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Theresa May sobrevive a moção de censura

12 dez, 2018 - 21:00

Um total de 200 deputados votaram contra a proposta para afastar a primeira-ministra britânica da liderança do Partido Conservador.

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A moção de censura contra a primeira-ministra britânica, Theresa May, foi rejeitada esta quarta-feira pela maioria dos deputados do Partido Conservador.

Um total de 200 deputados votaram contra a proposta para afastar o Governo de Theresa May e 117 favor.

A primeira-ministra precisava de 159 votos para sobreviver à moção de censura apresentada para a afastar da liderança do Partido Conservador e do Reino Unido.

Nos próximos 12 meses não poderá ser apresentada outra moção de censura.

Theresa May vai continuar aos comandos no Reino Unido, numa altura em que o acordo para o Brexit acertado com a União Europeia ainda tem que ser aprovado pelos deputados britânicos.

O documento devia ser apreciado esta semana no Parlamento de Londres, mas a primeira-ministra adiou a votação perante o fantasma de um chumbo.

May sobrevive à moção de censura, mas garantiu esta quarta-feira que não se vai recandidatar às eleições de 2022. Poderá mesmo sair antes do final do mandato.

May, que no referendo de 2016 defendeu a permanência na UE, avisou os seus críticos que, se a demitissem, o Brexit seria adiado ou travado.

A saída do Reino Unido da União Europeia está marcada para 29 de março de 2019.

May promete ouvir quem votou contra ela

Após a rejeição da moção de censura, Theresa May agradeceu a confiança na sua liderança e prometeu ouvir quem votou contra ela.

"Depois deste voto, temos que prosseguir o trabalho de concluir o Brexit e construir um futuro melhor para o nosso país", declarou, à porta da residência oficial de Downing Street.

A primeira-ministra fez um apelo à união, a começar pelo Parlamento, e garantiu que na cimeira extraordinária desta quinta-feira, em Bruxelas, vai tentar obter "garantias legais e políticas para responder às preocupações dos deputados" sobre a questão da fronteira entre as Irlandas.

"Esta é a nossa missão renovada: concluir o processo do Brexit no qual as pessoas votaram, unindo o nosso país outra vez e construindo um país para todos", concluiu May.

Corbyn diz que vitória "não muda nada"

O líder da oposição britânica defendeu que a vitória da primeira-ministra na moção de censura do Partido Conservador "não muda nada".

“Agora, ela terá na mesma de submeter o seu acordo atamancado à aprovação do parlamento na próxima semana”, escreveu o trabalhista Jeremy Corbyn na rede social Twitter.

“Theresa May perdeu a maioria no parlamento, o seu Governo está um caos e ela não consegue apresentar um acordo de ‘Brexit’ que funcione para o país e ponha o emprego e a economia em primeiro lugar”, sustentou o líder da oposição.

May tem agora o desafio de conseguir aprovar o documento, cujo voto previsto para terça-feira foi adiado na véspera perante a perspetiva de rejeição e com a promessa de conseguir dos líderes europeus "garantias adicionais" sobre a condição provisória da solução ‘backstop' para a fronteira da Irlanda do Norte.

Na análise de Lívia Franco, especialista em relações internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, após esta votação Theresa May ganha alguma autonomia e legitimidade como interlocutora do Brexit.

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