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Exército não faz exames antidoping a candidatos dos comandos, despista apenas drogas

29 set, 2022 - 10:30 • Liliana Monteiro

O 138.º curso de comandos tinha previstas, pela primeira vez, cinco revistas de saúde e quatro controlos analíticos. Desde o 126.º curso (onde morreram dois recrutas), que o número de exames clínicos aumentou.

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Três semanas depois de seis instruendos do curso 138 dos comandos se terem sentido mal, e um deles ter mesmo sido sujeito a um transplante de fígado, o processo de averiguações urgente e a Inspeção Técnica Extraordinária abertos pelo Exército ainda não tiveram conclusão.

Por diversas vezes desde então que questionada sobre o assunto a ministra da Defesa, Helena Carreiras, sublinha que aguarda as conclusões de uma investigação que espera “precisa e minuciosa”, conclusões que espera receber muito em breve.

Tal como a Renascença já adiantou algumas fontes do ramo militar revelam que é cada vez mais frequente os candidatos a Comandos terem aspetos muito musculados associados ao consumo de substâncias para desenvolvimento muscular. Por isso, mesmo antes do curso começar são aconselhados a deixar a toma de substâncias que pode comprometer o desempenho e saúde durante as provas do curso.

Quisemos saber que exames clínicos são feitos aos candidatos a Comandos e o Estado Maior do Exército deu a resposta.

Além do despiste de consumo de drogas é feito mais algum despiste toxicológico? Os rastreios antidoping fazem parte da avaliação integrada dos candidatos ou é feita casualmente?

Além do despiste de consumo de drogas, não são feitos outros despistes toxicológicos.

O Exército não realiza rastreios antidoping, os quais têm lugar, normalmente, em contexto de prática desportiva de alta competição.

Após os problemas registados no curso 126.º de comandos, houve mudanças relativas aos exames clínicos e análises realizadas e exigidas para o curso de comandos? Que exames e análises são esses?

Até ao 127.º Curso de Comandos, a avaliação médica contemplava:

- Eletrocardiograma (ECG);

- Controlo analítico + Urina II + Serologias;

- Questionário e Avaliação Médica;

- Avaliação Oftalmológica e Audiológica;

- Avaliação Dentária;

- Radiografia Tórax;

Após o referido Curso, houve mudanças, sendo que para além dos exames clínicos e análises já realizados, foram acrescentados outros.

Assim, atualmente, no âmbito das provas de Avaliação e Seleção dos candidatos ao Curso de Comandos, a avaliação médica contempla:

- Prova de esforço;

- Bioimpedância;

- Eletrocardiograma (ECG);

- Controlo analítico + Urina II + Serologias;

- Questionário e Avaliação Médica;

- Avaliação Oftalmológica e Audiológica;

- Avaliação Dentária;

- Radiografia Tórax;

Adicionalmente, é de referir que para o 138.º Curso de Comandos foram planeadas cinco revistas de saúde, nas 1.ª, 3.ª, 6.ª, 9.ª e 14.ª semanas e quatro momentos de controlo analítico, nas 3.ª, 5.ª, 10.ª e 13.ª semanas do Curso.

Além da avaliação geral da saúde e despiste de drogas tem o Exército, via laboratório militar, capacidade de realização de análises a outras substâncias para grupos grandes como o dos candidatos a comandos? Se não qual a alternativa?

O Exército realiza rastreios toxicológicos aos seus militares, nos quais se inclui o despiste de consumo de drogas.

Existe capacidade instalada de proceder ao alargamento do leque de análises, nomeadamente a realização de rastreios antidoping.

A entidade que realiza estas análises no Exército é a Unidade Militar Laboratorial de Defesa Biológica e Química, nomeadamente o seu Laboratório de Toxicologia e Defesa Química.

No passado dia 19 de setembro (naquela que foi a última informação oficial sobre o instruendo) o Gabinete do Chefe de Estado-Maior do Exército dava conta de que “o militar internado, foi transferido da Unidade de Cuidados Intensivos para o Serviço de Transplantação do Hospital Curry Cabral, resultante da sua situação clínica estabilizada, continuando a evidenciar uma progressiva melhorai do seu estado de saúde”.

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