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Fátima acolhe encontro internacional de casais “mais participado de sempre”

17 jul, 2018 - 13:46 • Ângela Roque

Até 21 de julho são esperados no Santuário mais de 4 mil casais de 92 países. Entre os oradores estarão os cardeais Peter Turkson, do Gana, Ricardo Blazquez, de Espanha, D. Manuel Clemente e o arcebispo emérito de Mossul, Georges Casmoussa.
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O Santuário de Fátima está desde esta segunda-feira a acolher mais um Encontro Internacional do movimento das Equipas de Nossa Senhora (ENS). A iniciativa realiza-se de seis em seis anos, mas desta vez tem um número recorde de inscrições.

“São esperados 8.320 participantes, entre casais, viúvos e conselheiros espirituais, é claramente o encontro mais participado de sempre, e o mais internacional, estamos a falar de 92 países”, diz à Renascença Gonçalo Castilho dos Santos, que juntamente com a mulher, Marta, integra a equipa de comunicação e relações públicas do evento.

Para o casal, a elevada participação no encontro prova a vitalidade deste movimento de espiritualidade conjugal, que nasceu em França há 71 anos. “Neste momento somos já 150 mil equipistas à escala mundial”, revela Gonçalo. Em Portugal, onde chegou em 1955, existem atualmente 876 Equipas, mais de 4.400 casais e 649 conselheiros espirituais.”

A Europa continua a ser das regiões onde as ENS têm mais expressão, mas há um claro crescimento noutros locais. “Há uma grande dinâmica por exemplo na América Latina, em particular no Brasil, de onde vem uma grande delegação a este encontro. Mas em África também, na Índia há pouco tempo houve um crescimento, e mesmo em sítios mais improváveis, como a Coreia do Sul, a zona do Golfo Pérsico ou a Oceânia, têm surgido equipas”, explica ainda este responsável, para quem estes dados também mostram que “o matrimónio é um projeto que faz sentido para milhares e milhares de casais por esse mundo fora”.

Marta considera que tem grande relevância o encontro realizar-se em Portugal. “É muito importante, para o movimento, para as Equipas e para Portugal. O Santuário de Fátima é um local por excelência dedicado a Nossa Senhora, e vai ser um momento espiritual muito alto para as Equipas”, diz.

Entre os participantes estarão também portugueses, muitos em voluntariado e em serviço. “Estamos a mobilizar várias centenas de equipistas, alguns não podem estar no encontro, mas vão fazer o acolhimento no aeroporto de Lisboa, ou recebê-las em casa uma ou duas noites, na transição de logística dos transportes, outros voluntariaram-se para mostrar o nosso país a quem vem, e vão fazer uns raides turísticos improvisados. Há uma grande mobilização e um espírito de generosidade e hospitalidade, e isso deixa-nos muito felizes”, afirma Gonçalo Castilho dos Santos.

Com o tema geral “Reconciliação, sinal de amor”, inspirado na parábola do filho pródigo, este Encontro Internacional de seis dias tem um programa vasto. Contempla vários momentos de oração (as meditações diárias serão conduzidas por D. José Tolentino Mendonça, recém-nomeado arcebispo pelo Papa, e as eucaristias celebradas, a cada dia, por um responsável de um país diferente), e diversos momentos formativos e conferências. Um dos dias será dedicado ao “aprofundamento do pensamento do padre Caffarel”, fundador das ENS, “com testemunhos de pessoas que trabalharam de perto ou muito próximo dele”. Noutro, a irmã Ângela Coelho, vice-postuladora da causa de canonização da irmã Lúcia, falará sobre os desafios de Fátima, 100 anos depois das aparições.

Entre os oradores previstos estão, ainda, o cardeal Peter Turkson, responsável do Vaticano para a área do desenvolvimento humano integral, o cardeal Ricardo Blásques Perez, arcebispo de Valladolid, o arcebispo emérito de Mossul, Georges Casmoussa, o cardeal Sérgio Rocha, arcebispo de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e o cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, entre outros. “São pessoas marcantes na própria dinâmica da Igreja, algumas ligadas à Santa Sé e conhecedoras de problemas atuais, como as migrações, e isso também faz com que haja grande entusiasmo à volta do encontro”, sublinha o responsável pela comunicação do evento.

