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Conferência Nacional do Bloco de Esquerda

Conferência Nacional BE. "Não somos uma equipa de futebol, que troca de treinador quando perde"

30 abr, 2022 - 21:53 • Tomás Anjinho Chagas

“Vários” pedidos de eleições internas antecipadas, muito “confronto político” ou um “bom debate”? Assim foi a Conferência Nacional do Bloco de Esquerda aos olhos dos militantes que lá estiveram.

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“Perder é sempre perder. Mas nós não somos uma equipa de futebol, que troca de treinador quando perde”, diz à Renascença um militante, no final da Conferência Nacional, este sábado, na Universidade de Lisboa.

Carlos Freitas veio de Barcelos, acordou às 5h00 para vir a este encontro do Bloco de Esquerda. Acredita que o “confronto político existe sempre”, mas admite que com a “atual situação política” a oposição interna falou mais alto do que em outras vezes.

Na sequência das eleições legislativas de 30 de janeiro, o Bloco de Esquerda perdeu 14 deputados. Desceu de 19 para cinco assentos parlamentares, e as vozes críticas pedem a antecipação da Convenção, que elege a direção do partido.

Fonte da oposição à direção de Catarina Martins diz à Renascença que o “confronto político” foi “sem dúvida” maior do que o habitual em encontros entre militantes bloquistas. Fala numa Conferência “inconsequente” onde foram feitos “ataques desmesurados à Convergência (movimento de oposição interna do BE)”.

Esta fonte relata “vários” momentos nos discursos dos militantes onde foram feitos apelos para antecipar a Convenção, que elege uma nova direção. E afirma que a liderança do Bloco de Esquerda acusou este movimento de “lançar uma caçada à direção” e de jogar “nas tricas da imprensa”.

Mas a direção nacional do Bloco de Esquerda descreve um encontro diferente. À Renascença dá conta de “um bom debate” e de um “bom confronto com o grupo convergência”. Além disso, rejeita que o confronto tenha sido maior nesta Conferência do que em encontros anteriores do partido. “Nem por isso”, escreve à Renascença.

A perceção sobre o que se passou nesta Conferência Nacional é diferente, mediante o militante a quem se pergunta. Patrícia, também militante base, acredita que “é inédito” que os militantes peçam a antecipação das eleições internas. Fala, no entanto, de um grupo “minoritário” dentro do partido, o que explica que a direção do Bloco não aceda a esse pedido.

Veio de Torres Novas, e concorda com a visão de que os resultados eleitorais não devem empurrar Catarina Martins para fora da liderança. Patrícia fala numa perspetiva “de esquerda”, onde os resultados não são essenciais. Descreve a estratégia como “maravilhosa”. Duvida que as últimas eleições legislativas possam ser um sinal de uma eventual extinção do partido. “Acho que não”, diz com um tom confiante à Renascença.

A verdade é que a votação das propostas globais dá razão a quem diz que a oposição é uma minoria. Antes do discurso de Catarina Martins, a proposta global redigida pela atual direção foi aprovada com uma maioria esmagadora, mais de 85% dos votos.

Catarina Martins não refere cisões internas no discurso de encerramento

Certo é que a coordenadora do Bloco de Esquerda não destacou a questão das divisões internas no discurso de encerramento. Nos cerca de 20 minutos que utilizou para falar ao auditório cheio da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Catarina Martins dedicou-se a falar para fora, não para dentro.

Desde os problemas nas alterações climáticas à guerra na Ucrânia, críticas ao PS e à forma como ajudam a extrema-direita, as palavras não mencionaram nem os resultados eleitorais, nem a oposição interna.

Críticas ao PS e posição em relação à guerra na Ucrânia

Perante a plateia, Catarina Martins, aproveitou para colocar a mira no governo. Entre as críticas à forma como está a gerir o aumento de preços generalizado, provocado pela guerra, a líder bloquista acusa o PS de “alimentar o ressentimento social que a extrema-direita explora”, ao não resolver os problemas do país.

Catarina Martins fala num fechar do “breve parêntesis de geringonça” e afirma que António Costa está a “desfazer a tímida recuperação dos salários que teve de aceitar sob a geringonça”, por se recusar a acompanhar as subidas salariais de acordo com os últimos indicadores da inflação.

Em relação à origem destes problemas, a coordenadora do Bloco de Esquerda voltou a condenar o “imperialismo russo”, que considera não ter “desculpa”. Catarina Martins afirma que deve existir uma “solução negociada”, com a saída das tropas russas do solo ucraniano, e com o desarmamento da Ucrânia.

“O que dizemos é o que propôs a Ucrânia logo nos primeiros dias da guerra: o ponto de partida para uma paz duradoura é a retirada russa e a neutralidade militar da Ucrânia”, atira Catarina Martins.

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