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Sínodo termina sem acordo

18 out, 2014 • Aura Miguel, em Roma

Pela primeira vez, a votação foi tornada pública por imposição do Papa Francisco. Relatório não teve acordo em alguns temas.

Sínodo termina sem acordo
Sínodo termina sem acordo
Após uma hora de votação, o Sínodo aprovou um relatório final com 63 pontos sem que tenha sido alcançado um acordo em alguns dos temas. Pela primeira vez, a votação foi tornada pública por imposição do Papa Francisco.

Após uma hora de votação, o Sínodo aprovou um relatório final com 63 pontos e, por decisão do Papa, foram também publicadas todas as votações.

Ficamos a saber que houve oposição quanto às questões mais polémicas, referidas em três parágrafos sobre uniões civis, acesso dos divorciados recasados aos sacramentos e homossexualidade. Temas que geraram confronto e divisões entre bispos e cardeais durante todos os trabalhos do Sínodo e que agora surgem com uma linguagem mais prudente, mas ainda sem consenso, uma vez que foram aprovados apenas por maioria simples.

O padre Federico Lombardi explicou em conferência de imprensa que “estes pontos não alcançaram a maioria qualificada, normalmente exigida para se poder dizer que exprime a maioria do pensamento do Sínodo como tal.” O porta-voz do Vaticano adiantou ainda que foi o Papa quem decidiu “publicar tudo, incluindo o número dos votos”, porque assim “cada um pode ver que tipo de consenso alcançou cada uma destas formulações.”

"A conclusão a tirar é pois", disse ainda Lomabrdi que “não podemos dizer que, sobre esses pontos, o Sínodo se tenha expressado em assembleia de modo favorável”.

Este relatório servirá agora de base (Lineamenta) para o próximo Sínodo Geral dos bispos de 2015, também sobre a Família.

O Papa Francisco, que durante todo o tempo do Sínodo nunca usou da palavra, encerrou os trabalhos com uma intervenção que mereceu prolongados aplausos. Francisco mostrou-se contente pelo “caminho sinodal” realizado e recordou que “a Igreja é de Cristo e não dos pastores; e que estes – juntamente com o Papa – não são patrões, mas servos da Igreja, chamados a ir ao encontro de todos, sem excepção”.

Neste Domingo, o Sínodo termina solenemente, com a missa de beatificação do Papa Paulo VI, na Praça de São Pedro.

[actualizado]