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Filme "Soares é Fixe!" lembra que a política "não tem de ser o discurso de vão de escada"

21 fev, 2024 - 20:48 • Maria João Costa

Chega aos cinemas na quinta-feira, 22 de fevereiro, o filme “Soares é Fixe!”, que retrata a noite das eleições presidenciais em que Mário Soares derrotou Freitas do Amaral. O filme de Sérgio Graciano assinala o centenário do nascimento do fundador do PS e conta com os atores Tónan Quito e Margarida Cardeal nos principais papéis.

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Filme "Soares é Fixe" chega aos cinemas na quinta-feira. Foto: Filipe Feio
Filme "Soares é Fixe" chega aos cinemas na quinta-feira. Foto: Filipe Feio
Foto: Filipe Feio
Foto: Filipe Feio

“Mário Soares, Freitas do Amaral, taco a taco. Vai ser uma noite longa”, diz um dos personagens do filme “Soares é Fixe!”. Essa noite longa aconteceu a 16 de fevereiro de 1986, quando Mário Soares derrotou Freitas do Amaral nas presidenciais. O filme de Sérgio Graciano, que retrata este episódio da História de Portugal, chega aos cinemas a 22 de fevereiro.

Tinham passado apenas 12 anos do 25 de Abril de 1974 e Portugal elegia nessa noite aquele que foi o primeiro Presidente civil da sua história. O país estava dividido, mostra o filme que também terá uma série adaptada para televisão.

Em entrevista ao Ensaio Geral, da Renascença, o argumentista João Lacerda Matos lembra a importância do filme para avivar a memória, mas também para “lembrar às gerações de agora, aquelas que vão votar pela primeira vez, que a política não tem que ser agressividade, não tem de ser o discurso de vão de escada. A política pode ser elevada, ou deveria ser sempre elevada”.

No filme, um dos momentos marcantes é quando Freitas do Amaral assume a derrota e telefona a Mário Soares. O diálogo mostra respeito e a elevação de que fala Lacerda Matos. Assim como no momento em que Mário Soares, desempenhado pelo ator Tónan Quito, prepara o discurso da noite da vitória em que se assume como o Presidente “de todos os portugueses”.

O filme centra-se na noite eleitoral, com algumas viagens ao passado a momentos marcantes, como a criação do Partido Socialista, ou o episódio da Marinha Grande. Em entrevista ao Ensaio Geral, o realizador Sérgio Graciano explica que não quis “cair no erro de querer documentar tudo”. “A melhor opção é contar um momento importante da vida de uma das pessoas mais importantes”.

Neste filme biográfico sobre Mário Soares, que mistura factos com alguma ficção, há momentos marcantes que o realizador quis colocar no filme. “Não podiam faltar o telefonema do Mário Soares com Freitas do Amaral, a rosa amarela de Maria Barroso, o ‘olhe que não, olhe que não' do Álvaro Cunhal para Mário Soares”, diz Graciano.

Por opção do realizador os atores não são excessivamente caraterizados. Mas houve o cuidado de apanhar os gestos e o tom de cada um dos retratados. É o caso de Maria Barroso, papel desempenhado pela atriz Margarida Cardeal. Ao Ensaio Geral, da Renascença, explica que se preocupou em apanhar de Barroso “a forma de estar, a fisicalidade, o facto de enrolar os erres, a forma pausada de falar, o português imensamente correto”.

“Tudo isso, evidentemente, está lá e trabalhei sem perder nunca de vista tudo isso. O resto foi encontrar o espírito desta mulher, os sentimentos e as emoções de cada cena”, sublinha a atriz. Também o ator Tiago Fernandes se preparou para o papel de Diogo Freitas do Amaral a ler entrevistas suas e a sua biografia do ex-presidente do CDS.

Questionado sobre quem é a personagem que desempenha, Tiago Fernandes diz que “acima de tudo, era alguém muito vertical, muito cordial, dono de um sentido de humor peculiar e que gostava de rir nas suas intervenções. Por outro lado, é alguém muito interessado do ponto de vista cultural, que escreveu peças de teatro, que era um apreciador de ópera e alguém com uma elevação e uma bagagem cultural muito acima da média”.

No entender de Tiago Fernandes, os políticos retratados no filme “podem servir como inspiração para uma convicção sobre os ideais e uma seriedade em relação à vida e à intervenção políticas que hoje em dia parecem estar mais em crise”, critica o ator.

Já Tónan Quito, que veste o papel principal de Mário Soares, admite que foi um desafio que não pode recusar. O ator, que tem memória das presidenciais de 1986 e que na altura tinha 10 anos, confessa que “houve um momento” em que pensou: “Eh pá, bolas! Quero experimentar! Se alguém confia em mim para fazer de Mário Soares, então ‘bora!’, será fixe!”

Sobre a importância da personagem histórica do presidente, Tónan Quito lembra que foi “o primeiro presidente civil da democracia e Mário Soares já não era novo, portanto, esta noite eleitoral foi um vai ou racha. Ou caia no esquecimento ou vencia as eleições. Era uma figura muito divertida. É muito característico a maneira dele falar, de se mexer, a maneira como se apresentava, por isso era um desafio incrível”, refere.

Para Tónan Quito, este é também um filme importante para as novas gerações “perceberem que há perigos” atualmente. Segundo o ator “a nossa liberdade individual corre perigos por causa de uma pessoa, duas ou três. Temos estes modelos, mesmo que depois possamos concordar ou não com Mário Soares, mas ele foi sempre um homem pela democracia”.

Além destes atores, o elenco conta ainda com Miguel Mateus no papel de João Soares, Tiago Correia no papel de Marcelo Rebelo de Sousa, mas há em pano de fundo no enredo outras personagens como Pedro Santana Lopes, Isabel Soares ou Daniel Proença de Carvalho.

O filme produzido pela Sky Dreams Entertainment tem distribuição pela NOS Audiovisuais e chega aos cinemas a 22 de fevereiro, na véspera do arranque da campanha para as legislativas. “É uma coincidência” explica o realizador Sérgio Graciano que indica que a data já estava prevista antes da convocação das eleições.

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