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​Patriarcado de Moscovo acusa Papa de "deturpar" conversa com Kirill

04 mai, 2022 - 17:25 • Ana Lisboa

Governo russo anunciou, entretanto, que não haverá encontro entre o Presidente Putin e o Santo Padre por não ter sido alcançado um "acordo".

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O Patriarcado Ortodoxo de Moscovo emitiu esta quarta-feira um comunicado em reação à entrevista concedida pelo Papa ao jornal italiano “Corriere della Sera”, alegando que Francisco "deturpou a sua conversa" com o Patriarca Kirill.

O documento do Departamento das Relações Externas da Igreja Ortodoxa Russa diz que o Patriarcado refere-se, concretamente, à conversa tida pelos dois líderes religiosos no dia 16 de março.

A nota diz ser "lamentável que um mês e meio depois da conversa com o Patriarca Kirill, o Papa Francisco tenha escolhido um tom errado para relatar esta conversa".

Na entrevista ao “Corriere della Sera”, o Santo Padre disse que o Patriarca de Moscovo passou os primeiros 20 minutos a dar "justificações" para a guerra na Ucrânia.

O Papa respondeu-lhe: "Irmão, não somos clérigos do Estado, não podemos usar a linguagem da política, mas sim a de Jesus".

Francisco disse ainda ao líder ortodoxo que "não se podia transformar no acólito de Putin".

O mesmo comunicado salienta que "declarações destas dificilmente contribuem para que se estabeleça um diálogo construtivo entre as Igrejas Católica Romana e Ortodoxa Russa que é particularmente necessário neste momento".

Entretanto, o Governo de Moscovo reage e adianta que não haverá, de momento, um encontro entre o Papa e o Presidente russo, Vladimir Putin, conforme tinha sido pedido pelo Santo Padre.

A confirmação foi feita esta quarta-feira pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Este responsável acrescentou que Moscovo e o Vaticano "não alcançaram um acordo" para esta audiência que tinha a ver com a guerra na Ucrânia.

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