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Abusos sexuais na Igreja. Bento XVI admite ter prestado informação errada

24 jan, 2022 - 13:36 • Henrique Cunha

Papa emérito negou participação numa reunião, em 1980, em que se discutia um caso de pedofilia por parte de um sacerdote.

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O Papa emérito Bento XVI admite ter prestado informação errada em inquérito de abusos sexuais na Igreja alemã.

Num comunicado enviado à Agência Católica de Notícias da Alemanha (KNA), o secretário particular de Bento XVI adianta que o Papa emérito reconhece que esteve presente numa reunião de 1980 em que se discutia um caso de pedofilia.

Bento XVI reconhece que “erroneamente foi afirmado que não compareceu na importante reunião” de 15 de outubro de 1980.

No comunicado é dito que o erro “não foi cometido de má-fé” e que o Papa emérito “está muito arrependido” por isso e pede desculpas.

Contudo, a nota esclarece que, na dita reunião, “não foi tomada nenhuma decisão sobre a missão pastoral do padre em questão”.

No comunicado, Bento XVI que foi arcebispo de Munique entre 1977 e 1982, reafirma a sua intenção de dar todos os esclarecimentos e adianta que, neste momento, “está a ler cuidadosamente” as declarações contidas no relatório independente sobre abusos sexuais na arquidiocese católica de Munique e Frisinga, que o enchem de “vergonha e dor perante o sofrimento das vítimas”.

O relatório do escritório de advogados Westpfahl Spilker Wastl (WSW) revela que, num caso, um padre foi transferido de Essen, na Alemanha Ocidental - onde tinha sido acusado de ter abusado de um rapaz de 11 anos - para Munique.

Os advogados mostraram-se surpreendidos por Bento XVI ter negado participação na dita reunião.

Informação que agora é corrigida com um sublinhado por parte do secretário pessoal do Papa emérito: “Ele gostaria de deixar claro agora que, ao contrário do que foi afirmado na audiência, ele participou na reunião ordinária a 15 de janeiro de 1980.”

Bento XVI acusado de encobrir casos


O Papa Bento XVI foi acusado de ter encoberto quatro casos de abuso de menores e de não ter comunicado o sucedido ao Vaticano.

A acusação fazia parte do relatório do escritório de advogados WSW, a quem a Arquidiocese de Munique e Freising pedira que investigasse casos de abusos de menores ocorridos na arquidiocese, entre 1945 e 2019.

De acordo com Martin Pusch, advogado da empresa, o então Cardeal Ratzinger terá permitido que os alegados abusadores permanecessem no ativo.

O secretário pessoal do Papa Emérito rejeitou as acusações. Ouvido pela ZDF, Georg Ganswein negou que Bento XVI tivesse tido conhecimento da história prévia do sacerdote em causa, nomeadamente das acusações de agressão sexual, o que significa que “não violou a sua obrigação de informar Roma”.

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