Uma das novidades na edição deste ano é a inclusão do musical “A Caminho”, com sessões diárias para os participantes. A partir das vidas de duas pessoas que se cruzam numa peregrinação, o espetáculo desafia o público a refletir sobre como a Mensagem de Fátima pode entrar na vida de cada um. O musical da “Produções Boa Nova”, da paróquia do Estoril, estreou em Outubro de 2017, e é agora propositadamente reposto neste Encontro Internacional das Equipas de Nossa Senhora.

Tem sido uma bênção para o nosso casamento”

Gonçalo e Marta Castilho dos Santos têm 43 anos e são pais de três filhos. Ambos licenciados em direito, fazem parte das ENS desde que casaram, há 17 anos. “Entrámos logo para as Equipas. Já éramos catequistas antes, e estávamos envolvidos na pastoral da paróquia de Queijas, onde residimos, mas surgiu esta oportunidade de fazermos caminho a dois também dentro da Igreja”, lembra Marta, para quem “depois de casados faz todo o sentido termos uma espiritualidade conjugal, em que partilhamos coisas e rezamos juntos. Tem sido uma bênção para o nosso casamento”, diz.

Mas, no concreto como é que pertencer às Equipas ajuda os casais? Gonçalo conta que tem sido muito importante rezar em conjunto. “Uma oração acaba por ser um momento de agradecimento, até de certo planeamento, sobretudo de diálogo, e como é feito em casal acaba por ser muito enriquecedor. Em certos momentos mais difíceis da nossa vida, como todas as famílias têm, esse momento de oração conjugal foi muito importante”.


As Equipas de Nossa Senhora são um movimento de pastoral familiar que nasceu em França em 1947, pela mão do padre Henri Caffarel, para ajudar os casais a viverem o sacramento do matrimónio, dando testemunho dos valores do casamento cristão. “A proposta é que aprofundemos um conjunto de objetivos, de oração conjugal, e de partilha e entreajuda”, explica Gonçalo.

Os casais são convidados a viver a sua espiritualidade conjugal num ritmo diário (oração pessoal e em casal), semanal (através da missa dominical), mensal (reúnem-se em Equipas, compostas por cinco a sete casais e um conselheiro espiritual, uma vez por mês) e anual (em retiro). “Pomos em comum os nossos problemas do dia-a-dia, fazemos a partilha dos pontos concretos de esforço, dizemos como foi o nosso mês em termos espirituais”, conta Marta, sublinhando como isto é importante para toda a família. “Também há uma parte lúdica, em que os miúdos também estão juntos. Fazemos geralmente uma refeição, que pode ser um almoço, um jantar ou um lanche, pode ser partilhado ou ser a pessoa que recebe a providenciar essa refeição”.

Ao longo dos anos a Equipa às vezes muda. “Há casais que entram, outros que saem, por razões diversas, mas são casais que nos acompanham ao longo dos anos”, diz Marta. “No fundo é uma família alargada, uma relação de amizade e de partilha muito forte”, acrescenta Gonçalo.

Uma caminhada em conjunto que procuram sempre que inspire outros casais, sejam ou não do movimento, como de resto lhes tem pedido o Papa Francisco. “Ainda há cerca de dois anos dirigiu uma mensagem às Equipas no mundo inteiro, lançando desafios precisamente em torno da envolvente da família, da conciliação da vida profissional com a vida familiar, a questão da educação dos filhos, a própria espiritualidade conjugal, as dinâmicas multifacetadas que acontecem relativamente às várias formas dos casais fazerem o seu caminho”, explica Gonçalo, que acredita que o movimento irá aproveitar este Encontro Internacional para “aprofundar algumas pistas, para que as ENS possam estar ao serviço da Igreja e ir ao encontro do que o Papa tem pedido”.

Em Portugal, diz, o movimento tem sido muito bem acolhido pela hierarquia da Igreja. “Primeiro porque vários bispos e o próprio cardeal patriarca, são conselheiros espirituais de Equipas”. Depois porque cada vez mais são chamados a ajudar na pastoral familiar. “Por exemplo, há dois anos muitos equipistas foram envolvidos, a nível paroquial, nas reflexões em torno do Sínodo. E o próprio Papa sempre que pode acaba por nos dar indicações muito claras de que a pastoral familiar tem que passar também pelo aproveitamento do método e do carisma das Equipas, e que as Equipas têm que continuar a ser um movimento aberto, que procura pôr o que tem de bom ao serviço de outros casais, e não ser um movimento virado sobre o seu umbigo, mas ser aberto ao mundo, aos casais e às famílias”.

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