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Rúben Amorim: "No fim, se tiver de seguir em frente, sairei"

21 out, 2022 - 12:20 • Redação

Treinador do Sporting explica o que quis dizer quando afirmou que, no final da época, "a culpa não vai morrer solteira". Amorim sublinha que é sempre o culpado dos maus resultados e admite que a equipa tem de recuperar a "chama" dos últimos anos.

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Rúben Amorim deixa claro que, no final da época, se os resultados não forem bons, como tem acontecido até agora, e as partes entenderem que o divórcio é o melhor remédio, deixará o Sporting sem conflitos.

Em conferência de imprensa, esta sexta-feira, o treinador do Sporting salienta que, no final, a culpa dos maus resultados será sempre sua.

"A culpa será sempre minha no fim do campeonato. Esteja eu aqui dois dias, dois anos, três anos, no fim do ano serei sempre o responsável. Se mantivermos esta cadência de resultados e falta de resultados, eu serei o responsável e, se tiver de seguir em frente, sairei. Esta foi a exigência que metemos no clube, é assim que eu quero funcionar aqui", sublinha.

A questão surge após as palavras de Amorim no final da derrota com o Varzim, que ditou a eliminação da Taça de Portugal. Na altura, o treinador disse que, "no fim a culpa não vai morrer solteira". Palavras que pareciam ser um recado para a direção do Sporting. Agora, contudo, surge o pedido de desculpas pelas declarações sujeitas a interpretação.

"Peço desculpa se deixei no ar que os responsáveis poderiam ser outros, foi injusto. A responsabilidade é minha e fui isso que eu quis dizer. No fundo, foi: 'Isto ainda não acabou, temos muito para fazer, ainda há títulos para ganhar e objetivos. No fim de contas não há problema, eu farei a minha avaliação e o responsável serei eu'", explica o técnico.

Amorim garante que, no final, fará a avaliação "e logo se vê o que se vai considerar desta época". Contudo, o treinador admite que, a julgar como avaliou a temporada anterior, esta não está a correr nada bem. Ainda assim, lembra que ainda só estamos no primeira terço da época e que, no futebol, tudo muda muito rapidamente e não há impossíveis:

"No ano passado, passagem aos 'oitavos' [da Champions], segundo lugar [no campeonato] e [conquista de] Taça da Liga e Supertaça foi escasso. Portanto, no fim do campeonato, toda a gente vai fazer a sua avaliação. Mas o campeonato ainda não acabou e isto pode mudar de um momento para o outro. No futebol já vi coisas mais difíceis a acontecer."

Urgente recuperar a "chama" das últimas duas épocas


Amorim diz que o Sporting tem de "recuperar um bocadinho a chama", pois mais que títulos, dinheiro e valorização de jogadores, o que entende que de mais importante trouxe ao clube foi a ligação entre todos.

"Estamos a perder um bocadinho, porque isso também vem com os resultados, e temos de voltar a tornar a chama forte. Muito da ligação que temos com os adeptos e muito daquilo que conquistámos nos últimos dois anos tem a ver com a fome, e isso não podemos perder. Eu sei que os jogadores não perdem, mas há momentos em que esse fator está um bocadinho mais em baixo", reconhece o treinador.

Amorim considera que os adeptos "têm sido muito justos". Na última época, mesmo perante dissabores, os adeptos continuavam do lado da equipa. Agora, admite, "tem vindo a faltar alguma coisa":

"Fomos afastados da Taça de Portugal na primeira eliminatória e não estamos bem no campeonato. Na Liga dos Campeões, estamos na luta num grupo muito difícil e aí não há nada a dizer. Temos de encaixar tudo aquilo que os adeptos nos quiserem mostrar, porque a responsabilidade neste momento está do nosso lado. Acho que tem muito a ver com a chama, temos de aumentar um bocadinho a fome em todos os jogos. Temos empurrado os adversários, e temos de continuar a fazer isso, mas temos de ser mais agressivos no último terço e tentar não sofrer golos."

Rúben Amorim está a "aprender a ter maus resultados"


Rúben Amorim confirma que "não vai haver revolução nenhuma" no mercado de janeiro, pois o Sporting tem um projeto definido, "as coisas estão a ser bem feitas" e "não vai haver uma revolução de repente".

"Temos o nosso projeto e que temos miúdos a surgir e temos se calhar de criar oportunidades para eles, mas isso é algo que já estamos a fazer há cerca de três anos", assinala, acrescentando que a presença de jogadores da formação nos treinos, durante a última semana, não foi exceção:

"Não houve uma semana que eu me lembre no Sporting que nós não chamássemos miúdos. É uma coisa normal. O processo é o mesmo e não vamos mudar nada. O que temos é que não estamos a ter resultados, alguma coisa não está a funcionar e vamos fazendo a ligação com os miúdos e com o talento que eles têm demonstrado, tanto na Youth League, como na Liga 3. O problema vai ser do Celi [Filipe Celikkaya, treinador da equipa B do Sporting], que pode perder alguns jogadores."

O treinador confessa, apesar da confiança de que dará a volta ao mau momento, que está a "aprender a ter maus resultados". Algo a que não está habituado, mas que espera passar por mais crises durante a carreira. Amorim lembra, de resto, que sempre avisou que isto poderia acontecer.

"Tenho uma curta carreira, se Deus quiser vou passar por isto muitas mais vezes. Aprendo todos os dias, mesmo quando estou bem. Mesmo estando em grandes momentos, sempre a ganhar, fui preparando isto, portanto não fui apanhado de surpresa. Sabia que podia acontecer, mas tenho a certeza que conseguimos dar a volta. Depende de nós", vinca.

Rúben Amorim fazia a antevisão da receção do Sporting, sexto classificado do campeonato, com 16 pontos, ao Casa Pia, quarto, com 17. Encontro marcado para sábado, às 20h30, no Estádio de Alvalade.

Os leões disputam a décima jornada um dia depois do FC Porto-Benfica, a que Amorim está "completamente indiferente". O Sporting-Casa Pia terá relato na Renascença e acompanhamento ao minuto em rr.sapo.pt.

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  • JORGE DIAS
    21 out, 2022 Povoa de Santa Iria 18:06
    Não chega a Janeiro (minha modesta opinião)

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