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“Equipas são um instrumento precioso para redescobrir a alegria do casamento”

20 jul, 2018 - 17:25 • Filipe d'Avillez

O cardeal D. Sérgio Rocha, do Brasil, está em Fátima para o Encontro Internacional das Equipas de Nossa Senhora. O movimento tem um papel a desempenhar no acolhimento aos casais em situação irregular, diz.

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Quando, em 1938, o padre francês Henri Caffarel fundou as Equipas de Nossa Senhora (ENS), um movimento que promove a espiritualidade e a santificação do casal, estava a levar a cabo um gesto profético.

Quem o diz é o presidente da Conferência Episcopal do Brasil, D. Sérgio Rocha, que está em Portugal precisamente para participar no 12.º Encontro Internacional do movimento, que decorre em Fátima até sábado.

“Sem dúvida que Deus vai despertando na história pessoas com carismas que atendem às necessidades que vão surgindo. Em todos os tempos o matrimónio e a família, sempre mereceram uma atenção especial. Mas sobretudo no nosso tempo existe – e já no tempo do padre Caffarel havia – a necessidade de uma atenção maior aos casais, às famílias, e ele deixou à Igreja esse dom precioso que são as ENS, que são uma resposta valiosa a essa necessidade que temos, não só de evangelizar as famílias, os casais, mas acima de tudo de valorizar a vida de cada casal, de cada família”, diz o cardeal, que é também arcebispo de Brasília.

“O próprio Papa Francisco tem-nos motivado a redescobrir a alegria do amor matrimonial e do amor na família, porque também há um risco muito grande de reduzir a vida dos casais e das famílias às dificuldades que existem. Então queremos, sim, valorizar acima de tudo como dom de Deus, como um bem, isto é, uma família, um casal, o matrimónio como tal, não é problema, é uma graça, um dom. O problema é quando esse dom não é devidamente acolhido, quando não correspondemos à graça que recebemos. As ENS com certeza são hoje um instrumento precioso para ajudar as famílias a redescobrir a alegria de ser um casal que procura viver a vida cristã, que procura viver o seu matrimónio, uma família que procura viver de modo cristão”, diz.

Cada equipa de base é composta por cerca de seis casais e um assistente espiritual, normalmente um padre. Reúne uma vez por mês para rezar, partilhar e discutir um tema. Há equipas em dezenas de países, e por estes dias, em Fátima, facilmente se identificam participantes de países tão distantes como o Gabão, o Líbano, a Lituânia ou o Ecuador, para além de muitos de países lusófonos, incluindo o Brasil, atualmente o país com mais membros.

O movimento apenas aceita casais em situação regular, e embora exista um outro movimento parecido, as Equipas de Santa Isabel, para casais em situação irregular, aos olhos da Igreja, o cardeal brasileiro acredita que sobretudo agora, quando o Papa Francisco dá sinais de querer integrar mais na vida da Igreja os chamados “recasados”, os membros das Equipas de Nossa Senhora também têm um papel a desempenhar neste sentido.

“Sem dúvida que hoje, sem deixar de dar a devida atenção e o devido valor ao matrimónio como a Igreja propõe, é preciso que a Igreja no seu conjunto, e as ENS dentro da Igreja, possam ir ao encontro dessas pessoas, desses casais, dessas famílias que muitas vezes estão feridas, sofridas, com tantas situações difíceis. Não significa renunciar ao ideal de matrimónio cristão, o ideal de uma família cristã, mas não se pode não dar a devida atenção àqueles que, pelas razões mais diversas, não conseguiram vivenciar esse ideal”, diz.

O Encontro Internacional das Equipas de Nossa Senhora começou na segunda-feira e termina no sábado, com a presença de D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa. Durante a semana outros oradores incluíram o cardeal Peter Turkson e o padre Tolentino Mendonça. O Papa Francisco enviou uma mensagem, que foi lida no início do encontro.

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