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Moçambique. Bispo de Pemba pode ser ouvido no Parlamento Europeu

20 nov, 2020 - 17:13 • Ana Lisboa

A crise humanitária que se vive em Cabo Delgado, em consequência da violência terrorista, está a ser seguida com preocupação pelo Partido Popular Europeu que esteve reunido esta semana para falar sobre o assunto.

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O agravamento da situação humanitária na Província moçambicana de Cabo Delgado poderá levar o Partido Popular Europeu a propor uma audição do Bispo de Pemba na Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento Europeu.

A informação foi revelada pelo eurodeputado Paulo Rangel, em declarações à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

O também vice-presidente do PPE considera que a audição de D. Luiz Lisboa será "altamente inspiradora".

A ideia de agendar a audição do Bispo de Pemba tem a ver com o facto de ser "improvável" um novo debate do plenário, uma vez que o tema dos ataques terroristas já foi debatido pelos eurodeputados em Setembro passado e "com doutrina fixada".

Daí que a audição seja o caminho mais provável para que a questão do apoio humanitário às populações moçambicanas vítimas do terrorismo volte a ser debatido ao mais alto nível.

Nesse sentido, Paulo Rangel diz que "gostaríamos de ter seguramente o Bispo de Pemba e eventualmente até a autoridade, isto é, o Governador de Cabo Delgado, e que eles pudessem dar um testemunho na primeira pessoa". Em seu entender, este testemunho seria fundamental "para acelerar as coisas".

O eurodeputado português mostra-se muito crítico face "ao pouco que tem sido feito a nível internacional no apoio às populações de Cabo Delgado, vítimas de ataques terroristas desde Outubro de 2017", situação que se tem agravado significativamente nos últimos meses.

O vice-presidente do PPE admite mesmo que "a União Europeia tem feito pouco” e que "o governo de moçambique também tem aqui responsabilidades, porque tem sido muito lento, muito fechado, sempre a tentar não dar a esta situação o relevo que ela tem".

Rangel aponta o dedo também ao governo português, afirmando que "não tem feito o suficiente". E aproveita para lembrar que Portugal vai ter a presidência da União Europeia já a partir de Janeiro e, por isso, "está sob o foco".

Este responsável reconhece que a situação é "absolutamente explosiva" com o agravamento das condições humanitárias.

De acordo com as estatísticas da ONU, haverá cerca de 315 mil deslocados, mas o eurodeputado diz que o Bispo lhe garantiu que "seguramente são mais de 500 mil deslocados".

Esta situação está a provocar uma pressão junto das organizações que procuram dar resposta às necessidades das populações que fogem dos conflitos e da violência.

Paulo Rangel explica que a informação que tem é que "Pemba e os arredores são os casos mais claros de sobrelotação" e que estão a chegar a "um ponto insustentável". Mas até em cidades mais distantes, como Nampula, "já se começa a sentir essa pressão". Quanto à Província de Cabo Delgado, a situação é "dramática".

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre já neste mês de Novembro enviou uma ajuda de emergência no valor de 100 mil euros para "apoiar as dioceses envolvidas no acolhimento aos deslocados".

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