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Marcelo Rebelo Sousa

Era preciso um “golpe de Estado” para demitir o Governo?

11 mar, 2012

A questão é de Marcelo Rebelo de Sousa comentando o prefácio do livro de Cavaco Silva.

Era preciso um “golpe de Estado” para demitir o Governo?

Marcelo Rebelo de Sousa estranha que Cavaco Silva tenha sofrido “a maior deslealdade institucional dos últimos 30 anos” e mesmo assim não tenha demitido o Governo de José Sócrates.

No seu habitual espaço na TVI, Marcelo comenta assim o prefácio escrito pelo Presidente da República no seu livro “Roteiros VI”.

O comentador lembra que o Chefe de Estado diz que “houve um comportamento de deslealdade institucional como não houve nos últimos 30 anos, mas ‘eu não demiti o Governo porque isso para mim não era pôr em causa o regular funcionamento das instituições’. Eu pergunto: o acontecimento mais grave dos últimos 30 anos não põe em causa o regular funcionamento das instituições? Se não põe, não sei bem o que ponha. Um golpe de Estado? O Presidente cercado em Belém?”

Depois, Marcelo estranha também o silêncio de Cavaco Silva que, tendo sofrido essa deslealdade, optou, para além de manter o Governo em funções, por não dizer nada aos portugueses. Por outro lado, fica assim confirmado - acrescenta - que o Chefe de Estado faz uma interpretação "minimalista" das suas funções

Lusoponte paga com juros

Marcelo Rebelo de Sousa garante que o contrato com a Lusoponte já foi revisto pelo Governo e que o dinheiro vai ser devolvido com juros.

“Tanto quanto sei a situação é esta: o contrato foi revisto, vai ser assinado e a Lusoponte vai devolver ao Estado aquilo que, de facto, deve devolver com juros e os juros são superiores ao mercado”, disse.

No seu habitual espaço na TVI, o comentador político acrescenta que esta foi “uma história que começou mal, que correu mal, mas que, pelos vistos, acaba bem porque ela [Lusponte] devolve o que deve devolver e ainda paga juros”. 

Esta possibilidade já tinha sido adiantada pela Renascença: o Governo diz ter em cima da mesa de negociações com a Lusoponte uma proposta para que a empresa reponha a verba de 4, 4 milhões de euros recebida como compensação pelo não pagamento de portagens em Agosto e com juros.

Ao que a Renascença apurou junto de fontes do Governo, a expectativa é que o novo contrato com a Lusoponte possa ser assinado até ao final do mês.