegos, que vendo, não vemos! Vamos enfrentar situações tremendas, foi o caso da pandemia”, conclui Pilar del Rio.

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