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estudo do ISCTE

Um em cada quatro portugueses é sobrequalificado

18 out, 2021 - 10:18 • Filipe d'Avillez

Dados relativos a 2016 indicam que só a Grécia é que está à frente de Portugal no que diz respeito à sobrequalificação dos trabalhadores. Em 2020, quase 40% dos trabalhadores portugueses tinham curso superior.

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Cerca de um em cada quatro portugueses tem mais qualificações do que as necessárias para o cargo que desempenha, segundo um estudo do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

Os dados, relativos a 2016, indicam que apenas a Grécia tem uma percentagem maior que os 23,6% de Portugal, com a Finlândia no fundo da tabela, com 7,8%.

O estudo, citado na edição impressa desta segunda-feira do Público, aponta duas principais causas para o fenómeno: o baixo peso da indústria e dos serviços de alta tecnologia na economia portuguesa; e o facto de a função pública não ter absorvido trabalhadores aos ritmos anteriores aos anos da austeridade.

Em declarações ao jornal o investigador responsável pelo estudo, Paulo Marques, explica ainda que os números se devem também ao facto de Portugal ter passado de 12,8% da população com formação superior em 2000, para 39,6% em 2020. Contudo, o mercado laboral não acompanhou, do lado da oferta, a melhoria das qualificações dos candidatos a emprego.

Paulo Marques recomenda que os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência sejam usados também para melhorar este aspeto.

“A grande questão é definir os setores estratégicos, que possam arrastar o desenvolvimento da economia portuguesa nesse sentido. Temos o plano de Recuperação e Resiliência que nos permite ter esta visão estratégica. Não é algo que se possa alterar de um dia para o outro, mas as políticas públicas podem ser direcionadas para determinados setores, os estágios podem ser direcionados para determinados setores”, diz.

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  • José J C Cruz Pinto
    18 out, 2021 ÍLHAVO 13:36
    É para os sectores e empresas em condições de absorver e com vontade de aceitar trabalhadores (mais) qualificados, incluindo novos gestores, que deve ser dirigido o "ar" que a actual maioria dos nossos empresários de um quarto de tigela reclama a toda a hora para os seus "ventiladores", e não para sustentar e perpetuar negócios de baixo valor acrescentável e sem gestão qualificada, que só sobrevivem (ou fingem que só sobrevivem) com recurso ao "ar" do Estado e dos contribuintes, e a trabalho temporário, sem direitos e mal pago.

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