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Dulce Maria Cardoso "magoada" com João Mário Grilo por adaptação de livro ao cinema

23 jun, 2022 - 16:12 • Maria João Costa

Estreia esta quinta-feira “Campo de Sangue”. O novo filme de José Mário Grilo foi anunciado como adaptação de romance da escritora Dulce Maria Cardoso. Na véspera da estreia, a autora lamenta que o realizador tenha desrespeitado o argumento, e nem tenha colocado lá o seu nome.

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“Mesmo que João Mário Grilo tivesse feito uma obra-prima, não aceito que valha tudo. Nem na vida, nem na arte”, escreve a escritora Dulce Maria Cardoso numa publicação na rede social Instagram, acompanhada por uma fotografia da capa do seu livro “Campo de Sangue” que serviu de base ao novo filme de João Mário Grilo.

No dia da estreia, Dulce Maria Cardoso vem esclarecer os meandros do que aconteceu até aqui. Assumindo que é “lenta a encontrar as palavras certas” quando a “magoam”, a autora de “O Retorno” diz que “foi com base no guião do Luís Mário Lopes” que autorizou que “o realizador João Mário Grilo adaptasse o romance”, e a usasse como personagem no filme.

Dulce Maria Cardoso acreditou que João Mário Grilo era “o realizador certo para a adaptação”, justificando que ele tinha “gostado tanto do argumento”. Contudo, a autora explica: “decorreram vários anos desde que autorizei a adaptação até agora. Durante esse tempo nunca o João Mário Grilo me comunicou formal ou informalmente qualquer vontade de modificar significativamente o argumento a ponto de exigir a alteração da autoria”, esclarece.

Segundo a escritora, “no filme, o argumento surge como sendo da autoria de Luís Mário Lopes, João Mário Grilo e Inês Beleza Barreiros”. Desapontada com a situação, Dulce Maria Cardoso conclui dizendo: “lamento que esta ocasião, que deveria ser festiva, se tenha tornado tão triste para mim.”

Já antes da estreia, num texto divulgado à comunicação social, o realizador João Mário Grilo contava que tinha sido desafiado por Luís Mário Lopes para “pensar no seu projeto de adaptação do romance ‘Campo de Sangue’, da Dulce Maria Cardoso”.

“Estava longe de imaginar a vertigem em que iria cair. O argumento, que não era bem uma adaptação (chamei-lhe “fantasia”), tinha, no seu centro, uma ideia genial – a aparição do protagonista do romance (ELE) à escritora (DULCE) – e uma chave de leitura “geométrica”, que vai muito bem com o cinema que gosto de ver e que sou capaz de fazer”, escreve João Mário Grilo.

No mesmo texto, Grilo falava mesmo de “um feliz encontro” com a obra da autora. “Gosto muito da Dulce Maria Cardoso, cujos livros e crónicas me fazem sempre “sair do sítio”. Para mim, é uma escritora que marca um olhar, uma forma e uma moral absolutamente inovadoras na literatura portuguesa”.

Na carta, João Mário Grilo explicava, no entanto, que “o argumento do Luís exigia um filme muito mais longo, desconformado ao orçamento de que dispúnhamos. Era absolutamente necessário reduzi-lo, sem que se perdesse essa atitude de “leitura” do romance”.

“Campo de Sangue” que chega aos cinemas envolto em polémica, tem nos principais papeis atores como Carloto Cotta, Luísa Cruz, Sara Carinhas, Teresa Madruga, Fernanda Neves, Suzana Borges, Júlia Palha, Mafalda Marafusta, Alba Baptista, Lana Dumitru, Henrique Gomes, Heitor Lourenço, Miguel Monteiro. O filme que se anuncia como “uma fantasia inspirada no romance de Dulce Maria Cardoso”, tem a participação especial de Adriano Luz e as vozes de Luís Lucas e Rui Morisson.

Com produção da APM Produções, o filme teve apoio financeiro de ICA, Fundo de Apoio ao Turismo e ao Cinema, RTP, Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa Film Commission, CMTV, Fundação GDA e GEDIPE e tem a distribuição da Leopardo Filmes.

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