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Mundo editorial de luto

Morreu o editor João Paulo Cotrim

26 dez, 2021 - 17:19 • Maria João Costa

João Paulo Cotrim tinha 56 anos. Foi diretor do Salão de Ilustração e Banda Desenhada de Lisboa, teve uma colaboração com a Renascença, no programa Obra Aberta feito em parceria com o Centro Cultural de Belém.

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Morreu, este domingo em Lisboa, aos 56 anos, o editor João Paulo Cotrim, fundador da editora Abysmo, responsável pela edição de livros como “O Plantador de Abóboras” de Luís Cardoso que recentemente venceu o Prémio Oceanos.

João Paulo Cotrim foi mais do que um editor. Apaixonado por livros e pela palavra, também ele era escritor. Publicou recentemente com o fotógrafo João Francisco Vilhena, “Diário das Nuvens”, um livro escrito durante a pandemia.

Ao longo da vida, Cotrim teve um percurso multifacetado. Além de jornalista, foi o fundador da Bedeteca de Lisboa que dirigiu, desde a sua abertura em 1996, até 2002. Foi também guionista de filmes de animação. São da sua autoria os guiões de filmes como “Fado do Homem Crescido” ou “Sem Querer”, com o ilustrador João Fazenda

De resto, com Fazenda assinou também um livro infantil em 2007, “A História secreta de Pedro e o Lobo” e em 2011, “O branco das sombras chinesas” que assina com António Cabrita.

Além de novelas gráficas, como “Salazar – Agora, na Hora da Sua Morte”, João Paulo Cotrim escreveu também livros de poesia, como “Má Raça” que assina com o ilustrador Alex Gozblau.

Cotrim dedicou os últimos anos de vida à editora independente que criou, a Abysmo, onde publica autores como Valério Romão, Luís Cardoso, José Luiz Tavares, Paulo José Miranda, Fernanda Botelho, Vasco Gato, Luís Carmelo ou Inês Fonseca Santos.

João Paulo Cotrim que foi também diretor do Salão de Ilustração e Banda Desenhada de Lisboa, teve uma colaboração com a Renascença, no programa Obra Aberta feito em parceria com o Centro Cultural de Belém.

No plano das reações, o ex-ministro da cultura João Soares já lamentou o desaparecimento prematuro do amigo. “Homem bom, de carater, bem com os outros e a vida. Culto, inteligente, de bom humor”, escreve Soares na rede social Facebook. O ex autarca de Lisboa destaca Cotrim como “um dos grandes conhecedores e apaixonados de BD”, diz mesmo que foi “o grande obreiro e diretor da Bedeteca de Lisboa”.

Também nas redes sociais, muitos dos seus autores e amigos, já vieram lamentar a morte de João Paulo Cotrim. “Que injusta a vida” escreve o escritor Luís Carmelo, também a atriz Isabel Abreu o recorda como “cavaleiro das palavras”.

Marcelo recorda "fazedor talentoso"

Marcelo Rebelo de Sousa também já reagiu à morte de João Paulo Cotrim. Numa nota publicada no site da Presidência da República, diz tratar-se de “uma notícia triste para a cultura portuguesa, e antes de mais para as artes das quais foi durante décadas um ativíssimo criativo e um incansável dinamizador”.

O Presidente da República recorda o percurso do editor e deixa ainda uma mensagem para quem lhe era próximo.

“Era uma daquelas figuras sem as quais nenhuma cultura saudá vel vive: o fazedor talentoso que cuida da sua obra, mas promove sobretudo a obra dos outros. À família de João Paulo Cotrim endereço os meus sentidos pêsames”, lê-se.

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