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Reportagem

Incêndio na Serra da Estrela. "Isto mete medo, ontem aqui parecia um inferno"

11 ago, 2022 - 15:01 • Fábio Monteiro , Rosário Silva

Pelos caminhos sinuosos de uma área natural considerada Património da Humanidade, flagelada pelas chamas desde sábado, moradores lamentam "intransigência" do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

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Foto: Fábio Monteiro/RR
Foto: Fábio Monteiro/RR
Manuel Sequeira não esconde o seu descontentamento pela gestão que é feita no PNSE. Foto: Fábio Monteiro/RR
Manuel Sequeira não esconde o seu descontentamento pela gestão que é feita no PNSE. Foto: Fábio Monteiro/RR
Transporte de máquina de rasto para ajudar a controlar as chamas. Foto: Fábio Monteiro/RR
Transporte de máquina de rasto para ajudar a controlar as chamas. Foto: Fábio Monteiro/RR

A angústia e o medo são, por estes dias, os sentimentos que invadem as populações cercadas pelas chamas em pleno Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE).

Entre Valhelhas, Vale de Amoreira e Sameiro, no concelho da Guarda, área que continua sem comunicações, por caminhos íngremes e de difícil acesso, encontram-se esta quinta-feira rostos impregnados de tristeza e aflição, desde o deflagrar de um incêndio na vizinha Covilhã no passado sábado.

Para Manuel Sequeira, de Vale de Amoreira, as últimas 24 horas só podem ser classificadas como um verdadeiro “inferno”.

“Isto mete medo, ontem à noite aqui parecia um inferno, parecia mesmo”, confessa à Renascença. "Via-se todo um grande clarão que metia medo, e nós temíamos que passasse para aqui alguma fagulha, foi muito complicado”, reconhece este morador, que nunca tinha assistido a nada semelhante.

Ao sentimento de desgosto junta-se uma revolta interior que muitos dos naturais direcionam para “as intransigências” do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), responsável pela gestão desta área classificada pela UNESCO como Património da Humanidade.

“Temos aqui um parque natural e eles não o defendem. Dizem que defendem, porque somos considerados património da UNESCO, mas eles não o defendem porque não deixam fazer certas coisas, como limpezas, fazer uns açudes e também não temos aqui água, temos que ir longe buscá-la”, lamenta Manuel Sequeira.

Já na localidade de Sameiro, completamente rodeada pelas chamas na noite de quarta-feira, a população fez o que pôde e o que não pôde para defender-se, a si e aos seus bens, naquele que o próprio Ministério da Administração Interna já reconheceu ser um incêndio de grande complexidade.

André Biscaia, um jovem de 35 anos que mora na zona da Guarda, tentou auxiliar os pais, mas já não conseguiu entrar na localidade.

“Cheguei ao cruzamento de Valhelhas e só me deixavam ir até ao Vale de Amoreira. Isto foi ontem ao final da tarde. Hoje de manhã já consegui lá chegar, mas porque ainda não estava ninguém a vigiar, embora a situação esteja agora mais calma”, disse à reportagem da Renascença.

Felizmente, os pais de André estão de boa saúde, embora muito assustados e preocupados com a possibilidade de novos focos de incêndio, em mais um dia de temperaturas elevadas e com uma tarde que, seguramente, não vai dar descanso aos cerca de 1.500 operacionais que continuam no terreno.

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  • EU
    11 ago, 2022 PORTUGAL 20:49
    Inferno hoje? Já se esqueceram dos anos de 1975 e 1976? E o inimigo AÍ tão perto.......
  • ze
    11 ago, 2022 aldeia 14:32
    É tempo do governo tomar medidas sobre estes incendiários......e se não fôr este governo do PS com maioria,será de certeza o próximo não PS.

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