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Pandemia de Covid-19

DGS. "Com pandemia a subir, não é expectável 55 mil pessoas no Santuário de Fátima"

16 set, 2020 - 17:49 • Inês Rocha , Joana Azevedo Viana

Graça Freitas diz que não sabe de onde surgiu esse número e confirma que a Igreja pediu reunião com o secretário de Estado da Saúde para preparar o 13 de outubro, após enchente de peregrinos no domingo. Diretora-geral da Saúde anuncia também novo referencial para ajuntamentos em massa.

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A diretora-geral da Saúde disse esta quarta-feira que "não é expectável", face à subida do número de novos casos de Covid-19 em Portugal e na Europa, que o Santuário de Fátima receba 55 mil pessoas em outubro, como foi avançado nos últimos dias por alguns meios de comunicação.

Na conferência diária sobre a epidemia de Covid-19 em Portugal, Graça Freitas disse que não sabe "de onde veio esse número" e confirmou que a Igreja pediu uma audiência com o secretário de Estado da Saúde para preparar o evento de 13 de outubro, depois de uma enchente de peregrinos no último domingo.

"Nem a Direção-Geral da Saúde (DGS) nem as outras autoridades de saúde receberam essa informação. Não chegou pedido de parecer nem plano contingência. Não nos parece expectável que, com uma pandemia a subir, seja possível um número de 55 mil pessoas no Santuário de Fátima."

Ontem, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse estar preocupado com a perceção pública de 50 mil pessoas ou mais rumarem ao Santuário de Fátima em outubro, alertando para os riscos de grandes ajuntamentos.

Na conferência de imprensa das autoridades de saúde, também na terça-feira,o secretário de Estado da Saúde confirmou o pedido de audiência da Igrejasecretário de Estado da Saúde confirmou o pedido de audiência da Igreja para preparar a peregrinação de 13 de outubro, depois de o Santuário ter recusado a entrada a vários peregrinos depois de uma enchente de fiéis no domingo passado.

“Gostaria de recordar que a Igreja Católica teve, no passado recente, um histórico de comportamento exemplar e de diálogo constante e permanente com as autoridades de saúde", elogiou Lacerda Sales.

Ainda ontem, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, salientou que "há liberdades que têm de ser preservadas", adiantando que o Governo não vai impor limites às celebrações do 13 de outubro.

Novo referencial para eventos de massa

Questionada sobre se, após eventos como o Avante e a peregrinação de 13 de setembro, a DGS está a preparar novas regras para ajuntamentos em massa, Graça Freitas confirmou que será preparado um novo referencial nesse sentido, sem contudo avançar datas.

"Estamos numa nova fase da epidemia, da dinâmica do vírus e do conhecimento sobre o vírus. Faz sentido que seja criado um novo referencial sobre eventos de massa", referiu a drietora-geral da Saúde, repetindo o aviso de que "o número de contactos aumenta a probabilidade de contágio".

"Sobre esse referencial, adaptaremos ao tipo de evento, ao tipo de pessoas que se vai concentrar, às condições epidemiológicas", adiantou. "Neste momento a ascensão [de novos casos de infeção] é controlada e estamos a aproximar-nos do outono e do inverno."

Sobre se já foram detetados casos diretamente relacionados com eventos em massa recentes, Graça Freitas disse que "para já não". A responsável admite que "são propícios" a contágios mas destaca que "têm acontecido muitíssimo poucos".

"Não temos conhecimento de cadeias de transmissão diretamente associados a esses eventos. E dentro dos cinemas e teatros as pessoas estão com máscara e afastadas", de acordo com as regras da DGS, concluiu.

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