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Tem 40 anos? Se não teve sarampo vacine-se

19 mar, 2018 - 09:33

Presidente da Associação de Medicina Geral e Familiar esteve na Manhã da Renascença para falar sobre o atual surto de sarampo. Diz que nunca viu um doente com a doença e critica a “modinha de não vacinar”.

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A vacina do sarampo só entrou para o Plano Nacional de Vacinação em 1974 e não tinha as duas doses agora preconizadas, pelo que as pessoas que hoje estão na casa dos 40 anos poderão estar sujeitas a contrair a doença.

“Há uma franja da população que terá à volta de 40 anos que pode não ter feito ainda a vacina, porque não havia quando eram crianças, ou só ter uma dose de vacina e hoje estão preconizadas duas doses”, alerta Rui Nogueira, presidente da Associação de Medicina Geral e Familiar.

Na Manhã da Renascença, o médico explica que, “no início dos anos 70/final dos anos 60, deixou de haver sarampo”, tendo a vacina sido introduzida em 1974. Daí que haja “um grupo de população” que nem tenha a vacina nem tenha tido a doença e, por isso, não esteja imunizado.

Será o caso de alguns profissionais de saúde, que no atual surto de sarampo que apareceu no Hospital de Santo António (Porto) parecem ser os principais veículos da doença.

“Na verdade, os profissionais de saúde acabam por contactar com doentes e, portanto, estão expostos. Não estando vacinados e não tendo tido a doença, são mais vulneráveis”, sublinha Rui Nogueira.

Não vacinar “não é razoável”

O presidente da Associação de Medicina Geral e Familiar considera que Portugal tem “uma excelente cobertura vacinal” e diz que, em 30 anos de carreira, nunca viu “um doente com sarampo”.

Mas “agora alguns países europeus têm uma modinha de não vacinar. Não é razoável”, critica.

“Se calhar já está a ter adeptos em Portugal, mais do que aquilo que pensamos”, mas “é preciso esclarecer a população de uma vez por todas: há vacinas que não são brincadeira nenhuma. É mesmo a sério. Não é para caprichos. Esta é um caso e há outras”, sublinha Rui Nogueira.

O sarampo foi considerado erradicado em Portugal em 2015. A vacinação organizada contra a doença iniciou-se em 1973, com uma campanha de vacinação de crianças entre os 1 e os 4 anos, que vigorou até 1977. Em 1974, a vacina foi incluída no Plano Nacional de Vacinação (PNV) e, em 1990, foi introduzida o reforço (segunda dose).

Em 2017, foram reportados mais de 500 casos de sarampo na Europa. Segundo a OMS, os surtos derivam da decisão dos pais em não querem vacinar os filhos. Mas porquê? Tudo começou num estudo divulgado em 1998 relacionava a vacina tríplice (sarampo, papeira e rubéola) com o aparecimento do autismo.

Esse estudo veio a provar-se fraudulento, mas a teoria já se tinha espalhado nos Estados Unidos e na Europa.

Em Portugal, a taxa de cobertura de vacinação é superior a 95%, mas as pessoas que não estão vacinadas fazem aumentar a probabilidade de, quem esteja vacinado mas não imunizado, poder vir a contrair a doença.

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