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Caso dos refugiados ucranianos. IL vai chamar chefe de "secreta" ao Parlamento

04 mai, 2022 - 17:51 • Pedro Mesquita , com redação

Iniciativa Liberal quer saber o que fez a secreta, na dependência direta do primeiro-ministro, após receber alertas de que associações pró-Putin poderiam receber refugiados ucranianos.

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A Iniciativa Liberal (IL) vai chamar ao Parlamento a secretária-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Graça Mira Gomes, para esclarecimentos sobre o caso dos refugiados ucranianos recebidos por associações pró-Putin.

O pedido foi avançado à Renascença pelo líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Rodrigo Saraiva.

"Gostaríamos de questionar o senhor primeiro-ministro sobre este tema, mas o primeiro-ministro não vem às comissões parlamentares no âmbito do Orçamento do Estado das tutelas que tem. Por isso, nós temos que ir ao serviço diretamente pelo primeiro-ministro, que é o SIRP, que foi quem recebeu esta carta”, refere o deputado da IL.

Rodrigo Saraiva vai perguntar o que fizeram os Serviços de Informações depois de “terem recebido esta carta, este apelo de ajuda e as denúncias da Associação de Ucranianos em Portugal”.

Nestas declarações à Renascença, o líder parlamentar da IL lamenta que “não tenha existido da parte de responsáveis nacionais e locais o mero bom senso de não colocarem pessoas de origem russa a receber pessoas de origem ucraniana - por mais sérias e honestas que sejam essas pessoas”.

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Rodrigo Saraiva em declarações à Renascença

O deputado do PSD, Ricardo Batista Leite, afirma que o partido "apoiará, naturalmente" a audição da secretária-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP).

À Renascença, Ricardo Batista Leite diz que está em jogo "um interesse de segurança nacional" e que, portanto, apoia a posição tomada pela Iniciativa Liberal (IL).

No entanto, o deputado social-democrata recusou fazer uma avaliação antes de se ouvir todas as partes, incluindo o primeiro-ministro, António Costa.

O Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), organismo público na dependência direta do primeiro-ministro, foi informado do caso dos refugiados ucranianos, por carta, há um mês (consulte o documento em PDF).

A informação foi avançada à Renascença pelo presidente da Associação de Ucranianos em Portugal, Pavlo Sadokha.

O email a denunciar que refugiados estavam a ser recebidos por associações pró-Rússia foi enviado a 2 de abril e não obteve resposta, até agora.

O email enviado pela Associação de Ucranianos ao Sistema de Informações da República, a 2 de abril, denunciava a atividade de propaganda e desinformação de diversas organizações russas - próximas do Kremlin - que, por via de algumas ONGs criadas em Portugal, estariam na altura a preparar-se para acolher refugiados ucranianos.

O email diz que essas organizações - incluindo a Fundação Russki Mir - criaram associações em Portugal, que apesar de se apresentarem como multiculturais, nos seus estatutos, estão na realidade ligados à embaixada da Federação Russa.

A mensagem eletrónica - a que a Renascença teve acesso- inclui um dossier detalhado sobre as organizações e os seus agentes de influência da embaixada russa em Portugal.

Lê-se depois que "o agravante desta situação é que essas organizações são reconhecidas, em Portugal, pelo ACM - o Alto Comissariado para as Migrações".

É também referido que "a Associação dos Ucranianos em Portugal, bem como a embaixada, por várias vezes alertaram o ACM e os respetivos secretários de Estado da tutela sobre o inaceitável facto de a comunidade ucraniana em Portugal ser representada por associações que fazem parte de instituições de propaganda russa".

Este mail dirigido pela associação de ucranianos ao Sistema de Informações da República, a 2 de abril, apresenta em link as informações avançadas pela Renascença, a 24 de março e a 1 de abril.

[Notícia atualizada às 22h00]

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