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Braga. Festival Authentica adiado depois de DGS exigir testes em massa aos "festivaleiros"

18 nov, 2021 - 17:44 • Maria João Costa

Estava previsto de 10 a 11 de dezembro, no Fórum Braga. A organização decidiu adiar o festival depois de receber das autoridades de saúde um e-mail a dizer que, face à situação epidemiológica, era fundamental a testagem de todos os participantes

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A organização do festival Authentica está sem perceber afinal quais as regras e quem manda. O promotor do evento previsto para os dias 10 e 11 de dezembro no Fórum Braga teve de adiar o festival de música por um ano, depois de ter recebido um e-mail das autoridades de saúde de Braga a “comunicar que é necessária a realização de testagem prévia, nas 24 horas anteriores, a todos os participantes”.

Pensado para um público jovem, o festival previa uma capacidade de 18 mil pessoas diárias. A organização alega ser impossível testar toda a gente. Em entrevista à Renascença, Marco Polónio - da empresa Malpevent - que organiza o festival explica que submeteram “o plano de contingência atempadamente e de acordo com todas as normas em vigor para eventos musicais ao Delegado de Saúde de Braga”.

O plano de contingência submetido em outubro foi elaborado por uma empresa experiente, diz a organização do Authentica que contratou uma equipa que esteve envolvida nos quatro eventos piloto que se realizaram entre abril e maio deste ano. A resposta das entidades de saúde tardou em chegar, diz Marco Polónio que indica que o e-mail referia apenas que face à “situação epidemiológica nacional e local” tinham que “testar 100 por cento dos participantes”.

É aqui que o promotor do festival se questiona sobre quais são afinal as normas em vigor. “Não consigo perceber como é que existe uma normativa da DGS onde diz que as pessoas podem ir a um concerto apresentando o certificado digital ou um teste negativo. E depois, temos um parecer que diz que é fundamental a testagem de todos os participantes”, argumenta Marco Polónio que assim questiona, afinal que validade têm os certificados de vacinação.

Face à situação a organização do festival tentou, sem sucesso pedir uma reunião com as autoridades de saúde locais, mostram-se inclusivamente disponíveis para alterar o plano de contingência. Mas ficaram sem resposta até ao momento. Perante o imprevisto, resolveram adiar o festival para 2022, sendo que os contratos com os artistas internacionais já estavam celebrados e já havia todo um investimento feito.

Marco Polónio que fala num prejuízo de milhares de euros quer manter o compromisso com o público e diz que vai devolver o dinheiro aos festivaleiros, mas também prevê manter válidos os bilhetes, para quem quiser, até ao próximo ano.

O promotor do festival lembra que “logisticamente e financeiramente é impossível chegar a uma testagem de 18 mil pessoas por dia”. Marco Polónio faz mesmo um paralelo: “A DGS queria que nós num dia fizéssemos testes a um concelho inteiro de Portugal."

Marco Polónio que denuncia uma situação que considera “surreal”, vai mais longe. Questiona-se como será em eventos como os jogos de futebol previstos para dezembro nos concelhos a norte de Portugal.

“Estou curioso para ver o que vai acontecer nos jogos de futebol do Braga, do Guimarães, do Porto que é tudo nos estádios do Norte. Também são jogos em dezembro e têm aglomeração de pessoas”, conclui Marco Polónio.

A empresa Malpevent lamenta esta situação e o que diz serem “os sinais dados pelo Governo” para que empresas nacionais avancem “com investimentos significativos” e denuncia que casos como este “poderão colocar em risco a saúde do sector e a segurança de milhares de postos de trabalho”, numa altura em que já se preparavam as montagens do recinto.

O Authentica ficou adiado. A edição de estreia será dias 9 e 10 de dezembro de 2022. A organização assume que está a encetar desde já todos os esforços para tentar garantir o mesmo cartaz e confirma que os bilhetes já adquiridos são válidos para a próxima edição, mas admite que quem quiser o reembolso da entrada, isso está assegurado. O prazo de reembolso terminará a 11 de janeiro de 2022.

Entretanto, a DGS demarca-se da decisão do delegado de Saúde de Braga, uma vez que a Comissão Técnica para os Eventos de Massas Covid-19 nunca recebeu qualquer solicitação relativa a este evento.

[notícia atualizada às 19h55 com a posição da Direção-Geral da Saúde]

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