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Conferência Episcopal alerta para “actos criminosos” no restauro

19 fev, 2014

Directora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja diz que a recente polémica no Santuário de Nossa Senhora das Preces, em Oliveira do Hospital, chama a atenção para mais casos do género.

Conferência Episcopal alerta para “actos criminosos” no restauro
A directora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja (SNBCI), Sandra Costa Saldanha, considera que casos como o restauro da ‘Última Ceia’ do Santuário de Nossa Senhora das Preces, em Oliveira do Hospital, representam um “acto criminoso”.

“Este caso trata-se de um acto criminoso e não é único, porque infelizmente há décadas que se repetem sistematicamente situações danosas e altamente dramáticas contra o património cultural em todas as dioceses”, afirmou Sandra Costa Saldanha à Agência Ecclesia.

“É importante que se faça uma fiscalização e se penalizem estes actos e isso é realmente o que não funciona, tal como uma autonomia local que é altamente nociva para o património porque todos fazem o que querem e quando querem sem que haja uma penalização”, denuncia a directora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja.

“Por vezes estas situações são mais graves que as situações dos furtos porque um restauro desta natureza pode destruir o objecto para sempre e quando acontece um roubo há sempre a esperança que a peça possa ser recuperada”, sustenta ainda Sandra Costa Saldanha.

A directora do SNBCI, organismo da Conferência Episcopal Portuguesa, divulgou as primeiras fotografias da obra restaurada no dia 11 de Fevereiro, embora o restauro em causa tenha sido feito há sete anos por alunos da Universidade de Tempos Livre de Coimbra.

O SNBCI promove todos os meses acções de sensibilização e prevenção a nível nacional, mas “em situações deste género o que se passa não é falta de informação, antes um incumprimento da lei e de regras que existem”.

Na opinião de Sandra Costa Saldanha o caso de Oliveira do Hospital “não aconteceu por falta de regras ou de leis porque tudo isso existe, simplesmente há uma inércia, uma total autonomia que é muito nociva porque não tem controlo”.

“A Conferência Episcopal Portuguesa tem inclusive um grupo de trabalho para a área de restauro onde precisamente algumas das directrizes são trabalhadas e lançadas em todas as dioceses, através de acções de formação ou outras iniciativas”, esclarece.

Quanto à situação específica do Santuário de Nossa Senhora das Preces, em Oliveira do Hospital, “cabe agora à Diocese de Coimbra tomar as medidas necessárias para resolver esta questão específica”, concluiu a directora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja. A intervenção, da responsabilidade de João Vieira Duque, tem sido defendida pelo próprio, pelo pároco local e pela irmandade do santuário mariano.