A+ / A-

Ministro no Parlamento

Medina diz que só esteve com Alexandra Reis "uma vez" quando era autarca em Lisboa

06 jan, 2023 - 15:38 • Diogo Camilo

Ministro das Finanças assume que assinou nomeação da ex-secretária de Estado para a direção da NAV, mas “por proposta do Ministério das Infraestruturas". Deputados acusam Medina de “gastar o tempo a responder a questões que ninguém perguntou”.

A+ / A-

Veja também:


O ministro das Finanças, Fernando Medina, diz que só esteve uma vez com a antiga secretária de Estado, enquanto era autarca de Lisboa e esta era gestora na TAP, e atira culpas ao Ministério das Infraestruturas na nomeação de Alexandra Reis para a NAV.

Numa audição em que deputados acusaram Medina de “gastar o tempo a responder a questões que ninguém perguntou” e evitar perguntas, o deputado do PSD Hugo Carneiro questionou o ministro se conhecia Alexandra Reis aquando da sua contratação.

Medina diz que só esteve “pessoalmente” com a ex-governante uma vez, quando este era ainda presidente da Câmara Municipal de Lisboa e estando a gestora acompanhada pelo CEO da TAP.

“Estamos neste domínio do ridículo e do insultuoso da acusação. Alexandra Reis não faz, nem fez parte do nosso grupo de amigos. [Sobre a indemnização], volto a afirmar tudo o que tenho dito. Não sabia porque não era membro do Governo. Não tomei a decisão. Quando fui confrontado com a decisão, quando tive conhecimento através da comunicação social, assumi a responsabilidade”, disse.

Questionado sobre uma notícia publicada no semanário Expresso em maio de 2022, que dava conta de que a ex-administradora da TAP iria para a administração da NAV, que referia uma “indemnização milionária” indicada por fontes internas da companhia aérea, Medina disse: “As minhas fontes não são notícias de jornais.”

Descrevendo Alexandra Reis como uma pessoa com “currículo firmado”, Medina assegura que tomou a decisão de a nomear como secretária de Estado do Tesouro “algumas semanas” antes da nomeação ter sido conhecida.

O ministro das Finanças assume ter assinado o despacho de nomeação de Alexandra Reis para a direção da NAV, mas “por proposta do Ministério das Infraestruturas, a quem compete essa indicação”.

Insistindo sobre o assunto, Hugo Carneiro questionou se Medina “não achou estranho” a transição da gestora da TAP para a NAV em tão pouco tempo, com o ministro a referir que a nomeação cabia ao Ministério das Infraestruturas, que fazia um “balanço positivo” da gestora.

O ministro referiu ainda que à sua tutela está o cargo de administrador financeiro da empresa pública responsável pelo controlo do tráfego aéreo em Portugal.

A audição acontece após um pedido potestativo do PSD, que obrigou Fernando Medina a comparecer na Comissão de Finanças para falar sobre a polémica em torno da indemnização paga a Alexandra Reis pela TAP.

O direito dos sociais-democratas foi avançado após o PS ter chumbado os requerimentos para ouvir o ex-ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, o ministro das Finanças, a ex-secretária de Estado do Tesouro, Alexandra Reis, o presidente do Conselho de Administração da TAP, Manuel Beja, e a presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener.

Alexandra Reis foi demitida a 27 de dezembro por Medina das funções de secretária de Estado do Tesouro, menos de um mês depois de ter sido nomeada para o Governo e quatro dias depois do início da polémica com a indemnização de 500 mil euros que a ex-governante recebeu como administradora da TAP.

Pedro Nuno Santos demitiu-se no dia seguinte, assumindo a “responsabilidade política" do caso, dado que a empresa era tutelada pelo seu Ministério das Infraestruturas.

Saiba Mais
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+