Tempo
|
A+ / A-

Da pressão zero no SNS à chegada de uma nova variante. Conheça os três cenários da DGS para os próximos meses

22 out, 2021 - 23:30 • Lusa com redação

A DGS divulgou, esta sexta-feira, o referencial para o outono e inverno e alerta para o facto de a população poder estar mais suscetível a outros vírus respiratórios, atendendo à baixa exposição aos mesmos durante o período sazonal homólogo.

A+ / A-

A estratégia da autoridade de saúde para responder à covid-19 no outono e inverno assenta em três cenários de evolução da pandemia, e tem o objetivo principal de minimizar os casos de doença grave e de mortalidade pela doença.

Com esta estratégia, pretende-se “garantir uma resposta eficiente e coordenada, ajustada à situação epidemiológica da infeção por SARS-CoV-2 e aos desafios adicionais do período outono/inverno, reduzindo o impacto na morbimortalidade na população em geral e nos grupos de risco”, avança o referencial divulgado, esta sexta-feira, pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Estas linhas orientadoras dirigidas às entidades do Ministério da Saúde surgem da necessidade de planear uma “resposta eficiente e equitativa às necessidades de saúde” da população durante este período do ano, em particular no que diz respeito à covid-19.

Como objetivos secundários, o referencial pretende antecipar a atividade epidémica, assegurar da vacinação contra a covid-19 e a gripe sazonal, controlar a transmissão da infeção com foco nas populações vulneráveis e nos serviços de saúde, assegurar a sustentabilidade e qualidade da resposta dos serviços de saúde às pessoas com covid-19 e com outras patologias, entre outros.

Para isso, foram identificados fatores que podem influenciar a saúde dos cidadãos e levar a um aumento da procura dos serviços de saúde, como uma maior mobilidade da população e manutenção da adesão à vacinação, o possível aumento da incidência de doenças outras respiratórias como a gripe, a influência do frio, os comportamentos individuais e coletivos e o desenvolvimento de tratamentos para a covid-19.

O referencial para o outono e inverno deixa ainda alguns alertas: o facto de a população poder estar mais suscetível a outros vírus respiratórios, atendendo à baixa exposição aos mesmos durante o período sazonal homólogo, e a fadiga pandémica, que resulte numa menor adesão às medidas preventivas impostas nos últimos 18 meses.

“Além disto, a exposição dos profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados à exposição ao SARS-CoV-2 e a outros vírus respiratórios sazonais poderá acentuar a sua indisponibilidade por doença”, admite o documento da DGS.

Cenário 1

O cenário um previsto pela DGS assume que não existem alterações na eficácia da vacina contra a covid-19, nem o aparecimento de uma nova variante de preocupação nos próximos meses. Nesta situação, Portugal deverá registar uma incidência do vírus moderada, com reduzida mortalidade e ocupação de cuidados intensivos, sem pressão adicional sobre o sistema de saúde.

Quantas são? Onde estão? E que variantes da Covid-19 circulam em Portugal?
Quantas são? Onde estão? E que variantes da Covid-19 circulam em Portugal?

Cenário 2

O cenário intermédio já prevê uma redução lenta da eficácia das vacinas, por diminuição da imunidade com o tempo, mas ainda sem o aparecimento de uma nova variante do vírus considerada de preocupação.

Nesse cenário dois a incidência do SARS-CoV-2 será elevada, resultando numa ocupação moderada a elevada das unidades de cuidados intensivos e uma pressão ligeira a moderada no sistema de saúde.

De acordo com os pressupostos e estimativas calculadas pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), o limiar definido ao nível dos cuidados intensivos é ultrapassado na segunda quinzena de janeiro.

Cenário 3

Já no cenário considerado mais preocupante, o três, está previsto o surgimento de uma nova variante com características que permitem a evasão do SARS-CoV-2 ao sistema imunitário, provocando uma redução rápida da eficácia da vacina, e um aumento da transmissibilidade do vírus e da gravidade da doença.

Neste caso, a incidência do SARS-CoV-2 será muito elevada, assim como a ocupação das unidades de cuidados intensivos dos hospitais portugueses, prevendo o INSA que o limiar seja ultrapassado mais cedo, na primeira quinzena de janeiro.

Este cenário aponta ainda para uma mortalidade devido à covid-19 muito elevada e, de acordo com os cálculos do INSA, o limiar definido pode ser ultrapassado na segunda quinzena de dezembro.

Os pressupostos dos três cenários são o aumento da mobilidade da população, com a abertura das escolas e as festividades do Natal e final do ano, a cobertura vacinal crescente (cerca de 85% da população) e a eficácia vacinal de 70% para infeção e 95% para hospitalização.

“Adicionalmente ao exposto nos três cenários anteriores, a ocorrência de períodos de temperaturas baixas e atividade epidémica intensa de outros vírus respiratórios - por exemplo, do vírus da gripe sazonal e o vírus sincicial respiratório -, podem condicionar o aumento da procura e pressão sobre o sistema de saúde, mesmo no cenário 1”, refere o referencial.

No que diz respeito às medidas não farmacológicas de prevenção e controlo - utilização de máscaras, distanciamento físico, etiqueta respiratória, desinfeção mãos e arejamento e ventilação dos espaços interiores -, o documento adianta que a sua adoção deve ser “adequada à situação epidemiológica e ao nível de resposta correspondente, sendo progressivamente mais importantes quanto mais desfavorável for a situação epidemiológica”.

Ao nível do Serviço Nacional de Saúde, o referencial para o outono e inverno preconiza que, para os três cenários previstos, “devem ser assegurados recursos humanos devidamente formados e recursos materiais em número suficiente”.

Além disso, a “força de trabalho deve ser flexível e estar rapidamente disponível, caso seja necessário”, aponta a DGS.

No caso dos cenários um e dois, “poderá ser benéfica a realocação de recursos para áreas não-covid, pela simplificação da gestão de contactos, tendo em consideração a cobertura vacinal”, enquanto, para o cenário três, os recursos deverão ser direcionados para responder às necessidades relacionadas com a covid-19, no sentido de conter rapidamente a transmissão da infeção.

Relativamente à vacinação contra a covid-19, no outono e inverno, a “primeira prioridade" continua a ser atingir a vacinação completa de todas as pessoas com 12 ou mais anos.

A DGS adianta, ainda, que foram auscultadas as Ordens Profissionais da área da Saúde (Biólogos, Enfermeiros, Farmacêuticos, Médicos, Médicos Dentistas, Médicos Veterinários, Nutricionistas e Psicólogos), assim como o Conselho Nacional de Saúde Pública.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.125 pessoas e foram contabilizados 1.083.651 casos de infeção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+