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Pastoral da Família

Educar para quê? Para a responsabilidade, para a liberdade e para a verdade

06 nov, 2020 - 19:45 • Filipe d'Avillez

No primeiro de quatro webinars organizados pela Pastoral da Família discutiu-se o sentido e os desafios da educação em casa. Qual é, afinal o papel dos pais na educação dos seus filhos na fé? Nada melhor que deixar a resposta a quem tem experiência.

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“Pais e filhos, educar para quê?” Foi este o tema de uma conferência e mesa redonda promovidas pela Pastoral da Família, online, como convém em tempos de pandemia.

A sessão começou com as boas vindas dadas pelo Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, que sublinhou o facto de a proposta cristã da família ser de validade perene.

“A oportunidade é total, porque hoje de uma maneira particular o projeto matrimonial cristão, quer no que diz respeito á constituição de família, quer no que diz respeito à educação, tem desafios muito grandes. Sempre teve, desde que Jesus Cristo o apresentou, mas hoje em dia, por tantas contradições próprias da cultura e da mentalidade contemporânea, ele precisa muito de ser reforçado”, disse, recordando que “geração após geração as famílias cristãs têm mantido este ideal.”

“Muito do que à educação diz respeito já se passa fora do ambiente familiar, quer pelo impacto dos média, quer pelo sistema escolar e a transmissão de conhecimentos que a sociedade faz. Nem sempre encontra aí o eco da proposta familiar cristã. Por isso é preciso que os pais e educadores cristãos se reforcem para mostrar pelo exemplo o que é a felicidade, a possibilidade e conveniência deste projeto matrimonial cristão”, concluiu o Patriarca.

A seguir a palavra passou para o padre Duarte da Cunha que, através da história ficcionada do jovem António, realçou a importância de os pais educarem para a responsabilidade – que pode passar pela intervenção na sociedade, defendendo causas como a dignidade da vida ou ajudando os mais vulneráveis – e para a verdade – dando como exemplo a importância de conhecer a realidade, de ir ao fundo das questões e de dizer a verdade mesmo quando custa e quando a batota, a cábula ou a mentira são mais sedutoras.

O percurso exposto pelo padre Duarte da Cunha assenta assim em cinco pontos: o amor à verdade; a busca da liberdade autêntica; a maturidade ao nível dos afetos, chave para poder ter uma relação saudável e com futuro com uma namorada; o compromisso social, o que no caso desta história toma a forma da militância contra a eutanásia e por fim o reconhecimento do lugar de Deus na sua vida.

A história do António termina com os seus pais a dar o exemplo pessoal da importância nas suas vidas de uma relação pessoal com Cristo. “Foi nessa altura que o pai, assim quase que solenemente, lembrou que tudo o que se pode fazer para ajudar é bom, mas o importante mesmo é tomar consciência de que não estamos neste mundo por acaso. E falou da importância da fé, a oração, da santidade. Os miúdos estavam impressionados como o pai lhes falou de Deus e da oração e perceberam que Jesus Cristo era mesmo importante para os pais. Eles sempre tinham ido à missa, por vezes sem grande vontade, é verdade, mas agora o pai abria-se e mostrava que tinha mesmo amor a Jesus.”

“Ele fez ver que a vida não pode ser um conjunto de caixas separadas e que só quando todos os aspetos da vida estão unidos, através da relação com Deus, ela é mesmo vida”, explico o sacerdote, que mais tarde, na mesa redonda voltaria a chamar atenção para a importância deste exemplo pessoal na transmissão da fé, dizendo que se uma família transmite aos filhos que a missa é uma obrigação, e não um valor, mais facilmente estes o irão rejeitar quando forem autónomos.

"A verdade é o amor de Cristo por nós"

A mesa redonda, também virtual, foi protagonizada pelos casais Marta e Mário Dias, pais de cinco filhos e membros da Comunidade Neocatecumenal, na Brandoa e a Maria e o Luís Goes, pais de sete filhos e ativos no movimento de Schoenstatt. Laurinda Alves moderou.

A conversa, tanto na parte testemunhal como nas perguntas e respostas, andou muito em torno dos exemplos práticos de como transmitir a fé aos filhos num mundo muitas vezes adverso.

“É uma missão que assumimos com muita alegria e gratidão. A mesma com a qual sonhámos no namoro e que fomos contruindo quando casámos. Com cada um dos nossos filhos foi sempre o objetivo criar uma relação afetiva forte e verdadeira, que nos permitisse construir com eles laços profundos e duradouros e transformadores”, explica Marta Goes.

“Quando estamos à conversa com todos à volta da mesa, nada nos dá mais gozo que ouvir sete opiniões diferentes, cada uma com a sua fundamentação, cada uma com liberdade e a saber que tem a sua voz e que será ouvida e validada”, acrescenta o seu marido Luís.

Com o casal Goes a realçar a importância da responsabilização dos filhos, para que sejam capazes de tomar decisões verdadeiramente livres, os Dias sublinharam o papel central da verdade, e não uma verdade qualquer, mas uma verdade com nome próprio.

“Eu gosto muito dos meus filhos, quero que gostem de mim, mas quero sempre dizer-lhes a verdade. E a verdade às vezes é difícil. É importante dizer sempre a verdade, mesmo que eles se revoltem. E a verdade é o amor de Cristo por cada um. A verdade é que nós somos filhos de Deus. Somos quem somos, não somos quem queremos ser”, diz Mário Dias.

Marta Dias falou da importância de apresentar aos filhos diferentes realidades dentro da Igreja, reconhecendo que cada um é diferente e poderá ter sensibilidade para diferentes movimentos ou formas de viver a fé. “É por isso que para nós é tão importante estarem no Caminho Neocatecumenal, na Catequese e no Escutismo, para poderem descobrir a Igreja nas várias realidades. Podem não querer o Caminho e é importante poderem manter uma ligação à Igreja noutra realidade e perceberem que Jesus está na Igreja não apenas numa realidade, mas em todas”, considera.

Este foi o primeiro de quatro webinars organizados pela Pastoral da Família. O objetivo destas sessões, para além da formação pessoal e em família, é de contribuir para as jornadas da Pastoral da Família e para a criação, mais tarde, de uma Escola de Pais para ajudar as famílias, correspondendo assim à solicitação feita por D. Manuel Clemente, na abertura.

A próxima sessão realiza-se no dia 12 de novembro, com o tema “Serão os pais competentes para educar?” e conta com a presença de Ana Teresa brito, Ricardo Zózimo, Joana Siqueira e Filipa Fonseca.

“O valor dos adultos para as crianças e jovens”, com contribuições de Henrique Leitão, Joana e José Quintela, Maria Patrocínio e Filipa Carvalho será o tema no dia 3 de dezembro e no dia 10 o ciclo termina com um seminário dedicado à “Liberdade de Educação”, que contará com a presença de Miguel Assis Raimundo, Catarina Teixeira Duarte, Pedro Morais Vaz e a Inês e o Jaime Forero.

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