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A coerência das histórias na obra de Paula Rego em exposição

13 jul, 2023 - 16:54 • Maria João Costa

Abre esta quinta-feira, na Casa das Histórias em Cascais, a exposição “Mudam-se as histórias, mudam-se os estilos”, que reúne quase uma centena de obras de Paula Rego. A mostra, que revela alguns trabalhos nunca vistos pelo público, exibe quase 60 anos de criatividade em que as técnicas mudaram, mas as histórias estiveram sempre presentes.

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Avançar a cada sala da Casa das Histórias é percorrer a longa vida criativa de Paula Rego de forma cronológica. A exposição, que é inaugurada esta quinta-feira e que ficará patente até 31 de março de 2024, reúne quase uma centena de trabalhos da artista que morreu há mais de um ano.

Através da mostra “Paula Rego: Mudam-se as histórias, mudam-se os estilos” o público poderá perceber como ao longo dos anos, a artista foi explorando diferentes técnicas e processos criativos, mas manteve sempre a coerência de retratar histórias.

Comissariada por Catarina Alfaro, a exposição revela também ao público muitas obras que até aqui estiveram escondidas em coleções privadas. A diretora da Casa das Histórias, que com a Fundação D. Luís I e a Câmara Municipal de Cascais organiza esta exposição, indica ao Ensaio Geral da Renascença que “o que se pretende que seja mais evidente nesta exposição é a evolução estilística, em termos de técnica”.

Paula Rego explorou, ao longo dos 57 anos de trabalho, processos diferentes. Desde o pastel, ao lápis de cera, passando pelos óleos, colagens e até tapeçaria, Paula Rego foi sempre usando vários suportes. Mas houve algo que se manteve constante, desde os primeiros trabalhos que foram as histórias.

Na exposição percebermos ao longo do seu percurso artístico várias histórias. Catarina Alfaro elenca algumas: “Contos tradicionais portugueses, contos de fadas, as histórias que, por exemplo, ela viu nos filmes de Walt Disney ou histórias do teatro como do grande dramaturgo inglês Martin McDonald”.

A exposição, programada no âmbito do Bairro dos Museus, revela pela primeira vez algumas obras que estavam em casa da artista e outras que têm vindo a ser colocadas em depósito por colecionadores privados na Casa das Histórias Paula Rego.

Catarina Alfaro indica que o trabalho que o museu tem desenvolvido tem contribuído para que “uma série de depósitos de obras de colecionadores particulares que enriquecem a coleção e que permitem, muitas vezes, chegar a obras que nunca teriam sido vistas e que estiveram sempre em casa desses colecionadores”.

Na exposição o público poderá também ver cerca de 18 estudos em tinta da China sobre papel que serviram de ensaio para pinturas maiores que Paula Rego veio a realizar. “Há desenhos na coleção da Câmara Municipal de Cascais, Fundação Dom Luís I, Casa das Histórias Paula Rego, que fomos inventariando ao longo do tempo que percebemos que se relacionavam com outras pinturas mais importantes”, indica Catarina Alfaro.

“É o caso da pintura ‘O Tempo Passado e Presente’. Depois há outro desenho, um estudo, que também está cá em depósito da Branca de Neve. Há outros desenhos relacionados com as pinturas das Vivian Girls, portanto, acabamos por ter também na nossa coleção obras que revelam esse processo de trabalho da artista”, detalhe a comissária.

Passado mais de um ano sobre a morte de Paula Rego, a diretora da Casa das Histórias explica que há ainda novidades a serem descobertas sobre a obra da artista. Numa altura em que está a ser preparada uma grande exposição que irá acontecer em Basileia, na Suíça, dedicada a Paula Rego, o filho da artista tem vindo a encontrar novos trabalhos.

“Há ainda um lado escondido, acho eu, ou por descobrir da obra de Paula Rego. Ela trabalhava incansavelmente todos os dias, com um horário muito fixo de trabalho. Os desenhos, por exemplo, foram aos milhares e de vez em quando lá se abre uma gaveta e sai mais qualquer coisa”, remata Catarina Alfaro.

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