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Vacinação Covid. “A nossa aposta neste momento é no alargamento do horário”

07 jul, 2021 - 12:41 • Marta Grosso com redação e Lusa

No Parlamento, a ministra Marta Temido disse que Portugal é “dos países da União Europeia com mais vacinas administradas” e espera conseguir contrariar a tendência de aumento de casos de Covid-19, bem como evitar o regresso ao estado de emergência.

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O Governo quer alargar o horário dos centros de vacinação. A intenção é assumida pela ministra da Saúde nesta quarta-feira, no Parlamento. Confrontada com as grandes filas de espera existentes um pouco por todos o país, Marta Temido assume a escolha de acelerar a vacinação nas atuais condições: menos conforto, mais rapidez.

E, para atenuar o impacto, “a nossa aposta neste momento é sobretudo no alargamento do horário” dos centros de vacinação.

“Os constrangimentos de agendamento são conhecidos e resultam de um esforço hercúleo de vacinar mais de da confluência de três agendas: os autoagendamentos, os agendamentos centrais e os locais e ainda da 'casa aberta'. São, de facto, três semanas muito difíceis para as quais pedimos a compreensão de todos”, afirmou a ministra.

Marta Temido diz que foi tudo uma questão de escolha. “Poderíamos fazer isto mais lentamente, tudo com hora marcada, tudo com tempos de espera entre utentes, mas neste momento não nos podemos dar a essa possibilidade”, disse.

“Escolhemos fazer assim, porque queremos vacinar mais depressa, mas foi uma escolha”, sublinhou.

Uma corrida contra a Delta

A primazia da vacinação é a resposta contra a propagação da variante Delta do vírus SARS-CoV-2 no território nacional.

“Sabemos que têm sido utilizadas as soluções que, em cada momento, são as mais eficientes”, afirmou a ministra.

“Somos, neste momento, um dos países da União Europeia [UE] que mais vacinas tem administradas. Queremos fazer esta corrida contra a variante Delta através da vacinação e não através de outras medidas que o senhor deputado [Ricardo Batista Leite, do PSD] já referiu e sobre as quais não gostaríamos, de facto, de as ter de suscitar”, acrescentou.

Igualmente presente na audição, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, revelou que há mais de 4.300 profissionais de saúde alocados à vacinação contra a Covid-19.

Segundo disse aos deputados da comissão parlamentar, a vacinação conta com 4.730 profissionais de saúde, 620 dos quais médico e 2.626 enfermeiros. A propósito da necessidade de reforço de recursos humanos no Serviço Nacional de Saúde, Lacerda Sales disse ainda que, em maio deste ano, estavam contabilizados 147.645 efetivos, "mais 7.910 do que a 31 de maio de 2020".

Ministra não quer novo estado de emergência

Numa audição regimental na Comissão de Saúde da Assembleia da República, a ministra foi questionada pelo deputado social-democrata se as medidas que estavam a ser tomadas eram suficientes para enfrentar a evolução da situação epidemiológica e se defendia um regresso ao estado de emergência para assim viabilizar medidas mais restritivas e lembrou que isso não passa exclusivamente pelo Governo.

“Assistimos hoje a um crescimento do número de casos que esperamos conseguir contrariar, mas que não é acompanhado em termos de internamentos e óbitos. Estamos confiantes. Não é só o Governo que opta pela utilização de um determinado mecanismo de enquadramento, também a AR e o Presidente da República têm uma palavra e saberão, em cada tempo desta evolução, voltar ou não a recorrer a mecanismos que a lei tem especificados. Não há impossibilidades totais, há necessidades de avaliação constante”, reiterou.

Marta Temido assinalou também que, apesar da evolução negativa da pandemia ao nível nacional nas últimas semanas, Portugal enfrenta hoje condições “distintas” em relação ao início do ano, enfatizando a este nível o processo de vacinação “que tem sido bem sucedido e que tem permitido proteger” a população.

Mudar a matriz?

Marta Temido rebateu ainda as críticas à manutenção da matriz de avaliação da situação epidemiológica que tem servido de base nas decisões sobre o processo de desconfinamento, ao defender que não se resume exclusivamente à evolução da incidência e do indicador de transmissibilidade (Rt).

A matriz não tem só dois indicadores. Os relatórios epidemiológicos diários têm lá outros indicadores: óbitos, utilização de capacidade hospitalar e número de doentes internados em UCI e enfermaria”, observou.

“Não é correto dizer que só utilizamos dois critérios, utilizamos mais. Temos estes dois critérios como a primeira abordagem”, reforçou.

Em Portugal, desde o início da pandemia, em março de 2020, morreram 17.118 pessoas e foram registados 892.741 casos de infeção, de acordo com o último boletim da Direção-Geral da Saúde.

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