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Os números de seis meses de guerra na Ucrânia sem fim à vista

24 ago, 2022 - 06:40 • Diogo Camilo

Um em cada quatro ucranianos fugiu do país desde o início da invasão russa. A ONU calcula mais de cinco mil mortes de civis, incluindo pelo menos 324 crianças. Meio ano depois, a guerra também teve impacto em Portugal: a taxa de inflação é a mais alta dos últimos 30 anos e o preço do gasóleo continua acima do que estava a 24 de fevereiro, o dia da invasão.

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No mesmo dia em que a Ucrânia assinala o 31.º aniversário do seu Dia de Independência, declarada a 24 de agosto de 1991, meses antes da dissolução da União Soviética, cumprem-se esta quarta-feira seis meses desde o início da invasão russa do território ucraniano. O balanço de mortes é incerto, mas a devastação no país e as ondas de choque no resto do mundo são bem visíveis.

Desde logo no número de famílias ucranianas que fugiram à guerra e se deslocaram para outros países da Europa. Segundo o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), mais de 11 milhões de pessoas (cerca de 25% da população do país) atravessaram a fronteira desde 24 de fevereiro, o dia em que a Rússia invadiu a região de Donbass. Ou seja, um em cada quatro ucranianos fugiu do país desde o início do ataque ordenado por Vladimir Putin.

Nos últimos meses, quase cinco milhões voltaram ao país apesar da guerra não ter terminado, enquanto mais de seis milhões continuam refugiados pela Europa. Destes, só cerca de 3,8 milhões integram programas de proteção temporária para refugiados da Ucrânia.

Portugal acolheu, até ao momento, quase 50 mil ucranianos no país, com a Polónia a ser o Estado-membro da União Europeia que mais refugiados acolheu (1,3 milhões) e a Alemanha o segundo (971 mil ucranianos). A Rússia alega ter acolhido 2,2 milhões de ucranianos no seu território, embora notícias internacionais alertem para a deportação à força de civis para o país.

O ACNUR avança ainda que, além do número de refugiados, 6,6 milhões de ucranianos encontram-se deslocados da sua residência dentro da própria Ucrânia.

Nos últimos meses, a Ucrânia conseguiu travar os ataques russos a Kiev e no norte do país, com o conflito a concentrar-se agora nas regiões disputadas de Donetsk e Lugansk, que pertencem à zona do Donbass. Cidades como Donetsk, Mariupol ou Kherson estão sob o controlo de militares russos, incluindo a central nuclear de Zaporíjia, que causa preocupação. Cidades como Kharkiv ou Kramatorsk, na fronteira com as zonas controladas por russos, estão sob ataque neste momento.

Cerca de 15 mil ucranianos vítimas da guerra

Sobre as perdas de civis durante a guerra, os números são mais imprecisos: a última atualização das Nações Unidas (ONU) dá conta de pelo menos 5.587 vítimas mortais, incluindo 324 crianças, a que se somam 7.890 feridos.

Destas mortes, mais de metade (3.317) foram registadas nas regiões de Lugansk e Donetsk, com outros 2.270 óbitos registados noutras partes da Ucrânia, incluindo Kiev.

Desde o início de agosto foram registadas 207 mortes e 634 feridos, deitando por terra a teoria de que a guerra acabou ou abrandou nas últimas semanas. Entre os ataques, a ONU regista 461 bombardeamentos a unidades de saúde e 2.420 a escolas e outros edifícios ligados à educação.

A estes números juntam-se as mortes de militares ucranianos, que o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, estimou em junho estar nos 10 mil soldados e o comandante de Kiev, Valeriy Zaluzhniy, disse esta semana serem cerca de 9 mil.

Na atualização desta terça-feira, o Ministério da Defesa ucraniano avançou o número de mais de 45 mil baixas militares na Rússia, o que demonstra a resistência ucraniana em grande parte do país.

No entanto, a última estimativa da NATO para este número foi lançada em março, que apontava para entre 7 a 15 mil mortes de soldados russos. A última atualização da Rússia também é de março: apenas 1.351 militares mortos em combate. Na última semana, meios de comunicação russos avançaram que o país tinha ultrapassado a barreira dos cinco mil mortos na guerra na Ucrânia.

Entre as baixas russas estão pelo menos oito generais russos, com o Ministério da Defesa da Ucrânia a avançar em maio que um antigo general morto em Lugansk, Kanamat Botashev, seria a 13.ª alta patente russa a falecer em combate.

O impacto da guerra em Portugal

Em Portugal, a guerra manifestou-se num aumento de preços em todos os setores. Em julho, a taxa de inflação subiu para os 9,1%, o seu valor mais alto desde novembro de 1992, com este a tornar-se no 10.º mês consecutivo de aumento de preços para os consumidores.

Embora o maior impacto se veja nos produtos energéticos, os produtos alimentares ficaram 13,22% mais caros e as rendas das casas por metro quadrado aumentaram 2,7%, em julho, face ao mesmo mês de 2021.

Quanto ao valor médio das rendas de habitação por metro quadrado, registou uma subida mensal de 0,3%, acima dos 0,2% do mês anterior.

Um dos aspetos que mais pesou na carteira dos portugueses foi o do preço dos combustíveis, que disparou com o aumento do preço do petróleo após a invasão russa. O preço médio da gasolina sem chumbo 95 era de 1,81 euros por litro antes da guerra e do gasóleo fixava-se em 1,66 euros por litro.

Nas semanas seguintes ao dia 24 de fevereiro, o preço subiu respetivamente para 2,03€/L e 1,98€/L, mais de 20 cêntimos em cerca de duas semanas. O preço máximo, no entanto, foi registado em meados de junho, quando a gasolina sem chumbo 95 atingiu os 2,17€/L e o gasóleo os 2,08€/L.

Atualmente, a gasolina já chegou a valores que registava antes da invasão russa à Ucrânia (1,78€/L), enquanto o gasóleo continua num preço acima (1,77€/L) do que estava antes de 24 fevereiro.

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  • Desabafo Assim
    24 ago, 2022 Porto 09:22
    Seis meses olhando para um lado.

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