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EUA - China

“Oposição à China é um dos pontos em que Biden e Trump convergem”

28 mai, 2021 - 18:10 • Pedro Mesquita , Filipe d'Avillez

Germano Almeida analisa a recente tomada de posição do Presidente americano em relação à China e a eventual origem da Covid-19. Estamos perante uma Guerra Fria, versão Século XXI, diz.

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A Organização Mundial da Saúde afasta uma origem laboratorial do novo coronavírus, pelo menos com base nos dados que conseguiu apurar na missão de especialistas que enviou a Wuhan.

Mas – tal como o seu antecessor Trump – Joe Biden não está convencido.

É por isso que o presidente dos EUA pede um relatório completo, no prazo de três meses, aos seus serviços secretos. Biden pede, também, à comunidade internacional que pressione a China a aceitar uma investigação internacional completa.

O analista de política americana, Germano Almeida, diz que este facto tem de ser lido sob dois pontos de vista. “É verdade que esse relatório da OMS não tinha concluído por outra via que não fosse uma origem natural, mas também é verdade que nessa altura os próprios inspetores deixaram algumas dúvidas em relação ao acesso que os chineses lhes tinham dado, e há um dado novo que leva a isto, que é algo que o ‘Wall Street Journal’ publicou, um relatório, supostamente ainda não concluído, dos serviços de informação norte-americanos, que aponta para que em novembro passado, num laboratório de Wuhan, terem havido vários investigadores chineses que foram para o hospital, isto ainda antes de oficialmente a China ter tido conhecimento sobre o caso.”

“Portanto há dúvidas se não terá havido em novembro uma fuga no laboratório de Wuhan”, esclarece.

“Perante isso, segundo o ‘New York Times’, os próprios elementos dos serviços de informação pediram mais tempo ao Presidente para chegar a mais conclusões e o Presidente dá 90 dias para apresentarem um relatório mais completo, para depois apresentarem também algo ao congresso”, acrescenta.

Segundo Germano Almeida há ainda uma leitura política de toda esta situação, que mostra um dos poucos pontos de convergência entre Biden e Trump.

“Se há alguma continuidade entre dois presidentes tão diferentes como Trump e Biden, é essa. Ou seja, é a contenção da China, a oposição à China. A retórica é diferente, porque Trump falava em ‘Vírus Chinês’, mas em tudo o resto não é diferente, porque Biden e a sua administração vêm a China como uma ameaça e vê a China com muitas reservas.”

A administração de Biden procura assim juntar esta questão a uma já longa lista de queixas contra o regime chinês. “Acima de tudo quer saber se há motivo para se associar a outro tipo de questões que já coloca em relação à China, em relação aos direitos humanos dos uigures em Xinjiang, violação das regras da OMC e também associar eventuais dúvidas em relação à pandemia. É relevante para o Presidente Biden, na sua estratégia de contenção da China e de oposição à China, ter dados sobre isto.”

“É preciso também dizer que já teve resposta dos chineses, ou seja, os chineses responderam que também querem investigar para ver se não houve uma fuga laboratorial dos americanos”, diz ainda Germano Almeida, concluindo que “Estamos perante uma espécie de Guerra Fria, versão Século XXI, não entre EUA e União Soviética, mas entre os EUA e a China.”

Comentários
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  • Anónimo
    02 jun, 2021 Lisboa 11:04
    A decadência do império não podia ser mais evidente, e isso ficou provado com a tentativa de golpe de estado realizada pela escumalha que apoiava Trump. A China ganhou e não precisou de invadir ninguém. Também não precisou de criar nenhum vírus, teve foi a sorte de saber gerir pandemias, ao contrário do império.

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