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José Gil alerta para o perigo da falta de resposta eficaz da democracia face ao Chega

21 fev, 2024 - 18:44 • Maria João Costa

À margem da sessão inaugural do Festival Correntes d’Escritas na Póvoa de Varzim, o filósofo fala de um “rebaixamento do espírito, da moral e do comportamento cívico” provocado pela subida do Chega. O académico aponta a “estupidificação e a falta de decência democrática” como fatores.

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A pergunta foi direta, quanto direta foi a resposta de José Gil. Quando a Renascença pediu ao filósofo que detalhasse quais os perigos concretos que a democracia portuguesa vive, à beira das eleições, o ensaísta respondeu com uma só palavra: “Chega”.

Em entrevista, à margem da sessão inaugural do Festival Correntes d’Escritas, o filósofo apontou como perigo “a falta de resposta eficaz da democracia”. Na sua opinião, a subida do Chega revela “a estupidificação, a perda total da decência democrática”.

Mas José Gil vai mais longe. Aponta também como fatores para o aumento da popularidade da extrema-direita, “o rebaixamento do espírito, da moral e do comportamento cívico”. “Tudo isso está no Chega”, aponta o académico.

“A mentira, a possibilidade de fazer tudo, e de ir contra a democracia, o não respeito dos outros, quer dizer, o que está implícito no comportamento, na retórica do Chega é indizível”, sublinha o autor de “Morte e Democracia” (ed. Relógio d’Água).

Questionada pela Renascença de como é que se pode ignorar o voto dos portugueses que votarão no Chega, José Gil diz que não pode ser ignorado, mas lembra, dizendo que não é politico, que muitas vezes “o que os políticos democratas fazem está errado, descobre-se no dia seguinte que está errado”.

Já interrogado sobre se a ascensão do Chega está relacionada com a degradação dos conceitos que sustentam a democracia, José Gil, corrige a pergunta da Renascença referindo que não são os conceitos, mas sim, os valores que estão de degradação.

Contudo, o filósofo remete essa degradação para uma escala mais global. Diz que não é apenas um problema de Portugal e dá como exemplo o caso das Filipinas. “Isso é uma pergunta que podia pôr a um filipino que tem um regime de extrema-direita. Podia perguntar-lhe, portanto, é uma questão que é planetária”, remata o ensaísta.

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