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Manuscrito do padre António Vieira perdido há 300 anos foi encontrado em Roma

27 mai, 2022 - 17:48 • Maria João Costa

O original de a “Chave dos Profetas” foi encontrado por investigadores da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, nos arquivos da Biblioteca Gregoriana, de Roma. Eram conhecidas cópias, mas o manuscrito do padre Jesuíta era dado como desaparecido há mais de três séculos.

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Havia quem pensasse que não existia. O paradeiro do manuscrito original da obra “Clavis Prophetarum”, ou “Chave dos Profetas”, era desconhecido há mais de 300 anos, mas o trabalho de dois investigadores portugueses permitiu localizar e identificar o original escrito pelo padre António Vieira.

O manuscrito, que será apresentado na próxima segunda-feira, dia 30, pelas 16h30, numa cerimónia no Anfiteatro da Faculdade de Letras, da Universidade de Lisboa, estava guardado nos arquivos da Biblioteca da Universidade Gregoriana, em Roma.

Os autores desta descoberta são dois académicos portugueses da Faculdade de Letras de Lisboa: Ana Travassos Valdez, que é especialista em literatura e investigadora do Centro de História da Universidade de Lisboa, e Arnaldo do Espírito Santo, professor emérito da Faculdade de Letras. Ambos trabalharam com um grupo de investigadores da universidade italiana.

Para aferir a veracidade do volume de manuscritos foram feitos testes e cruzadas diversas informações que serão divulgadas na apresentação, onde serão mostradas imagens dos originais.

Este é tido como um momento fulcral na investigação em torno da obra de Vieira. A obra “Clavis Prophetarum” era considerada pelo Jesuíta como a sua obra mestre. Escrita em latim, com mais de 300 páginas desiguais, esta “Chave dos Profetas”, é “um tratado teológico-político sobre a justiça e a paz universais e constitui a obra mais importante do Padre António Vieira, valorização por ele várias vezes sublinhada”, referem os investigadores José Eduardo Franco, Pedro Calafate e António Guimarães Pinto – responsáveis pela publicação da obra completa de Vieira.

“Nesta obra apresenta-nos a sua interpretação das profecias bíblicas”, escrevem os investigadores que, em 2013, publicaram na Círculo dos Leitores a obra, e acrescentam que para o missionário, o “ponto de partida assenta nas teses de que Cristo foi Rei, enquanto Homem, em sentido espiritual e temporal, e que Rei permaneceu depois de entregar o espírito na cruz; que o fundamento mais importante do poder régio temporal de Cristo é a justiça e a paz”.

Nascido em Lisboa em 1608, o padre António Vieira é tido como “o imperador da língua portuguesa”. Foi no Brasil que estudou no colégio dos jesuítas, em São Salvador da Bahia. Depois da sua ordenação, destacou-se como pregador, tendo mais tarde o rei D. João IV nomeado-o pregador régio.

Com a publicação da “História do Futuro”, em 1649, o padre António Vieira foi ameaçado de expulsão da Companhia de Jesus e condenado mais tarde pela Inquisição. Viveu longos 89 anos e deixou mais de duas centenas de sermões escritos, além de outros manuscritos como o que agora foi localizado.

Segunda-feira a Renascença, dará a conhecer uma entrevista com um dos investigadores que encontrou o original e dará mais detalhes sobre o conteúdo desse mesmo manuscrito.

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  • Vítor Gomes
    28 mai, 2022 Massamá 12:19
    O rei D. Pedro IV ainda estava a quase 200 anos de distância. João IV, sim, o restaurador...

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