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Três egípcios condenados por desrespeito a símbolos religiosos

19 jun, 2013

A nomeação do novo governador de Luxor está a chocar muitos egípcios. Adel Al-Khayyat era líder do Gamaa al-Islamiyya, um grupo terrorista responsável por dezenas de assassinatos nos anos 90.

Três egípcios condenados por desrespeito a símbolos religiosos
A questão da liberdade religiosa e da islamização da sociedade egípcia está de novo na ordem do dia depois de duas condenações judiciais de pessoas acusadas de desrespeito por símbolos religiosos.

A novidade é que um destes dois casos envolve um muçulmano condenado por rasgar uma Bíblia. No segundo caso, uma professora foi multada em mais de 10.500 euros por ter faltado ao respeito ao Islão e a Maomé.

Demiana Abdel Nour, de 24 anos, é acusada de ter dito que o antigo líder dos cristãos egípcios, Shenouda III, tinha feito mais milagres que Maomé e de ter colocado as mãos sob o estômago cada vez que dizia o nome do fundador do Islão, como se estivesse enjoada. A acusação baseou-se na queixa dos pais de alguns alunos, apesar de muitos outros estudantes garantirem que era tudo mentira.

Já Ahmed Abdullah, um clérigo fundamentalista, foi condenado a 11 anos de prisão por rasgar e queimar uma Bíblia durante uma manifestação em Setembro, diante da embaixada americana no Cairo, convocada para protestar contra o filme anti-islâmico produzido por cristãos de origem egípcia radicados nos Estados Unidos.

As condenações por blasfémia estão a tornar-se cada vez mais comuns no Egipto mas é raro um muçulmano ser acusado, quanto mais condenado. No passado mês, para além da professora condenada em Luxor, um autor foi condenado a cinco anos de prisão por promover o ateísmo e um advogado cristão foi condenado a um ano por insultar o Islão no decorrer de uma conversa informal.

Desde a queda do regime de Mubarak já houve mais de 24 casos e em quase todos os arguidos foram condenados, afirma o jornal americano “The New York Times”, que investigou o fenómeno. Pelo menos 13 condenações resultaram em prisão efectiva.

A islamização da sociedade e do regime egípcio está a preocupar muitos egípcios, incluindo a comunidade cristã, cerca de 10% do total.

A recente nomeação de um novo governador da região de Luxor está a chocar muitas pessoas. Adel Al-Khayyat era líder do Gamaa al-Islamiyya, um grupo terrorista responsável por dezenas de assassinatos nos anos 90.

Em 1997, poucos meses antes de renunciar oficialmente à violência, o grupo levou a cabo um ataque perto de Luxor que matou 58 turistas e quatro egípcios.