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Venezuela. Opositor de Maduro morre na sede da polícia

09 out, 2018 - 07:36

É mais um caso que está a incendiar as ruas. As autoridades dizem que se tratou de suicídio, mas os manifestantes não acreditam.

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Opositor de Maduro morre na sede da polícia e gera protestos na Venezuela
Opositor de Maduro morre na sede da polícia e gera protestos na Venezuela

Um político da oposição venezuelana morreu na sede da polícia secreta e os protestos não se fizeram esperar, com centenas de pessoas na rua, na última noite. Os manifestantes acusam o regime de ter assassinado Fernando Alban, autarca da oposição num município da região de Caracas.

As autoridades alegam que se tratou de suicídio, afirmando que Alban pediu para ir à casa de banho e saltou pela janela do décimo andar do prédio.

Fernando Alban estava detido desde 5 de outubro, acusado de envolvimento no alegado atentado de agosto contra o presidente Nicolás Maduro.

As reacções estão a ser de indignação e são muitos os que não acreditam na tese de suicídio. "É impossível que uma pessoa de profunda convicção católica se tenha suicidado. Todos os que falaram com ele viram-no sólido, forte e com convicções", diz o dirigente da oposição venezuelana.

Júlio Borges garante que Alban estava a ser pressionado "para que incriminasse uma séria de gente", a propósito da tentativa de atentado contra Maduro.

"Hoje vemos o resultado disso", diz. "Nós estamos golpeados e doridos e, ao mesmo tempo, convictos de que o que aconteceu com o Fernando tem de nos dar força para continuar a lutar. A Venezuela não pode ser um pais de torturadores, de violência, de morte e de violações dos direitos humanos. Tem de ser um pais livre, democrático, de progresso, e não a miséria em que Nicolás Maduro e a sua gente a tornou".

Também o Cardeal Jorge Urosa Savino já veio exigir uma investigação à morte do autarca da oposição. O cardeal considera que é "uma morte estranha, inexplicável e inesperada, de um homem pacífico, sereno".

"Eu deploro esta morte e, como todos os venezuelanos, exijo que se investiguem todas as circunstâncias que a rodearam", afirma.

Secretário de Estado visita país

Tudo isto numa altura em que o secretário de Estado das Comunidades português está de visita à Venezuela para reforçar o apoio à comunidade portuguesa, que está a sofrer as consequências da situação económica e política.

A insegurança é uma das maiores preocupações no país. José Luís Carneiro já esteve com a família do engenheiro luso-venezuelano que foi assassinado na segunda-feira.

O secretário de Estado confirma que os portugueses donos de supermercados, alguns dos quais estiveram recentemente detidos, vão encontrar-se esta terça-feira com elementos do Governo de Caracas.

Em declarações à Renascença a partir de Caracas, José Luís Carneiro garantiu ainda que Portugal continua de braços abertos para receber os portugueses e lusodescendentes que queiram regressar. Para esse efeito, foi criado um portal na internet com 18 mil oportunidades de emprego. Além disso, vai ser reforçado o envio de apoio para os migrantes na Venezuela, nomeadamente ao nível de medicamentos e tratamentos médicos.

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  • Fernando Casimiro
    09 out, 2018 23:29
    O Fernando Alban não se suicidou, suicidaram-no !... O Maduro, que não cai (porque tem os militares a apoiarem-no, provavelmente com chorudos ordenados, e, portanto, serão tão responsáveis como ele) "de maduro", porque de maduro só tem o nome, levou a Venezuela ao estado deplorável em que se encontra, com tendência para piorar, quando poderia ser um dos países mais prósperos da América do Sul.
  • João Lopes
    09 out, 2018 Viseu 11:17
    Aguardamos comunicados de repúdio do Partido Comunista Português, do Bloco de Esquerda e do PS. E esperamos ver as manifestações de todos os marxistas portugueses, repudiando as atitudes e ações do regime comunista venezuelano, que tomou conta do País e acorrentou a liberdade mas não a fome!
  • João Lopes
    09 out, 2018 Viseu 10:45
    Aguardamos um comentário a esta notícia dos comunistas do Bloco de Esquerda e do PCP!
  • FERNANDO MACHADO
    09 out, 2018 PORTO 10:31
    COMO O ASSUNTO BRASIL ESTÁ EM SUSPENSO ATÉ AO DIA 28, A IMPRENSA VIRA-E PARA O MADURO...
  • Sa
    09 out, 2018 As 10:13
    Na ex URSS também se suicidavam muitos que não batiam palmas com vigor suficiente durante os comícios. Ainda hoje às votações dentro do PS são de braço no ar. Tiques "democratas"...