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Estado da Nação. "Temos muitos deveres e obrigações, mas poucos direitos"

21 jul, 2022 - 06:00 • Rafael Duarte

O estado da nação na perspetiva de uma comum cidadã. A Renascença falou com uma mãe de dois filhos que se mostra acima de tudo preocupada com as condições da saúde no país.

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Carla Duarte tem 41 anos, vive em Faro e é responsável de loja. Mostra-se preocupada com o atual estado da nação e lamenta a falta de apoios do Governo. "Por exemplo para quem trabalha, desconta e tem filhos, reparo que temos muitos deveres e obrigações, mas poucos direitos".

Um desses direitos que Carla reivindica mais é a saúde. Tem dois filhos, um com oito anos e outro com 23. O mais novo tem epilepsia e é seguido no hospital, mas os constrangimentos nas urgências têm sido constantes. "É vergonhoso irmos, por exemplo, ao Hospital de Faro e ficarmos 12 a 14 horas à espera ou o próprio hospital não ter pediatra de serviço numa urgência", desabafa.

O filho mais velho precisou de uma terapeuta da fala e Carla teve que recorrer ao privado cansada de esperar pelo público. "Sempre reembolsei do meu bolso porque estive sete anos há espera que me chamassem para um hospital público no qual quando me chamaram já o meu filho estava no final do tratamento".

A pandemia veio agravar a situação no Algarve, mas para esta mãe isso não justifica tudo. "Isto é uma situação que não é de agora, é de anos. O meu filho mais velho tem 23 anos e já persistia a situação, continua a persistir e vai continuar a persistir enquanto os nossos governantes não olharem para aquilo que têm que olhar."

No que toca ao ensino, e apesar de ter o apoio do Estado em relação aos manuais escolares, Carla lembra outras condições que tem de ser ela a dar aos filhos. "É triste porque o meu filho estuda, mas sou eu que tenho que dar as condições de saúde, educação e desporto. Porque para os miúdos praticarem desporto os pais têm que pagar, os desportos não são gratuitos. É um país que nem sequer luta para ter miúdos saudáveis e desportistas"

Em suma, Carla vê a inflação no país a aumentar, mas os apoios a manterem-se: "Acabamos por nós que somos classe média passar para classe baixa e o que reparamos é que as pessoas que têm fundo desemprego, que recebem apoios, reinserções sociais, e estamos a falar de uma etnia,, são as pessoas que todas elas têm condições a nível de apoios do Estado".

Carla Duarte tem esperança de que os próximos anos tragam um estado da nação melhor, mas para isso defende que o "Governo tem que aproveitar de bom aquilo que temos no país".

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