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Europa tem de recuperar as raízes cristãs e defender a Vida

30 out, 2021 - 23:11 • Ana Carrilho

​O futuro da Europa, as questões da vida, da dignidade, da liberdade, das famílias, da demografia, estiveram no centro do debate que decorreu este sábado na Universidade Católica no V Forum Europeu, organizado pela Federação Europeia One of Us em parceria com a Federação portuguesa pela Vida.

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Nas intervenções dos diversos especialistas de diversos países, no V Forum Europeu, organizado pela Federação Europeia One of Us em parceria com a Federação portuguesa pela Vida, ficou clara a necessidade da Igreja e dos cristãos assumirem um papel de maior protagonismo na defesa de grandes causas, a começar pela Vida humana. O que também implica um regresso às origens cristãs da Europa.

Foi D. Nuno Brás, bispo do Funchal, quem lançou a questão: podemos ou não falar de uma “alma europeia” e que caminhos temos que percorrer?

O prelado, delegado da Conferência Episcopal portuguesa para a Comissão dos Episcopados da União Europeia, lamentou que a Europa do século XXI já pouco tenha a ver com a raiz do modo de ser europeu e que desvalorize a vida humana. “A vida (humana) viu-se reduzida a um objeto”.

Ao contrário do que acontece noutros continentes, na Europa o cristianismo reduziu-se “a olhos vistos” e “os escândalos de abusos ampliados e sublinhados, mas vergonhosamente reais vão paulatinamente afastando os poucos que ainda ousam ter a fé como referência”.

D. Nuno Brás lembrou as palavras do Papa Francisco questionando se os cristãos do século XXI serão capazes de contribuir significativamente para a definição de uma verdadeira alma europeia na nova época que desponta.

O bispo do Funchal considera que há feridas de uma Igreja que aceitou anunciar o Evangelho. “Doem-nos e estão à vista de todos; não os orgulhamos de muitas delas, pelo contrário até nos envergonhamos da sua existência porque significam uma traição ao Evangelho e tornam Jesus Cristo menos credível”.

Mas deixa o desafio: temos que tomar a sério as interpelações que a sociedade europeia nos faz. Lembra ainda que ao longo da sua história a

Igreja se viu marcada por feridas, sismas, escândalos, crises, divisões internas, ataques e perseguições. Mas nunca foram impedimento para que “entre os escombros, surgisse a santidade a dar alma ao mundo. E frisa que Deus confia nos cristãos europeus do século XXI para voltar a propor um ideal concreto de vida cristã, num novo modo de viver em que a Europa não poderá ignorar as suas raízes. O que implica um grande trabalho das comunidades cristãs.

Também D. José Ignacio Aguirre, dispo de San Sebastian, considera que a europa vive de costas voltadas para a sua herança cristã e está a os seus valores.

“O novo dogma é a ideologia do género, que se atreve a redefinir o conceito de dignidade humana, a antropologia que despreza o matrimónio natural, despoja a família da sua identidade como célula base da sociedade”.

O bispo espanhol considera que o intervencionismo público é cada vez maior, “há cada vez mais Estado e menos sociedade”, nomeadamente na educação, em o Estado impõe o direito educativo, retirando a liberdade de escolha às famílias. Para D. José Aguirre nada disso aconteceria se as raízes culturais e religiosas da Europa tivessem maior vitalidade.

Nas conclusões deste painel sobre “As raízes judaico-cristãs da Europa, o moderador José Ribeiro e Castro afirmou que o trabalho que é requerido aos cristãos é de revelação: querem impor-nos uma cultura e uma civilização baseada na ignorância e no obscurantismo. Quem nega que uma vida humana é singular e existe desde o primeiro momento é um militante da ignorância e do obscurantismo. E quem nega a dualidade homem-mulher quer construir uma sociedade baseada na ignorância e nós temos de os confrontar”.

Ecologistas não estão do nosso lado porque defendemos os inconvenientes

No painel sobre a “Ecologia integral e a defesa da Vida no futuro da Europa”,o professor universitário João César das Neves optou por encontrar explicações para o facto da causa da defesa da Vida humana não ter o apoio dos ecologistas.

“Não se fala do futuro da Europa sem falar de Ecologia. Quem defende os animais e o ambiente também devia defender os embriões. Então porque os ecologistas não estão do nosso lado, porque é que não aceitam os nossos argumentos? questionou o economista, para logo dar a resposta.

João César das Neves “desmontou” três argumentos “excelentes”, mas que não funcionam. Especialmente aquele que considera central, o da dignidade humana. A Europa seria o local ideal para defender este direito fundamental, porque o tem feito antes de todas as zonas do mundo.

No entanto, argumenta o académico, isso não acontece porque essa defesa de dignidade é feita para pessoas “convenientes” (mulheres, operários, presos, condenados, migrantes, etc). “Nós estamos a defender os inconvenientes, às vezes extremamente inconvenientes”.

“Não há ninguém mais inconveniente que um bebé que a própria mãe não quer, um idoso ou um doente que a família quer ver morto. E são estes que estamos a defender. E por isso, vamos ter sempre contra nós uma série de pessoas que são boas, sérias, capazes, mas que estão contra nós porque os nossos argumentos embatem sempre contra a parede da inconveniência”, conclui César das Neves.

Julio Tudela Cuenca, diretor do Observatório de Bioética da Universidade de Valência frisou que a defesa da Vida, é por vezes, uma tarefa arriscada. E denunciou casos de perseguição em Espanha, contra a Vida e contra os que a defendem.

O especialista lamentou que o governo socialista espanhol tenha aprovado a Eutanásia: “todos os anos há 75 mil pessoas que morrem em grande sofrimento porque não têm acesso a cuidados paliativos. Mas em vez de investir neles, o governo prefere defender a morte”.

Por outro lado, diz que o governo ameaça com prisão todos os que se manifestam frente às clínicas em que se pratica o aborto. E deixa uma certeza: o aborto e a eutanásia não são atos médicos e por isso os clínicos e os profissionais de saúde não devem alinhar nestas práticas.

O Fórum Europeu “Vida, Dignidade, Liberdade” termina amanhã com uma visita a Fátima.

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