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Papa desafia artistas a serem a “consciência crítica da sociedade”

23 jun, 2023 - 12:24 • Maria João Costa com José Pedro Frazão

Francisco juntou na Capela Sistina várias figuras da cultura, entre as quais sete portugueses. Conversamos com José Luís Peixoto e Vhils sobre o encontro.

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O Papa Francisco reuniu esta sexta-feira, na Capela Sistina, no Vaticano, cerca de 200 criadores, entre artistas plásticos, arquitetos, escritores e músicos. Sete dos convidados eram portugueses. No evento, Francisco desafiou os agentes da cultura a serem a “consciência crítica da sociedade”, denunciando desigualdades e o egoísmo.

Segundo as palavras do Papa, “a arte e a fé não podem deixar as coisas como estão”, têm o poder de as mudar, transformar e converter. No encontro, que marcou os 50 anos da inauguração da coleção de arte moderna e contemporânea dos Museus do Vaticano, o Papa referiu-se ainda aos artistas como “aliados” na “defesa da vida humana” e da “justiça social”, bem como da “casa comum”.

Entre os convidados portugueses estiveram o músico Pedro Abrunhosa, os escritores Gonçalo M. Tavares e José Luís Peixoto, os artistas plásticos Rui Chafes, Joana Vasconcelos, VHILS e a arquiteta Marta Braga Rodrigues.

À Renascença, José Luís Peixoto admite que este encontro “de muito talento” o “marcou”. O autor de “Morreste-me” fala em honra e prazer por ter sido um dos que foi convidado para este encontro com Francisco.

Peixoto ouviu Francisco falar “da arte, das ligações entre a arte, da procura da consciência e da verdade, e da obrigação para com o outro”. O escritor, que sublinha a “faceta de Humanidade que a arte sempre tem”, expressa assim a sua satisfação com o encontro.

José Luis Peixoto diz à Renascença ter encontrado um Papa com grande “resistência humana”.

Sabemos que neste momento, em que se apresenta a recuperar de uma cirurgia, apresenta-se com uma mostra de grande resistência humana. É alguém que tem um propósito muito grande, por isso é, sem dúvida, uma grande inspiração para qualquer artista, como os que aqui estiveram no Vaticano”, remata.

Também presente no encontro esteve o artista VHILS que à Renascença destacou a admiração pelo Papa, “por tudo o que está a fazer pelo diálogo inter-religioso, paz e toda a postura reformista que tem”.

O discurso do Papa, em italiano, foi longamente aplaudido pelos presentes. Na primeira fila estava D. José Tolentino Mendonça, presidente do Dicastério para a Cultura e a Educação. Durante o discurso, destacou o papel dos artistas como “sentinelas do verdadeiro sentido religioso, por vezes banalizado ou comercializado” e elogiou a “profundidade inesgotável” da arte, num tempo em que muitos “têm dificuldade em ver a vida como uma realidade multifacetada”.

Francisco deixou ainda um apelo a uma renovada “aliança” entre a Igreja e os artistas.

“É preciso lançar a luz da esperança nas trevas da humanidade, do individualismo e da indiferença” apontou o Papa que pediu aos criadores contemporâneos para ajudarem a “vislumbrar a luz” e a “beleza que salva”.

Organizado pelo Dicastério para a Cultura e a Educação, presidido pelo Cardeal D. José Tolentino Mendonça, em colaboração com o Governo do Estado da Cidade do Vaticano, os Museus do Vaticano e o Dicastério para a Comunicação, este encontro reuniu criadores de vários países.

Presentes na Capela Sistina estiveram, entre outros, do Brasil, o músico Caetano Veloso e o artista plástico Vik Muniz, de Angola o músico Paulo Flores e o artista plástico Pedro A.H. Paixão; de França

De França esteve presente o prémio Pritzker, o arquiteto Jean Nouvel, de Itália, a maior delegação presente incluiu por exemplo, o compositor Ludovico Einaudi e a escritora Susanna Tamaro. Outro dos convidados foi o arquiteto, autor do projeto da Casa da Música, Rem Koolhaas. De Espanha a delegação incluiu o escritor Javier Cercas.

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