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Exposição mostra inquietações de Saramago em diálogo com artistas portugueses

22 set, 2022 - 06:42 • Maria João Costa

Inaugura esta quinta-feira a exposição “Porquê? A arte contemporânea em diálogo com o pensamento de José Saramago”. No Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa o público vai poder ver até 8 de janeiro uma mostra com a curadoria da neta do Nobel da Literatura que reúne 40 obras de 34 artistas portugueses

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“A minha posição é de constante interrogação”. A frase é de José Saramago e serviu de inspiração para o título da exposição que assinala o centenário do nascimento do escritor português e que inaugura esta quinta-feira no Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC).

“Porquê? A arte contemporânea em diálogo com o pensamento de José Saramago” que abre ao público sexta-feira, reúne 40 obras de 34 artistas portugueses que pertencem ao acervo do MNAC e à Coleção de Arte Contemporânea do Estado.

A curadoria da exposição tem a assinatura da galerista Ana Saramago Matos, neta do Nobel da Literatura e junta peças de artistas de diferentes gerações. A “mais recente é de 2016”, explica a curadora em entrevista ao Ensaio Geral da Renascença.

Junto à frase de Saramago que dá o mote para a exposição está uma peça de grandes dimensões de Jorge de Brito e que é “a peça mais antiga” que data de 1895. “É uma obra que sai do espectro da arte contemporânea”, explica a curadora. Ana Saramago Matos justifica a sua integração no percurso expositivo por “sublinhar o quão universal e transversal” são as temáticas que inquietavam José Saramago.

A “coluna vertebral” da exposição é um corredor todo branco, onde estão várias citações do escritor, ora retiradas de obras literárias como o “Ensaio sobre a Cegueira”, ora citadas a partir de discursos e entrevistas de Saramago.

As frases do autor geram os temas que marcam os quatro núcleos da exposição. “Direitos humanos”, “Alteridade e identidade”, “Sustentabilidade”, “Memória e Palavra” são as questões que levaram a curadora a organizar e escolher os artistas.

“Aquilo que gostaria que acontecesse é que as pessoas que visitassem a exposição criassem elas próprias outras perguntas em torno destas causas”, explica Ana Saramago Matos que acrescenta as perguntas: “porque é que os Direitos Humanos não estão a ser respeitados? Porque é que não aceitamos a diferença e o outro? Porque é que o nosso ambiente continua a ser fustigado? Porque é que nos esquecemos tanto da História e da Memória?”

No diálogo entre estas temáticas e a arte são mostradas obras de Helena Almeida, Lourdes Castro, passando por Jorge Molder, Júlio Pomar, Julião Sarmento, Júlio Resende, Carlos Nogueira ou Ana Vieira, entre outros.

A exposição reúne obras que em alguns casos, nunca foram mostradas em conjunto e diferentes suportes de arte. Depois da sua abertura ao público dia 23, haverá visitas guiadas mensais feitas pela curadora e, mais tarde o lançamento de um catálogo.

Além dos artistas já mencionados, estão também presentes obras de alguns amigos de Saramago, como Menez ou Graça Morais. Na mostra poderá também ver obras de Alberto Carneiro, Álvaro Lapa, André Cepeda, António Olaio, António Pedro, António Sena, Bartolomeu Cid dos Santos, Fernando Brito, Fernando Calhau, Fernando Lemos, João Tabarra, João Vieira, José Pedro Croft, Júlia Ventura, Nikias Skapinakis, Paulo Nozolino, Pedro Gomes, Querubim Lapa, Salette Tavares, Vasco Araújo, entre outros.

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