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Debate Chega vs. IL

"Socialista" Ventura quer "enganar idosos", Rui Rocha "doidinho" para se coligar com PSD

06 fev, 2024 - 23:20 • Ricardo Vieira

André Ventura e Rui Rocha frente a frente na televisão. Sobre o pós-eleições legislativas, o presidente da Iniciativa Liberal desafiou o líder do Chega a esclarecer se viabilizaria um governo minoritário do PSD e da Iniciativa Liberal.

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O debate entre os líderes do Chega e da Iniciativa Liberal (IL), na SIC Notícias, ficou marcado por duras trocas de acusações sobre aumentos de pensões, imigração, TAP e soluções para viabilizar um futuro governo após as eleições legislativas de 10 de março. André Ventura e Rui Rocha acenaram com descida dos impostos.

Sobre o pós-10 de março, o presidente da IL desafiou André Ventura a esclarecer se viabilizaria um governo minoritário do PSD e da Iniciativa Liberal.

"A partir de 10 de março queremos transformar o país. Não sendo a IL a ganhar, queremos trazer o PSD para as necessárias transformações no país: na saúde, habitação, economia... Cabe ao Chega dizer se viabiliza uma solução transformadora ou deita abaixo, colocando o PS no Governo", questionou Rui Rocha.

André Ventura não respondeu diretamente e sublinhou que o Chega quer estar no Governo: "Um partido que está nas sondagens com 4% ou 5% não impõe linhas vermelhas aos outros. Sou líder há cinco anos e foram sempre a crescer. Eu sempre disse que ou havia acordo de Governo ou não haveria... A IL está doidinha para se meter na cama com o PSD ou com qualquer partido, sem exigências, de qualquer maneira".

Para Rui Rocha, fica evidente que André Ventura recusa viabilizar um governo minoritário PSD-Iniciativa Liberal: "Um voto no Chega é um voto no PS. André Ventura, se tiver oportunidade coloca o PS no poder".

"Privatizar e despedir" vs. "enganar idosos"

André Ventura defende um corte nos impostos entre 7 e 8 mil milhões de euros, para famílias e empresas. Rui Rocha promete um choque-fiscal entre 4 e 5 mil milhões. Ambos os líderes políticos acreditam que a medida será compensada pelos efeitos positivos na economia.

A privatização TAP foi o primeiro grande ponto de discórdia no debate desta noite.

O presidente do Chega considera que a TAP deve começar a devolver os três mil milhões que foram injetados pelos contribuintes, mas não é possível privatizar sem salvaguardar postos de trabalho e garantir que o "hub" passa de Lisboa para Madrid. André Ventura considera que a IL só conhece duas palavras: "privatizar e despedir".

O líder da IL acusa André Ventura de ser "semelhante ao PS" nestas matérias - "às vezes parece que estamos a falar com Pedro Nuno Santos" - e de ter votado, no Parlamento, contra a venda da companhia aérea.

"André Ventura que limitar margem de lucro das empresas, aumentar o salário mínimo nacional para mil euros, baixar combustíveis, a TAP nacionalizada, portanto socialista, aumentar pensões para o nível do salário mínimo com um custo de 7 a 8 mil milhões. Isso é socialista, porque é pôr em causa o futuro dos portugueses", diz Rui Rocha.

Sobre a proposta do Chega de aumentar o rendimento dos pensionistas para o salário mínimo, Rui Rocha acusa André Ventura: isto é enganar os idosos e isso não vale. Não vale tudo. Quer enganar os idosos porque isso é impossível de cumprir".

Para financiar as suas medidas, o presidente do Chega pretende conseguir fundos através do combate a corrução, que custa 20 mil milhões por ano, à economia paralela, que leva por ano 89 mil milhões e defende uma taxa sobre os lucros excessivos da banca.

André Ventura acusa a IL de insensibilidade social: "Não é socialista, é ter consciência do social do país que vivemos. Isto não é ser direita ou de esquerda, é perceber o país em que vivemos. O que a IL faz é estar desligada do país real. O Rui Rocha deixou claro que não quer aumento de pensões, mas não é só isso. Rui Rocha sabe o que é falta de compromisso social? É votar contra aumentos dos bombeiros e polícias”.

Imigração, Igreja e liberalismo

A imigração também foi outro tema quente no debate desta terça-feira na SIC Notícias.

Questionado se as restrições que defendem sobre a entrada de migrantes em Portugal não colide com a posição da Igreja, o católico André Ventura respondeu que "temos que acolher bem, mas não podemos estar de portas completamente abertas e depois vagas de pessoas entram sem controlo, até terroristas".

O líder do Chega contesta os vistos sem restrições para pessoas da CPLP e defende o controlo da imigração. "Para eles estarem a viver em tendas no Parque das Nações, não vale a pena entrarem", declarou.

O liberal Rui Rocha também não encontra contradições entre a sua ideologia e uma política de maior controlo da imigração.

Rui Rocha reconhece que os trabalhadores estrangeiros são fundamentais para vários setores da economia, mas defende que os imigrantes devem entrar em Portugal com contrato de trabalho e prova de meios, para não caírem nas redes de tráfico humano.

André Ventura defende a deportação de estrangeiros que cometam crimes em Portugal e diz que a IL votou contra a medida. Rui Rocha defende que nesses casos é preciso cumprir a lei e deportar nos casos previstos na legislação.

"São frouxos na imigração", retorquiu o líder do Chega.

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