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Há "desfasamento entre testemunhos e provas" nos arquivos da Igreja

13 fev, 2023 - 12:55 • Olímpia Mairos

Investigadores que consultaram arquivos da Igreja defendem que é preciso mais tempo para estudar documentação.

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O coordenador da investigação histórica nos arquivos da Igreja, Francisco Azevedo Mendes, explica que há “um desfasamento entre os testemunhos das vítimas e as provas documentais”.

“Há claramente um desfasamento entre aquilo que são os testemunhos das vítimas e aquilo que são as provas documentais desses comportamentos, dessas situações de vitimação”, apontou, realçando que tal desfasamento tem a ver também com “questões da sociedade portuguesa, daquilo que é a inconstância ou a incapacidade, do ponto de vista social, de assumir a queixa como uma responsabilização coletiva e não apenas individual”.

“Esse traço e desfasamento tem de ser pensado pela Igreja e tem que ser pensado pela sociedade portuguesa”, defende.

Na sua intervenção, Francisco Azevedo Mendes assumiu que há, de facto, uma clivagem, um desfasamento grande entre a massa extraordinária dos testemunhos e aquilo que nós encontramos”.

“Mesmo encontrando pouco, o pouco que encontramos, é extraordinário do ponto de vista da sua capacitação, de entender estes fenómenos na longa duração”, assinalou.

Por sua vez, Rita Almeida Carvalho referiu que “a quantidade de documentação que recolhemos, as pistas de investigação que temos não estão cabalmente explanadas no relatório”.

“O nosso estudo carece de aprofundamento. Agora é que estamos prontos para começar”, apontou.

O investigador da Universidade do Minho, que coordenou a investigação histórica nos arquivos das dioceses portuguesas recordou os longos meses que foi necessário para entrar nos arquivos da Igreja, agradecendo os testemunhos que permitiram traçar linhas de investigação na consulta.

Reportando-se à realidade dos arquivos, explicou que encontraram dois sistemas: um que assenta nos processos individuais dos padres, dos clérigos, e um outro que aloja a informação de uma forma cronológica.

“Estes dois sistemas têm impacto naquilo que é o alinhamento da informação de teor disciplinar, judicial, no que diz respeito a estas questões”, destacou, realçando que o grupo de trabalho encontrou informação, traços documentais desde 1950 até aos dias de hoje.

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