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​Isabel II. O “annus horribilis” de 1992

08 set, 2022 - 23:10 • Filipe d'Avillez

A separação de três dos seus filhos, vários escândalos familiares e um incêndio devastador numa das suas residências oficiais selaram um ano para esquecer para a Rainha Isabel II.

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Numa vida que durou 96 anos, não foram poucos os tempos difíceis que Isabel II teve de ultrapassar ao longo das sete décadas de reinado.

Tinha pouco mais de 13 anos quando começou a II Guerra Mundial e 26 quando o seu pai morreu, lançando-a para o centro da vida social e política. Em 1979 o seu parente e amigo próximo Lorde Mountbatten foi assassinado pelo Exército Republicano Irlandês e três anos mais tarde as suas forças armadas travaram, e venceram, a Guerra das Malvinas.

Mas foi preciso esperar até 1992 para viver um ano tão singularmente recheado de notícias más que ficou conhecido como o “Ano horrível”, ou “annus horribilis”, como a própria o descreveu num discurso que marcou os seus 40 anos no trono.

“1992 não é um ano que recordarei com inteiro prazer. Usando as palavras de um dos meus correspondentes mais simpáticos, acabou por ser um ‘annus horibilis’”, afirmou nessa ocasião a Rainha, então com 66 anos de idade.

O primeiro evento negativo que marcou o seu reinado nesse ano foi a separação do seu filho André e de Sarah Ferguson, a 19 de março, mas nem um mês se tinha passado quando outra onda de choque atingiu Buckingham: Anne, a segunda de quatro filhos e a única rapariga, divorciou-se do capitão Mark Phillips.

O falhanço de dois dos casamentos reais, para além de uma notícia triste ao nível familiar, levantou sérias questões sobre o modelo de parentalidade na Família Real e o exemplo dado por Isabel e Filipe enquanto pais num sistema social extraordinariamente exigente ao nível emocional e psicológico.

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Por esta altura era já um segredo mal guardado que o próprio herdeiro do Trono, Carlos, estava a atravessar dificuldades no seu casamento com Diana, Princesa de Gales. O que parecia ter sido um enlace de sonho nove anos antes, descrito mesmo como “o casamento do século” e visto em direto por cerca de 750 milhões de pessoas, afinal era um pesadelo para os envolvidos.

Em junho foi publicado um livro de memórias de Diana em que esta fazia revelações devastadoras sobre a Família Real e, mais especificamente, o seu marido. Carlos, dizia, tinha mantido uma relação extraconjugal com a sua antiga namorada Camila Parker Bowles. Diana, contudo, também ficou mal no retrato quando em agosto foram divulgadas gravações de conversas privadas entre si e o seu amante, James Gilbey.

O discurso da Rainha foi feito em novembro de 1992, antes da separação oficial de Diana e de Carlos, mas essa foi apenas a consequência lógica de uma situação que já se desenrolava há meses e que certamente já pesava na cabeça sobre a qual repousava a Coroa.

Por fim, no dia 20 de novembro, registou-se um terrível incêndio que causou enormes estragos no Castelo de Windsor, uma das residências oficiais da Rainha, à qual tinha uma grande ligação. Aquele que era o maior castelo habitado do mundo, na altura, custou mais de 36 milhões de libras a restaurar. O público e a classe política, na altura a questionar os benefícios de sustentar a Família Real por causa dos sucessivos escândalos, não quiseram simplesmente pagar a fatura e Isabel II acabou por ter de aceitar alterações ao seu sistema fiscal, pagando IRS, e abrir a sua primeira residência, o Palácio de Buckingham, ao turismo.

O “annus horribilis” foi um dos primeiros grandes testes à resistência da Família Real britânica e à própria instituição da monarquia. Desde então talvez a única crise comparável tenha sido a morte, em setembro de 1997, de Diana, num acidente de viação em Paris.

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