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Passos Coelho: Governo de bloco central "não tem nenhumas condições para funcionar"

14 mai, 2015

Primeiro-ministro afirma que o PSD "não se importou, muitas vezes, de ser visto pelas pessoas como o mau da fita" e elogia intervenção do governador do Banco de Portugal na derrocada do BES.

Passos Coelho: Governo de bloco central "não tem nenhumas condições para funcionar"
Passos Coelho: Governo de bloco central "não tem nenhumas condições para funcionar"
Um Governo de bloco central saído das eleições legislativas deste ano “não tem nenhumas condições para funcionar”, afirma o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em entrevista ao semanário “Sol”.

Um Governo de bloco central saído das eleições legislativas deste ano “não tem nenhumas condições para funcionar”, afirma o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em entrevista ao semanário “Sol”.

A coligação PSD/CDS e o PS estão muito distantes em várias matérias e não é possível formarem um Governo de unidade, argumenta Passos Coelho.

“O programa económico é divergente, o modelo económico é diferente, a forma como o PS – e já vai em duas lideranças – vem colocando o problema político e económico mantém o mesmo perfil e não é conciliável com os objectivos que temos, quer com as regras europeias quer com o que tem sido o esforço de modernização e de reforma estrutural da sociedade portuguesa”, argumenta o primeiro-ministro.

Passos Coelho não traça cenários e garante que está apenas “comprometido com uma vitória” para a coligação que vai liderar nas legislativas de Setembro ou Outubro.

“Eu creio, sinceramente, que o que vai estar em jogo nas próximas eleições é saber se damos maioria ao actual Governo ou se damos maioria ao PS. E eu espero que uma destas coisas aconteça. Espero, evidentemente, que este Governo possa ter uma maioria, porque não me parece que haja, no actual contexto, nenhuma ideia de que um Governo juntando CDS, PSD e Partido Socialista pudesse sequer funcionar”, sublinha.

“PSD foi visto como o mau da fita”
As divergências com o parceiro de coligação foram outro dos temas da entrevista ao semanário “Sol”.

Passos Coelho afirma que é natural haver diferenças de opinião nos governos de coligação, mas o mais importante é que os problemas foram resolvidos.

“Houve divergências reais, elas foram expressas publicamente e soubemos ultrapassá-las. Não foi fácil ultrapassá-las, mas ultrapassamo-las e eu acho que isso é o mais importante”, afirma o presidente do PSD. 

Durante um mandato marcado pela intervenção da “troika”, Passos Coelho admite que o PSD passou pelo “mau da fita”, o que também pode ter um aspecto positivo.

“Claro que o meu partido, desse ponto de vista, foi um pouco mais castigado porque tendo o primeiro-ministro, que faz os possíveis por manter no fim do dia o saldo adequado para que o programa pudesse ser bem sucedido, acaba por se sentir um bocadinho mais atingido, mas também podemos dizer o reverso. Uma vez que as coisas correram bem, o PSD pode dizer que, no essencial, as coisas resultaram porque o PSD não se importou, muitas vezes, de ser visto pelas pessoas como o mau da fita. Isso hoje também terá, com certeza, alguma relevância e algum saldo positivo.”

Questionado sobre a demissão de Paulo Portas, há dois anos, e a recente biografia que reacendeu a polémica, Passos Coelho mantém que soube da decisão do então ministro dos Negócios Estrangeiros por SMS.

“Quanto áquilo que se passou no Verão de 2013, a versão que o livro narra e no que narra em discurso directo feito por mim corresponde à verdade”, sublinha.

O elogio ao governador
Quanto à derrocada do Banco Espírito Santo (BES), Passos Coelho elogia intervenção do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

“Eu tenho uma visão muito positiva do que foi o mandato do governador Carlos Costa e julgo que no caso do BES o país deve-lhe o facto de ele não ter fingido que não via o que se estava a passar e de ter intervindo de forma a salvaguardar a estabilidade financeira”, defende o primeiro-ministro.

“Devemos à acção concreta do governador, à sua intervenção, ao seu nível de consciência ter feito as perguntas que era preciso fazer, ter mandado as cartas que devia ter mandado e que não era habitual fazer-se no Banco de Portugal”, conclui Passos Coelho.